sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LOJA MÃE

 

LOJA MÃE

(PALESTRA)

 

Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Oficiais, Dignidades, Meus amados Irmãos...

         Nesta noite, estamos escrevendo um importante capítulo, o qual deve ser inserido na História da Maçonaria Paraibana, Brasileira e, em consequência, do Mundo.

O ato bravo e histórico que estamos a presenciar, isto é, a reunião de diversas Lojas de mais de uma Potência Maçônica, realizada, não por convocação dos Conselhos Superiores, mas por iniciativa de uma Loja que encontrou ressonância ao seu ideal de pôr em prática o reconhecimento e o respeito mútuos, estreitando ainda mais os nossos laços de amizade.

            Meus Irmãos! Modernamente, existe muita semelhança entre um Estado Maçônico ou Potência ou, ainda, Obediência Maçônica e um Estado social e politicamente organizado. 

“Um Estado político compreende Povo, Território e Governo”.

         Uma Potência Maçônica compreende o Povo Maçônico, o Governo da Fraternidade e o Território de Jurisdição”.

         Os territórios físicos de mais de uma Potência Maçônica, podem ser comuns, ou seja, uma mesma região geográfica, como a nossa, abrigar mais de uma Potência Maçônica, sem que qualquer uma delas perca ou aliene sua soberania nem diminua sua regularidade. E por falar em regularidade de Potências, cita-se o pensamento de nosso Irmão Morivalde Calvet Fagundes, Presidente da Academia Maçônica de Letras.

  “Afinal de contas, cremos que é chegado o momento de se perguntar: A regularidade é mesmo um conceito, uma opinião, um juízo, ou não passa de um preconceito, uma opinião errônea, um convencionalismo?  Pelos efeitos maléficos e contraditórios, não temos dúvida em afirmar que se trata, na realidade, de um prejuízo, um preconceito, uma convenção errônea”.

E prossegue Morivalde:

          “Para provar isto, basta apenas dar um exemplo, entre dezenas, que poderiam ser dados: As 49 Grandes Lojas norte-americanas reconhecem no Brasil, em sua quase totalidade, as Grandes Lojas brasileiras, e não o Grande Oriente do Brasil; e são reconhecidas na Inglaterra pela Grande Loja Mãe do Mundo; esta, porém, no Brasil, só reconhece o Grande Oriente do Brasil e não as Grandes Lojas Brasileiras. Onde há coerência, onde há regularidade? Quem está com a razão?”

 Amados Irmãos! Pessoalmente, achamos que movimentos como este que ora  presenciamos sob o patrocínio dos Veneráveis Mestres, apoiados pelos valores obreiros de suas Lojas, devem ser enaltecidos e intensificados e prometemos dedicar a nossa existência, por mais breve que ela possa ser, a esse desiderato, embora sabendo que estaremos enfrentando os poderosos caudilhos donos e depositários dos Dogmas da Regularidade Maçônica.

Ora, Irmãos! Sabemos que maçonaria é construir o Homem; é incentivar as ideias e as propostas que objetivem ampliar a compreensão e o entendimento entre os povos e viabilizar a paz mundial; é restaurar os princípios éticos da humanidade; é propor que a ação decorre do pensamento ... é, em resumo, a criação do Homem Integral, que formará uma humanidade melhor e mais esclarecida.

É a formação desse Homem Integral privilégio da Potência A, B ou C?  Não! Bem antes de surgirem as Potências Maçônicas, já existiam as Lojas com essas propostas. É, pois, a Loja a grande responsável pela transmutação alquímica do Homem.

A Loja Mãe, isto é, aquela na qual o maçom foi iniciado, fazendo o verdadeiro papel de mão dedicada cujo único e principal objetivo é encaminhar o filho para que ele alcance o sucesso e a glória, ensina ao maçom, entre outras coisas, que o Homem Integral participa de maneira integrada e decidida, nos diversos planos da atividade humana.  Assim sendo, no plano de sua relação consigo mesmo, o maçom será um homem que conhece as suas potencialidades, usa racionalmente o seu tempo dedica-se, de maneira equilibrada, ao trabalho, ao estudo e ao necessário lazer;

No plano familiar, deve ser filho atento, irmão dedicado, marido correto, pai consciente de seu papel de provedor, não só material, e formador ou modelador do caráter daqueles que o sucederão;

No plano profissional, o maçom deverá estar sempre disposto a se aplicar em obter o maior aproveitamento de sua capacidade, na tentativa de se tornar cada vez mais um participante eficaz de todo o processo de desenvolvimento da humanidade. Aprendendo, deverá divulgar o que aprendeu. Sendo subordinado atento e superior interessado, o Homem Integral promoverá sua realização profissional sem se esquecer de sua condição humana.

No plano social, a Loja nos ensina que devemos atuar de maneira pacífica, prudente, mas efetiva, na solução dos problemas da sociedade, devemos ser eleitores conscientes, bons cidadãos, justos, para que possa existir o Estado justo;

No plano político, embora não sejam permitidas as discussões partidárias, a loja nos ensina que o Homem Integral será sempre participante de decisões que afetem a Comunidade, o Estado e o Mundo na medida de suas possibilidades. Não se acomodará sob a justificativa de que não tem poder de decisão; pelo contrário deverá sugerir ativamente aos seus representantes, os políticos profissionais, medidas que julgue adequadas à sociedade.

A formação do Homem Integral, retro-caracterizado e proporcionado pela Loja, nossa Loja Mãe, é, em meu entendimento o maior e mais nobre dos objetivos da Maçonaria, uma vez que, se o homem atender a todos os requisitos listados, nos diversos planos de sua atividade, estará certamente assegurada a existência real de uma humanidade melhor e mais esclarecida.

A Loja ou a Ordem ao adotar, como símbolo, a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica, a Pedra Polida, o Edifício Social e as ferramentas da construção, explica que o homem comum com potencial, deve ser trabalhado para ter suas arestas desbastadas e tornadas regulares, para que, com ele, possa ser construída uma sociedade mais equânime, equitativa, solidária e coesa.

Mas, para que a Loja tenha condições de atingir esses elevados propósitos, é necessário que nós, como seus filhos maçons, nos dediquemos ao trabalho do autoconhecimento, da autocrítica, da permanente autorrenovarão e, também, - isto é  importante - , da catequese, na procura de outros desejosos de aperfeiçoamento.

A esse trabalho devemos aderir com entusiasmo, posto que o verdadeiro maçom deve encarar esse trabalho como uma das missões de sua vida, visto que, assim fazendo estará, teoricamente, perpetuando a Ordem, através  do fortalecimento da sua Loja Mãe, para que ela possa continuar a realização dos objetivos da Ordem, razão de ser da Loja.

PAZ PROFUNDA!

Satisfeito!!!

LUIZ CARLOS SILVA, M. I.

Palestra proferida em 19 de agosto de 1993, no Templo da Augusta, Benemérita e Respeitável Loja Simbólica Regeneração Campinense nº 2, por ocasião do seu 70º aniversário.

LOJA MÃE

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