segunda-feira, 11 de setembro de 2023

A Grande Loja Unida da Inglaterra – UGLE – aceita mulheres transexuais que tenham sido iniciados como homens

A Grande Loja Unida da Inglaterra – UGLE – aceita mulheres transexuais que tenham sido iniciados como homens

As mulheres transexuais podem permanecer como maçons se já eram o como homens, disse a Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE).

Expulsar maçons que façam a transição é considerado “discriminação ilegal”, advertiu a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE).

Assim, usar a transição de um maçom como razão para excluí-lo de uma loja exclusivamente masculina é “discriminação ilegal e, portanto, nunca poderá constituir uma causa suficiente”.

As mulheres que fizerem a transição para se tornarem homens também deverão ser autorizadas a aderir, isto é, ter suas iniciações autorizadas ou permitidas. O documento de orientação diz que a mudança de sexo do maçom deve ser “tratada com a maior compaixão e sensibilidade”.

Independentemente da identidade de gênero, os 200.000 membros do UGLE ainda serão formalmente referidos como “irmãos”, diz o documento. Informalmente eles deverão ser chamados “pelo nome e título que tiverem escolhido”.

O documento emitido para 7.000 lojas em todo o país diz: “Se um maçom que é membro da UGLE deseja mudar de gênero e se tornar uma mulher, esperamos que receba o apoio total dos seus irmãos”.

Michael Baker, diretor de comunicações da UGLE, disse:

“Embora não tenha havido nenhum pedido geral de orientação sobre a problemática do gênero, questões sobre o assunto provavelmente tornar-se-ão cada vez mais comuns no futuro, e agora parece ser um momento oportuno para emitir orientações gerais aos nossos membros”

Um documento de perguntas frequentes anexado à orientação, explica que as lojas devem permitir que os membros que fizeram a transição para uma alternativa feminina trajem em conformidade, ou seja, possam usar uma saia e um top escuro elegantes.

Dado o papel fulcral que a United Grand Lodge of England desempenha na Maçonaria Regular, será interessante ver como é que esta orientação vai repercutir por todo o mundo.

Notícias sobre este assunto podem ser encontradas na BBC, no The Telegraph, no The Guardian, entre outros.

A seguir transcreve-se a “Gender Reassignment Policy”, que poderá ser lida na íntegra:

·         Escopo

Esta política estabelece a abordagem da UGLE às questões levantadas para a Maçonaria pela mudança de gênero.

O objetivo é ajudar a orientar as Lojas em suas tomadas de decisão. Não impõe regras vinculativas e, embora forneça algumas orientações gerais sobre a legislação acerca da discriminação, não constitui aconselhamento jurídico. Esta Política não tenta abordar todas as questões relacionadas com o gênero que podem surgir à medida que a mudança de gênero e a transição de gênero se tornam mais prevalentes numa sociedade em mudança e quando o fazem, terão de ser abordadas de acordo com os princípios maçônicos de legalidade, bondade e tolerância.

·         Geral

É importante que qualquer situação que envolva a mudança de gênero de um maçom seja tratada com a máxima compaixão e sensibilidade e que o indivíduo seja apoiado durante todo o processo.

Se um Maçom que é membro da UGLE deseja mudar de gênero e tornar-se mulher, esperamos que o Maçom receba o apoio total dos seus irmãos. A privacidade do indivíduo deve ser respeitada e normalmente não haverá exigência de informar o Grande Secretário Metropolitano, Provincial ou Distrital aplicável ou o Grande Secretário sobre esta mudança.

·         Pedidos de admissão

Um candidato à admissão na Maçonaria sob a jurisdição da UGLE deve ser um homem. Se uma pessoa que passou por uma mudança de sexo e se tornou homem se candidatar para se tornar maçom, então a sua candidatura deverá ser processada da mesma forma que para qualquer outro candidato do sexo masculino.

Qualquer candidato qualificado para admissão pode ser proposto para membro de uma loja privada de acordo com as disposições das Regras contidas no Livro das Constituições. Nenhum candidato deve ser submetido a perguntas sobre o seu gênero que possam incomodá-lo.

·         Associação continuada

Um maçom que após a iniciação deixa de ser homem não deixa de ser maçom. Esperamos que os maçons ajam com compaixão e sensibilidade para com os seus colegas maçons. Esperamos que nenhum Maçom se envolva em conduta indesejada relacionada com a real ou percebida reatribuição de gênero ou transição de gênero de outro Maçom. Tal conduta não seria apenas não maçônica, mas também ilegal se tivesse o objetivo ou o efeito de violar a dignidade ou de criar um ambiente intimidante, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo para a vítima.

·         Renúncia ao ofício

Uma “maçona” que se torna mulher não é obrigada a renunciar à Arte. Se uma pessoa renunciar à Arte, então ela e os seus dependentes poderão já não ser elegíveis para alguns dos benefícios fornecidos pelas instituições de caridade maçônicas agora ou no futuro.

·         Exclusão de uma Loja

Uma Loja pode votar para excluir qualquer membro por justa causa. Os seguintes motivos constituiriam discriminação ilegal e, portanto, nunca poderiam constituir causa suficiente:

a. O fato de um membro ter se tornado legalmente mulher;

b. Uma crença equivocada de que um membro se tornou legalmente uma mulher;

c. O fato de um membro estar em processo de transição de homem para mulher; ou

d. Uma crença equivocada de que um membro está em processo de transição de homem para mulher.

Da mesma forma, uma Loja não deve tentar persuadir um membro a renunciar à Loja ou discriminar um membro com base em qualquer um destes motivos. Uma Loja não deve, em nenhum momento, exigir que um membro prove que é legalmente um homem.

·         Alteração

A lei e o que é considerado a melhor prática nesta área estão a desenvolver-se rapidamente. Esta política pode ser alterada de tempos em tempos, portanto, certifique-se de estar se referindo à versão mais recente.

 

Data de aceitação: 17 de julho de 2018

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Os Símbolos nos Diplomas, Breve e Patentes do R.E.A.A.

 Os Símbolos nos Diplomas, Breve e Patentes do R.E.A.A.

Texto de: Balthazar Rebouças Feijó, 33, M.R.A.

Enviado por: LuCaS

Fotos: LuCaS

Segundo a Revista de Estudos Maçônicos – ASTRÉA(1), ANO LXXV – Nº 11 – Março 2002/ junho 2002, à medida que ascende em sua Carreira Maçônica, o Maçom estudioso e compenetrado escreve a história de sua evolução pessoal. Nada mais justo que ele tenha um sadio sentimento de realização e que se orgulhe de seus passos.

Ainda, de acordo com a mesma revista, os novos Diplomas, Breve e Patentes do Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A. da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, foram criados e impressos em papel especial com tinta de alta solidez à luz, dentro do espírito de transformá-los em fonte de motivação e recordação.

Portanto, todos os Diplomas, Breve e Patentes são encimados pela Águia Bicéfala, em púrpura, emblema do Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A. da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Os dizeres são quase idênticos, adotadas apenas as diferenças necessárias, e as cores e os símbolos empregados encarregam-se de criar a atmosfera peculiar de cada Grau.

Assim temos:

Diploma do Grau 4Mestre Secreto

No primeiro Grau das Lojas de Perfeição, a fita azul e a moldura preta recordam, respectivamente, a essência espiritual e a materialidade. Ao alto, o Olho do Universo simboliza o Sol, emblema do Grande Arquiteto, da Luz e da fonte de energia que mantém a vida. Logo abaixo, a letra Z está sobreposta a um ramo de louro, simbolizando a vitória, e o outro de oliveira, simbolizando a paz. Mais abaixo, vê-se a Chave, joia do Mestre Secreto, a qual, remete às grandes lições de respeito à confiança depositada e ao segredo revelado, através da discrição e da fidelidade.

Diploma do Grau 9Cavaleiro Eleito dos Nove

A faixa negra relembra o luto pela morte do G.M.H.A. e os grandes inimigos da humanidade – a ignorância, a intolerância e a superstição. Sobre ela, estão nove rosetas escarlates, representando os Eleitos sorteados, a quem Salomão encarregou de prender os assassinos de Hiram. A Estrela Flamejante dourada simboliza a luz que conduz à Verdade. Abaixo, na caverna que simboliza a nossa ignorância, essa mesma Luz, contida no brilho singelo de uma vela, afasta as trevas para iluminar a consciência.

A joia do Cavaleiro Eleito dos Nove é o punhal de punho dourado e lâmina prateada. Como venha a ser usado depende de quem vier a empunhá-lo – para armar a justiça ou perpetrar um crime. Por isso, a Maçonaria luta para esclarecer o povo, porque a tirania só se torna possível graça à ignorância das massas. O Cavaleiro Eleito dos Nove deve “ser bravo contra suas próprias fraquezas e ser bravo para defender a verdade”.

Diploma do Grau 14Perfeito e Sublime Maçom

A faixa do Perfeito e Sublime Maçom, último dos Graus Inefáveis, é carmesim (vermelho). Sobrepostos a ela estão: uma estrela prateada com uma palavra fenícia, por ser Tiro a terra de Hiram – que significa perfeição; e um ramo de acácia, lembrando que o Bem sobrevive ao Mal.

A joia é o compasso coroado sobre um arco de círculo, gravado com os numerais III, V, VII e IX, onde está inscrito o Sol. O compasso, aberto em 45°, representa a ciência e a espiritualidade. Está coroado para lembrar Hiram Abif, cuja sabedoria e habilidade o tornaram digno de se ombrear aos dois reis. Assim, lembra-nos o esforço para evoluir, dever de todo Maçom, ajudado pela Luz Divina representada pelo Sol – “Procurai e encontrareis”.

Todos nós sabemos que a perfeição é inatingível, mas é na sua procura que encontramos a recompensa, a terminação de nosso Templo Interior.

Diploma do Grau 15Cavaleiro do Oriente

Este é o primeiro dos Graus ditos Capitulares.

A faixa do Cavaleiro do Oriente, é verde, orlada de dourado, simboliza a imortalidade. O verde, neste Grau 15, simboliza a imortalidade da alma humana. Ao alto, uma cabeça, atravessada por duas espadas a advertir que a liberdade é ceifada tão logo a justiça seja abafada pelo interesse, pelo s vícios e pela iniquidade.

Na joia do Cavaleiro do Oriente, os três triângulos dourados, concêntricos, lembram as três virtudes que se opõem aos vícios e que constituem a divisa que a Maçonaria adotou para si - Liberdade, Igualdade e Fraternidade. As espadas dourados cruzadas, inscritas nos triângulos, representam aqui a determinação de lutar pela liberdade, a mesma determinação que levou os israelitas que retornavam do cativeiro à vitória na ponte de Gabara e à consequente liberdade, que resultou na reconstrução do Templo.

A trolha prateada simboliza a determinação em reconstruir o Templo. Com a trolha em uma das mãos e a espada na outra, o Cavaleiro do Oriente obedece aos fundamentos do Grau - "Defendei vossa liberdade e nunca cerceeis a liberdade de outrem ".

Breve do Grau 18Cavaleiro Rosa-Cruz

A faixa aqui está em diagonal. A parte em negro representa a Câmara da s Trevas co1n a cruz encarnada.

Outra parte encarnada, representa a face a ser usada na Câmara das Luz es . Da mesma forma, a joia do Cavaleiro Rosa-Cruz tem duas faces, uma para cada Câmara. Ambas têm um compasso coroado, aberto em 60º, sobre um quadrante de círculo.

Na joia para a Câmara das Trevas, uma águia, aqui símbolo da sabedoria e da inteligência, apoiada no quadrante, prepara-se para alçar voo. A cruz encarnada sobre ela representa a dor pela perda da Palavra.

Na joia para a Câmara das Luzes, sobre o quadrante, está um ninho e, nele, um pelicano que alimenta os filhotes com a carne do próprio peito, símbolo do devotamento e do auto sacrifício. Sobre ele, está a cruz encarnada, em cuja base encontra-se um ramo de acácia, recordando a imortalidade. No ponto de encontro das hastes da cruz, está a Rosa Mística, dedicada à deusa Aurora pelos antigos, símbolo da luz e da renovação da vida. Com isso, a cruz e os raios que dela emanam ganham o significado da aurora de uma nova lei, a “Lei do Amor”.

Para Albert Pike, o grande codificador do R.E.A.A., o compasso coroado "significa que, não obstante o alto posto atingido na Maçonaria pelo Cavaleiro Rosa-Cruz, a equanimidade e a imparcialidade devem, invariavelmente, guiar sua conduta".

Diploma do Grau 19Grande Pontífice

A fita é carmesim, orlada de branco. Sobre ela estão doze estrelas douradas, de rico simbolismo: as doze tribos de Israel, as doze portas da Jerusalém Celeste, os doze Apóstolos, os doze frutos da Árvore da Vida, que, mais exatamente, representam os doze signos do Zodíaco intelectual, as verdades que iluminam a Razão.

Na joia do Grau, uma placa ele ouro retangular; tem duas letras gregas, alfa (A) no anverso e ômega (ꭥ) no reverso, que correspondem às letras hebraicas aleph e tau. Em ambos os casos, a primeira e a última letra dos respectivos alfabetos, significando a totalidade, o início e o fim.

Abaixo, está a joia peitoral do Grande Sacerdote de Israel, com suas doze pedras, cada uma simbolizando uma das doze tribos e um dos atributos divinos.

Deve ser lembrado ainda que o termo pontífice vem do latim pontifex, “membro do colégio de sacerdotes encarregado da observância do culto dos romanos”. A eles se atribuía a construção das primeiras pontes, pons em latim, sobre o rio Tibre.

Diploma do Grau 22Cavaleiro do Real Machado

A fita tem as cores do arco-íris, símbolo da pureza e da aliança do homem com Deus. Este Grau está associado a Noé e a todos aqueles que trabalharam com a madeira dos cedros do Líbano sob a orientação Divina, cujas iniciais em hebraico estão nos dois lados do cabo do machado dourado, joia do Grau. São eles Adoniram, Ciro, Dario, Xerxes, Zorobabel e Ananias, de um lado; do outro lado, Sidônio, Noé, Sem, Cam, Japhet, Moisés, Bezelicl e Golias.

Disse Albert Pike que a Maçonaria procura enobrecer a vida cotidiana, enaltecendo as virtudes do homem que trabalha. Este é o objetivo do Cavaleiro do Real Machado: a Glorificação do Trabalho.

Porque é através do trabalho que é possível derrotar a serpente do ócio com suas três cabeças: a intemperança, a devassidão e o jogo. Laborare est orare trabalhar é o mesmo que rezar, diz a fórmula latina. A exaltação do trabalho pacífico c produtivo, "elemento indestrutível de todas as civilizações", está enfatizada na mesa redonda, significando igualdade, sobre a qual estão os planos desenrolados e os instrumentos matemáticos.

Diploma do Grau 28Cavaleiro do Sol

A fita é branca, sem ornamentos, além do olho dourado. Quase todo o Grau é representado com extrema simplicidade, em branco e ouro, denotando o branco a pureza da inocência, daquilo que não foi maculado, e o ouro a pureza obtida por provas, sofrimentos e refinamentos sucessivos.

O pentagrama entrelaçado aparece em vermelho no avental do Cavaleiro do Sol. A joia do Grau é uma estrela de cinco pontas douradas e representa o microcosmo humano. Na joia, os raios inscritos simbolizam o Sol e, por analogia, a busca interior que conduz à Luz da Razão, através da qual dissipamos as trevas do erro que enevoam nossos olhos - Ex tenebris Lux.

Sobre tudo isso, paira a presença magnânima da Divindade, representada pelo Olho-que-tudo-Vê.

A dissertação de Albert Pike para este Grau ocupa praticamente a metade do seu livro Moral e Dogma, tal a profundidade das ideias que ele encerra, das quais um eminente ritualista americano, Jim Tresner, 33", detentor da Grã Cruz de Honra, destaca:

  • O que se vê é apenas uma manifestação do invisível.
  • O amor e a sabedoria valem mais que tudo.
  • Não existe morte; só mudança.
  • Nossa vida é uma busca eterna. E é buscando que encontramos uma vida.
  • Não é à toa que este é um dos Graus mais difíceis de entender em toda a sua profundidade.

Patente do Grau 30Cavaleiro da Águia Branca e Negra

Este grau é o último da série dos Graus Filosóficos.

Sua fita é negra, orlada de prateado. Sobre ela, ao alto, encontramos as iniciais do outro nome do Grau, C.K., isto é, Cavaleiro Kadosh, expressão que, em hebraico, significa puro ou santificado.

Abaixo, uma águia bicéfala branca e negra segura uma adaga em suas garras. Ela traz muitas lições. Por exemplo, que em nós reside a ambiguidade, que só sublimaremos através do cumprimento consciente do dever. Ou também que, em quase tudo, os contrastes existem e que, ainda que antagônicos, podem conviver em equilíbrio e harmonia. O mesmo contraste se observa no punhal, a joia do Cavaleiro da Águia Branca e Negra, cujo cabo é branco e negro e lembra a sua missão de combater o despotismo, qualquer que seja a forma que ele assuma. Porque, como a Hidra, a tirania tem muitas cabeças, que reaparecem sempre que nos descuidamos de velar pelas liberdades.

Patente do Grau 31Grande Inspetor Comendador

Este é o primeiro Grau do Consistório. Seus para mentos, despidos de ornamentação, lembram o Grau 28. Aqui também tudo é branco e ouro. Este despojamento proposital é um convite a uma reflexão mais profunda, a um reexame da vida, porque nele acontece o Tribunal dos Mortos, tal como na mitologia egípcia, quando tudo será pesado e avaliado. A vida exige muito mais do Maçom do que apenas decorar palavras dos rituais. Exige que os ensinamentos nele contidos tenham passado à vida prática, tenham tocado seu coração.

A fita do Grande Inspetor Comendador é branca orlada de ouro. Sobre ela, um triângulo de ouro, emitindo raios dourados, representando a Sabedoria Infinita, tem o número XXXI inscrito.

A Joia do Grau é uma cruz teutônica em prata, também sem ornamentos. Não é um Grau de fácil entendimento. Exige introspecção e autoavaliação Sincera. Não que se deseje santos, mas apenas homens comuns determinados a serem melhores.

Patente do Grau 32Sublime Príncipe do Real Segredo

Contrastando com o Grau anterior, o Grau 32 é rico em símbolos. E nobre, por excelência, mas da nobreza por mérito. Sua fita é negra, orlada de dourado. Ao alto, seis bandeiras estão ladeando uma cruz teutônica escarlate. Sobre ela, uma águia bicéfala negra, segurando uma espada em suas garras.

Entre as muitas interpretações, para o Irmão Jim Tresner as bandeiras azuis podem referir-se aos Graus Simbólicos, as escarlates ao Rito Escocês e as douradas à evolução do Maçom estudioso. Sobre o conjunto, mais uma vez, está a Divindade, no Olho-que-tudo-Vê.

Outra águia bicéfala, desta vez em ouro, sobrepõe-se à cruz teutónica escarlate.

Mas o grande símbolo dos Sublimes Príncipes do Real Segredo é o Acampamento, onde está representada toda a hierarquia do Rito Escocês Antigo e Aceito. São polígonos concêntricos, com nove, sete, cinco e três lados.

O eneágono tem uma bandeira em cada vértice e uma tenda em cada lado. Representa os Maçons dos Graus Simbólicos, Inefáveis e Capitulares, quer dizer, do Grau l ao 18. Atravessando o heptágono, vemos que, nos vértices do pentágono, tremulam os estandartes dos Graus Filosóficos ou Místicos, quer dizer, do Grau 19 ao Grau 30. Inscrito no pentágono, há um triângulo e, inscrito nele, um círculo. Dentro do triângulo, em cada vértice, há um corvo, uma pomba e uma fênix. No círculo, está uma cruz de Santo André, em escarlate, com quatro tendas nas extremidades, onde acampa o Estado Maior, isto é, os Grandes Inspetores Comendadores e os Príncipes do Real Segredo. No centro da cruz, encontramos a tenda do Soberano Grande Comendador.

Nos Estados Unidos, o Grau 32 é o último dos Graus da Carreira Maçônica, porque o Grau 33 é honorífico.

Patente do Grau 33Grande Inspetor Geral

Este Grau é o ápice no Rito Escocês Antigo e Aceito.

Sua fita é branca, orlada de dourado. O triângulo de ouro, com o numeral 33 inscrito, resume o longo caminho percorrido pelo Maçom estudioso. Os raios dourados que dele irradiam significam sua obrigação de espargir o Bem e agir com Sabedoria, Prudência e Firmeza, o que será inevitável aos que compreenderam as lições ao longo de sua ascensão. Da fita pende uma águia bicéfala branca, armada e bicada de ouro, ostentando uma coroa também de ouro, que segura uma espada de punho dourado e lâmina prateada em suas garras. Uma fita preta pende da espada, trazendo a divisa Deus meunque Jus – Deus e o meu direito – em letras douradas

A joia do Grau é complexa. Uma estrela dourada de nove pontas esta sobreposta a uma cruz teutônica escarlate, orlada de dourado. Sobre os braços da cruz estão quatro colunas douradas e, sobre cada extremidade, cinco pequenas cruzes teutônicas em negro.

Uma espada e um cero estão cruzados sob o conjunto. Na extremidade superior do cetro está a Mão da Justiça.

Nos nove pequenos triângulos negros formados pelo entrelaçamento no interior da estrela, estão gravadas letras que formam a palavra SAPIENTIA, sabedoria em latim. O interior da estrela é branco. Nele encontramos a serpente Ouroboros, dourada, mordendo sua própria cauda, símbolo do infinito e, na alquimia, da transmutação da matéria.

Uma orla negra envolve um escudo circular com uma cruz branca sobre fundo escarlate. Na orla estão duas divisas latinas, Ordo ab Chao – Ordem que se fez do Caos – e Deus meumque Jus. Um escudo negro completa o desenho, tendo uma águia bicéfala coroada em ouro, ladeada pela Balança e pelo Compasso e Esquadro.

Assim encerra-se a descrição e interpretação dos símbolos contidos na série de Diplomas, Breve e Patentes do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Esperamos que estejam à altura das expectativas e do esforço despendidos pelos Irmãos que trilham o árduo caminho do Rito Escocês Antigo e Aceito, servindo-lhes de recordações dos ensinamentos e das emoções de sua caminhada.

___________________

(1) A revista ASTRÉA é o Órgão Oficial do Supremo Conselho de Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.


sábado, 2 de setembro de 2023

Árvore de Vida da Kabbalah e Moralidade

                                                Árvore de Vida da Kabbalah e Moralidade

Autor: Daniel farell

Traduzido por: Luiz Carlos Silva

 

A Teosofia Esotérica Hebraica comumente conhecida como “Kabbalah” (Kabbalá, “Recibo”, “Aceitação” ou “tradição”), é uma herança muito antiga de Israel. A Kabbalah alcançou seu período de auge em torno dos séculos XII e XIII, influenciando aos pensadores medievais ainda antes do renascimento (séculos XIV a XVII). De fato, nos séculos XI e XII grandes contribuições à ciência e à filosofia foram feitas pelos "Mekubbalim" (Aceitos ou Kabbalistas), conhecidos nos livros de história como inventores, reveladores e filósofos excepcionais.

Os estudos da Kabbalah incluem o “Ets H'ayim” (“Árvore da vida”) e seus “Sefirot” (“Emanações Divinas”). 10 (dez) Sefirot se origanizam no incompreensível “EinSof” (“sem fim” ou “infinito”) – Denominação Kabbalística do Único, Eterno e Todo-poderoso Deus, criador, origem e essência absoluta de tudo. As 10 Sefirot representam:

(1) A compreensão humana finita (limitada) dos canais de energia que Deus gerou de sua própria energia infinita, para criar e governar nosso universo finito e material; e,

(2) as qualidades que os seres humanos devem esforçar-se em desenvolver para acercar-se de Deus. As 10 Sefirot também refletem Associações Morais. Embora haja algumas versões destas Associações Morais, em princípio, todas elas refletem a Fé em Deus e na Moralidade.

O quadro que é introduzido em seguida descreve a ordem das Sefirot e das associações morais correspondentes (marcados em vermelho escuro e separados com uma linha curta). As organizações múltiplas representam as diversas dimensões do mesmo canal.

 

Kavim (linhas cordenadas,)

Potência (Esquerda)

Harmonia (Meio)

Generosidade (Direita)

S
U
P
E
R
N
A
L
E
S

C
O
N
S
C
I
E
N
T
E

 

(1)
Keter
(Kéter) Coroa de Deus


Alto: Emunah (Emuná) Fé em Deus
Centro:
Ta'anug (Ta-anúg) Prazer
Bajo:
Ratson (razão) Vontade

 

(3)
Binah
(Biná) Compreensão


Simh'ah (Simjá) Alegria

 

(2)
H'ochmah
(Jojmá) Sabedoria


Bitul (Bitúl) Altruísmo

Senda

Da'at (Dá-at) Conhecimento                          -       Yih'ud (Yijúd) Unidade

P
I
L
A
R
E
S

E
M
O
T
I
V
O

(5)
Gevurah
(Gvurá) Coragem
Din (Din) Justiça


Yir'ah (Yir-á) Temor

 

(4)
Gedulah
(Gdulá) Grandiosidade
H'esed (Jésed) Misericórdia


Ahavah (Ahavá) Amor

 

(6)
Tiferet
(Tiféret) Glória/Beleza


Rah'amim (Rajamím) Perdão

 

 

C
O
M
P
O
R
T
A
M
I
E
N
T
O

 

(8)
Hod
(Hod) Esplendor


Temimut (Tmimút) Sinceridade

 

 

(7)
Netsah'
(Nétsaj) Eternidade


Bitah'on (Bitajón) Confiança

 

(9)
Yesod
(Yesód) Fundação


Emet (Emét) Verdade/Honestidade

 

 

(10)
Malchut
(Maljút) Reinado de Deus
Shechinah (Sh-jiná) Presença de Deus


Shiflut (Shiflút) Humildade

 

Deidade

EinSof (EnSof)   Único, Eterno e Todo poderoso Deus

Criador, origem e essência absoluta de tudo

As "Kavim" ('Línhas' ou 'Coordenadas') agrupam as Sefirot verticalmente à esquerda, no centro (equilíbrio) e à direita. A interação entre as Sefirot é feita através de "Tsinorot" ('Tubos'), entre os quais flui a energia de Deus. Os Tsinorot conectam as Sefirot sistematicamente e as dividem em subgrupos (observe a separação básica pelas coordenadas verticais à esquerda). Cinco "Partsufim" ('Caras' ou 'Configurações') conformam as Sefirot para interação. Cada Sefirah no singular) alcança níveis de energia mais elevados quando está combinada com outras Sefirot. Por exemplo, guiar-se pela "Justiça" outorga um alto valor. E quando se a combina com "Misericórdia", a "Justiça" alcança um valor mais alto. Do mesmo modo, se bem a "Misericórdia" constitui um alto valor, quando a ajuda é distribuída "Justamente" se torna mais valiosa. As combinações bilaterais alcançam níveis de energia muito mais altos que as unilaterais.

Deus tem uma vontade infinita para “doar” sua infinita e absoluta qualidade divina a toda sua criação. Deus, entretanto, não tem uma necessidade ou a vontade de “receber”. Por outro lado, todos os seres criados têm a vontade de “receber”. Prestemos atenção ao verbo Hebreu “le-kabbel” ('receber') e o substantivo "kabbalah" ('recibo'). Se somente recebemos, permanecemos sempre distantes de Deus. Em troca, fazendo boas ações e doando aos outros estaremos mais perto de Deus. Por exemplo, se educar-se tem valor, é mais valiosa então a educação que brindamos aos outros. Para aproximar-se de Deus, a pessoa deve desenvolver a vontade (Ratson) de faze-la unida (Yih'ud) a Deus, para atuar de acordo com as Sefirot e integra-las.

As associações morais correspondentes constituem princípios morais básicos (virtudes) da conduta diária e consequentemente podem ser referidas como Potências Morais. Ao alcançar estas Potências Morais, a pessoa promove um “Sulam” (“escala”) espiritual na escala de sua auto perfeição. Estas Potencias Morais de Perfeição são a base dos graus e dos ensinamentos do Rito Escocês da Maçonaria. Na Kabbalah se denomina "Or" ('Luz') a qualquer energia recebida de Deus, e compreensível pelos seres humanos, através dos 10 canais das Sefirot. A 'Fé em Deus' é a primeira Potência Moral e corresponde à primeira das Sefirot, "Keter" ('Coroa de Deus'). Na Kabbalah, a 'Fé em Deus' se descreve como "Or EinSof" ('Luz de Deus') que Ilumina todos os sentidos de uma pessoa. No mesmo sentido, o significado simbólico da 'Luz' Maçônica é em primeiro lugar o da 'Fé em Deus'. A busca humana da Luz começa dentro de nosso próprio interior, posto que todos havemos recebido a semente da luz. Se desenvolvermos nossa Fé em Deus e revelarmos uma conduta moral adequada, aquela semente poderá receber mais luz e germinar.

A aquisição de novos Poderes Morais em nossa vida diária ajuda-nos alcançar valores mais elevados. As integrações Multilaterais dos Poderes Morais concedem maior dimensão, ou seja, virtudes adicionais. Por exemplo, uma reza pode alcançar determinado valor, se for feita com fé, Amor, Respeito, Sinceridade, Honestidade ou Humildade frente a Deus. Se esta mesma reza for feita não somente para nós mesmos, mas também para outros, alcança um valor mais alto, posto que integra, também, entre outros valores, o altruísmo, o amor e a sinceridade para com o próximo. Além do mais, isto reflete nossa capacidade de sentir alegria pelo bem-estar dos nossos irmãos e o perdão ante seus possíveis defeitos.

No princípio, a Kabbalah nos acentua nossa carência essencial da compreensão do Universo em que nós nascemos. Mas o estudo gradual e apropriadamente dirigido da Kabbalah constitui um desafio intelectual, que nos oferece a oportunidade de elevar-nos de nosso mundo material através de nossa auto perfeição moral, ajudando-nos a obter uma sensação maior da Presença de Deus, e, portanto, consolida nossa Fé n’Ele. Sem dúvida, antes de estudar a Kabbalah e de esperar qualquer classe de elevação espiritual verdadeira, a pessoa deve exercitar sua Fé em Deus e sua Moralidade. Somente assim, então, um poderá aproximar-se de Deus mediante a prática das 10 Sefirot e "doando" a outros seres. Uma vela acesa não perde sua própria luz quando acendem-se outras velas que não estavam acesas. Pelo contrário, quanto mais velas acesas, maior luz multidimensional se reflete sobre ela.

TFA

LuCaS

LOJA MÃE

  LOJA MÃE (PALESTRA)   Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Ofici...