A
corda de 81 nós no Rito Escocês Antigo e Aceito (R⸫E⸫A⸫A⸫)
Por:
LuCaS
A corda de 81 nós é um importante ornamento simbólico dos templos maçônicos no Rito
Escocês Antigo e Aceito (R⸫E⸫A⸫A⸫). Ela traduz, de forma visível, a união
fraternal que liga os irmãos e a sacralidade do espaço ritual. Circundando todo
o templo, estabelece uma fronteira entre o mundo profano e o recinto sagrado,
ao mesmo tempo em que sela a coesão da Loja. Sua estrutura é composta por
quarenta nós de cada lado e um nó central, somando oitenta e um, número de
elevado valor místico, associado à perfeição e à plenitude espiritual.
As extremidades da corda
terminam em duas borlas, posicionadas junto à porta ocidental, que simbolizam a
Justiça e a Prudência, virtudes indispensáveis à condução dos trabalhos e à
vida maçônica. Além disso, cada nó, conhecido como Lac d’Amour (laço de
amor), reforça o caráter fraterno e energético da corda: absorve vibrações
negativas que possam surgir durante as sessões e as transmuta em energia
positiva, devolvendo ao ambiente harmonia e equilíbrio. Dessa forma, a corda
não é apenas um ornamento ritual, mas também um circuito de proteção
espiritual, que mantém o templo purificado e resguardado contra influências
externas.
A corda de 81 nós
sintetiza em sua simplicidade uma riqueza simbólica extraordinária: união,
virtude, perfeição numérica e proteção energética, entrelaçadas em cada nó que
circunda o espaço sagrado da Loja.
Simbolismo e Origem
União fraternal: A corda de 81 nós é, antes de tudo, um símbolo da ligação indissolúvel entre os maçons. Cada nó representa um elo de fraternidade, formando uma cadeia de solidariedade e amor que envolve todos os irmãos. Essa união não é apenas afetiva, mas espiritual: traduz o compromisso mútuo de apoio, confiança e crescimento coletivo. Ao circundar o templo, a corda reforça a ideia de que ninguém está isolado; todos estão interligados por laços de amor e dever.
Delimitação sagrada: Além de unir, a corda cumpre a função de marcar a separação entre o espaço profano e o recinto sagrado da Loja. Ela estabelece uma fronteira simbólica que protege o interior do templo, transformando-o em um microcosmo ordenado e harmonioso. Dentro dessa delimitação, o espaço se torna consagrado, livre das influências externas, preparado para os trabalhos espirituais e iniciáticos. Portanto, a corda não é apenas um ornamento, mas um verdadeiro limite energético, que guarda e preserva a sacralidade do ambiente.
Tradição dos canteiros: A origem da corda remonta aos antigos trabalhadores da pedra, os canteiros medievais. Era comum que eles cercassem seus locais de trabalho com cordas e elos, delimitando o espaço físico da construção e garantindo organização e segurança. A Maçonaria especulativa herdou esse costume, transformando-o em símbolo. O que antes era uma prática operativa tornou-se uma representação espiritual: a corda passou a significar não apenas a delimitação do espaço físico, mas também a proteção do espaço iniciático, onde se constrói o templo interior de cada maçom.
Estrutura Numérica
- 81 nós:
É o quadrado de 9, que por sua vez é o quadrado de 3. O número 3 é
considerado perfeito e aparece em diversas tradições religiosas (Trindade
cristã, tríades egípcias, hindus e taoístas).
- 40 nós de cada lado:
Representam penitência e expectativa, associados a passagens bíblicas como
os 40 dias do dilúvio, o jejum de Jesus e a permanência de Moisés no
Sinai.
- 1 nó central:
Simboliza a unidade indivisível, Deus (G⸫A⸫D⸫U⸫) como princípio e
fundamento do Universo.
Disposição no Templo
A corda de 81 nós ocupa
um lugar de destaque na ornamentação do templo maçônico do R⸫E⸫A⸫A⸫.
- Localização:
Ela é colocada no alto das paredes, junto ao teto, acima das colunas
zodiacais, como se fosse uma moldura que encerra e protege o
espaço ritual. Essa posição elevada reforça sua função de circundar e
delimitar o recinto sagrado.
- Nó central:
Localiza-se atrás do trono do Venerável Mestre, no eixo longitudinal da
Loja. Esse nó único simboliza a unidade suprema, a presença do Grande
Arquiteto do Universo como centro e fundamento da ordem maçônica.
- Extremidades:
A corda termina em duas borlas, posicionadas junto à porta ocidental. Cada
borla carrega um significado moral: uma representa a Justiça/Equidade, a
outra a Prudência/Moderação. Assim sendo, o ingresso e a saída do templo são
guardados por virtudes que devem acompanhar o maçom em sua vida profana e
iniciática.
Interpretações Esotéricas
Para além da ornamentação
visível, a corda é compreendida como um instrumento energético.
- Absorção e transmutação:
Alguns autores afirmam que a corda absorve as vibrações negativas que
possam surgir durante os trabalhos e as transmuta em energia positiva,
devolvendo-as ao ambiente e aos irmãos presentes. Dessa forma, ela atua
como um filtro energético e espiritual, mantendo o templo purificado e harmonioso.
- Laços de amor:
Os nós que compõem a corda são chamados de Lacs d’Amour (laços de
amor), expressão de origem francesa. Eles reforçam o caráter fraterno da
corda, lembrando que cada elo é um vínculo de solidariedade e proteção.
Esses laços não apenas unem os irmãos simbolicamente, mas também criam um
circuito vibracional que sustenta a coesão espiritual da Loja.
Paz Profunda!