Comentário à Terceira Instrução do Grau de Companheiro Maçom
LuCaS
A terceira instrução do grau de Companheiro Maçom é uma verdadeira síntese filosófica e simbólica que convida o iniciado a transcender a mera compreensão intelectual e adentrar o terreno da meditação profunda. Ela articula uma visão do universo e do ser humano como estruturas interligadas por princípios numéricos, geométricos e espirituais, revelando que o caminho maçônico é, antes de tudo, uma jornada de interiorização e de ascensão consciente.
A
instrução parte da ideia de que os números não são apenas quantidades, mas
qualidades espirituais. Cada número representa um estágio de desenvolvimento,
uma chave para a compreensão do mundo e de si mesmo. O Aprendiz lida com os
fundamentos (1 a 4), o Companheiro com a realização e superação dos elementos
(4 a 7), e o Mestre com a transcendência e a integração plena (7 a 10). Essa
progressão não é arbitrária, mas sim profundamente enraizada na tradição
pitagórica, onde o número dez representa a totalidade, o ciclo completo, a
perfeição da manifestação.
A
instrução também mergulha na simbologia geométrica, atribuindo significados
espirituais às formas: o ponto (1) como origem, a linha (2) como ação, a
superfície (3) como plano das ideias, e o sólido (4) como obra realizada. Essa
sequência revela que toda criação parte do invisível e se concretiza no
visível, e que o iniciado deve compreender essa dinâmica para realizar sua
própria obra interior.
Outro
ponto central é a leitura esotérica do Tetragrama hebraico (YHWH), que é
interpretado como uma estrutura quaternária de ação: princípio ativo, verbo,
meio e resultado. Essa leitura não apenas conecta a tradição judaica ao
simbolismo maçônico, mas também reforça a ideia de que toda ação verdadeira é
composta por esses quatro elementos, refletindo a própria estrutura do
universo.
Essa
terceira instrução avança para a simbologia dos elementos naturais, Terra,
Água, Fogo e Ar, e introduz a quintessência como o princípio espiritual que os
transcende. Aqui, o número cinco representa o ser humano em sua plenitude,
capaz de dominar os elementos e manifestar sua verdadeira natureza. A luta do
Companheiro contra os elementos é, portanto, uma metáfora para o processo de
individuação, onde o homem deixa de ser um autômato reativo e torna-se um
criador consciente.
A
Estrela Flamejante, símbolo do grau de Companheiro, é apresentada como o astro
do microcosmo humano, iluminando suavemente o caminho do iniciado. Ela
representa a luz interior que começa a brilhar, ainda tímida, mas já
reveladora. Em contraponto, o Hexagrama, formado por dois triângulos
equiláteros entrelaçados, representa o macrocosmo, a união dos opostos, a
síntese entre o masculino e o feminino, entre o ativo e o passivo. Essa figura
é o símbolo da harmonia universal, da integração entre o eu e o todo.
Por
fim, a instrução sugere que o verdadeiro trabalho do Companheiro é realizar,
transformar, superar. Ele não pode se contentar com a teoria; deve aplicar,
lutar, vencer. O número quatro, seu ponto de partida, é o símbolo da matéria,
da obra a ser moldada. O cinco, seu objetivo, é a vitória do espírito sobre a
matéria. E o seis, que começa a se revelar, é a atmosfera psíquica que envolve
essa transformação, preparando o caminho para a iluminação maior.
Em
suma, essa terceira instrução é um convite à alquimia interior. Ela ensina que
o universo é regido por leis simbólicas e que o iniciado, ao compreendê-las e
vivenciá-las, torna-se capaz de transformar a si mesmo e o mundo. É uma
cartografia espiritual que orienta o Companheiro na travessia do labirinto,
guiado pela luz da Estrela Flamejante e pela sabedoria dos números. Não se
trata apenas de saber, trata-se de ser.
Paz Profunda!!!
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