quarta-feira, 19 de novembro de 2025

R⸫E⸫A⸫A⸫: Uma narrativa da jornada iniciática

 

R⸫E⸫A⸫A⸫: Uma narrativa da jornada iniciática

LuCaS

 Um homem comum se aproxima do Templo de Salomão. Não como espectador, mas como candidato à iniciação. O templo que vê não é apenas feito de pedra e arquitetura: é reflexo de si mesmo. Cada bloco representa uma virtude a ser trabalhada, cada medida revela uma ordem que precisa ser compreendida e vivida.

Ao cruzar o limiar, é recebido em silêncio. A atmosfera é solene. Cada gesto, palavra e objeto possui significado. Diante dele, é apresentada a pedra bruta, símbolo de sua natureza imperfeita. Alguém entrega o maço e o cinzel, instrumentos que marcam o início de sua jornada. O maço representa a força da vontade; o cinzel, a inteligência que dá forma. Com eles, o candidato aprende que sua primeira tarefa é lapidar a si mesmo, moldando sua essência com esforço e discernimento.

À medida que avança, é instruído sobre os instrumentos que guiarão sua conduta: o esquadro, que ensina a retidão moral; o nível, que revela a igualdade entre os homens; o prumo, que aponta para a verticalidade e a busca da verdade; e o compasso, que estabelece a medida justa e o equilíbrio interior. Esses instrumentos não são apenas ferramentas simbólicas, mas princípios universais que orientam o iniciado em sua construção ética e espiritual.

No centro do ritual, o candidato revive o drama de Hiram Abiff. Ele é conduzido à morte simbólica do arquiteto que, fiel ao segredo, não o revela mesmo diante da violência. O silêncio pesa, o corpo é velado, e depois levantado. Esse renascimento marca sua transformação: o iniciado compreende que o verdadeiro conhecimento exige sacrifício, fidelidade e coragem. A morte não é fim, mas passagem para uma nova consciência.

A jornada chega à consagração: A feitura dos Reis, presente nas tradições antigas, se reflete na instalação do Mestre como Venerável Mestre. Assim como o Rei era ungido para mediar entre o humano e o divino, o Mestre é instalado para mediar entre os irmãos e a tradição. Ambos recebem insígnias e são legitimados por rituais que os transformam em guardiões da ordem e da sabedoria. O iniciado percebe que sua trajetória não é apenas pessoal, mas coletiva: ele é chamado a servir, orientar e preservar a luz.

A jornada chega ao ápice quando, por fim, o iniciado é conduzido ao segredo. O segredo não é uma fórmula, nem uma senha, nem um grau, nem algo que possa ser transmitido. O segredo é experiência vivida, revelação interior que transcende as palavras. Ele não pode ser dado, apenas descoberto. Cada iniciado que alcança esse estágio compreende que não recebeu um objeto externo, mas atingiu um estado de consciência. O segredo é incomunicável por sua natureza, mas universal em sua disponibilidade: acessível a todo aquele que percorre o caminho com sinceridade e disciplina.

Ao chegar a esse ponto, o iniciado deve considerar-se um felizardo. Não por possuir algo exclusivo, mas por ter atravessado o caminho iniciático até o momento em que a luz se revela. Ele não é mais apenas um membro de uma ordem, mas parte de uma tradição eterna que conecta passado e presente, transformando-o em guardião da luz e da fraternidade.

Sintetizando

  • O maço e o cinzel iniciam o trabalho interior sobre a pedra bruta.
  • Os instrumentos de medida revelam princípios universais de conduta.
  • O mito de Hiram ensina que o conhecimento exige sacrifício e renascimento.
  • A consagração do Mestre reflete a feitura dos Reis, legitimando o guardião da sabedoria.
  • O segredo é a chave que une todos os elementos, revelando-se como experiência interior e incomunicável.

A iniciação é uma jornada de transformação: o homem comum é lapidado, instruído, consagrado e finalmente revelado como guardião da luz, da tradição e da fraternidade.

Paz Profunda!!!

4 comentários:

  1. A jornada é longa, mas muito gratificante. Parabéns pela excelente reflexão!!!

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  2. Parabéns pelo testemunho.

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  3. Beleza de texto, LUcas, fruto da sua preocupação em difundir, didaticamente, entre os iniciados, os conhecimentos primários da Arte Real. Parabéns!

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    1. Caro leitor, muito obrigado, acontece que conheço muitos "iniciados" que apesar de terem atingido o último Grau do Rito, ainda permanecem com o Maço e o Cinzel na mão, olhando para a pedra informe, sem saber o que fazer.

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