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Uma narrativa da jornada iniciática
LuCaS
Ao cruzar o limiar, é
recebido em silêncio. A atmosfera é solene. Cada gesto, palavra e objeto possui
significado. Diante dele, é apresentada a pedra bruta, símbolo de sua natureza
imperfeita. Alguém entrega o maço e o cinzel, instrumentos que marcam o início
de sua jornada. O maço representa a força da vontade; o cinzel, a inteligência
que dá forma. Com eles, o candidato aprende que sua primeira tarefa é lapidar a
si mesmo, moldando sua essência com esforço e discernimento.
À medida que avança, é
instruído sobre os instrumentos que guiarão sua conduta: o esquadro, que ensina
a retidão moral; o nível, que revela a igualdade entre os homens; o prumo, que
aponta para a verticalidade e a busca da verdade; e o compasso, que estabelece
a medida justa e o equilíbrio interior. Esses instrumentos não são apenas
ferramentas simbólicas, mas princípios universais que orientam o iniciado em
sua construção ética e espiritual.
No centro do ritual, o
candidato revive o drama de Hiram Abiff. Ele é conduzido à morte simbólica do
arquiteto que, fiel ao segredo, não o revela mesmo diante da violência. O
silêncio pesa, o corpo é velado, e depois levantado. Esse renascimento marca sua
transformação: o iniciado compreende que o verdadeiro conhecimento exige
sacrifício, fidelidade e coragem. A morte não é fim, mas passagem para uma nova
consciência.
A jornada chega à
consagração: A feitura dos Reis, presente nas tradições antigas, se reflete na
instalação do Mestre como Venerável Mestre. Assim como o Rei era ungido para
mediar entre o humano e o divino, o Mestre é instalado para mediar entre os
irmãos e a tradição. Ambos recebem insígnias e são legitimados por rituais que
os transformam em guardiões da ordem e da sabedoria. O iniciado percebe que sua
trajetória não é apenas pessoal, mas coletiva: ele é chamado a servir, orientar
e preservar a luz.
A jornada chega ao ápice
quando, por fim, o iniciado é conduzido ao segredo. O segredo não é uma
fórmula, nem uma senha, nem um grau, nem algo que possa ser transmitido. O
segredo é experiência vivida, revelação interior que transcende as palavras.
Ele não pode ser dado, apenas descoberto. Cada iniciado que alcança esse
estágio compreende que não recebeu um objeto externo, mas atingiu um estado de
consciência. O segredo é incomunicável por sua natureza, mas universal em sua
disponibilidade: acessível a todo aquele que percorre o caminho com sinceridade
e disciplina.
Ao chegar a esse ponto, o
iniciado deve considerar-se um felizardo. Não por possuir algo exclusivo, mas
por ter atravessado o caminho iniciático até o momento em que a luz se revela.
Ele não é mais apenas um membro de uma ordem, mas parte de uma tradição eterna
que conecta passado e presente, transformando-o em guardião da luz e da
fraternidade.
Sintetizando
- O maço e o cinzel iniciam o trabalho
interior sobre a pedra bruta.
- Os instrumentos de medida revelam
princípios universais de conduta.
- O mito de Hiram ensina que o
conhecimento exige sacrifício e renascimento.
- A consagração do Mestre reflete a
feitura dos Reis, legitimando o guardião da sabedoria.
- O segredo é a chave que une todos os
elementos, revelando-se como experiência interior e incomunicável.
A iniciação é uma jornada
de transformação: o homem comum é lapidado, instruído, consagrado e finalmente
revelado como guardião da luz, da tradição e da fraternidade.
Paz Profunda!!!
A jornada é longa, mas muito gratificante. Parabéns pela excelente reflexão!!!
ResponderExcluirParabéns pelo testemunho.
ResponderExcluirBeleza de texto, LUcas, fruto da sua preocupação em difundir, didaticamente, entre os iniciados, os conhecimentos primários da Arte Real. Parabéns!
ResponderExcluirCaro leitor, muito obrigado, acontece que conheço muitos "iniciados" que apesar de terem atingido o último Grau do Rito, ainda permanecem com o Maço e o Cinzel na mão, olhando para a pedra informe, sem saber o que fazer.
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