sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LOJA MÃE

 

LOJA MÃE

(PALESTRA)

 

Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Oficiais, Dignidades, Meus amados Irmãos...

         Nesta noite, estamos escrevendo um importante capítulo, o qual deve ser inserido na História da Maçonaria Paraibana, Brasileira e, em consequência, do Mundo.

O ato bravo e histórico que estamos a presenciar, isto é, a reunião de diversas Lojas de mais de uma Potência Maçônica, realizada, não por convocação dos Conselhos Superiores, mas por iniciativa de uma Loja que encontrou ressonância ao seu ideal de pôr em prática o reconhecimento e o respeito mútuos, estreitando ainda mais os nossos laços de amizade.

            Meus Irmãos! Modernamente, existe muita semelhança entre um Estado Maçônico ou Potência ou, ainda, Obediência Maçônica e um Estado social e politicamente organizado. 

“Um Estado político compreende Povo, Território e Governo”.

         Uma Potência Maçônica compreende o Povo Maçônico, o Governo da Fraternidade e o Território de Jurisdição”.

         Os territórios físicos de mais de uma Potência Maçônica, podem ser comuns, ou seja, uma mesma região geográfica, como a nossa, abrigar mais de uma Potência Maçônica, sem que qualquer uma delas perca ou aliene sua soberania nem diminua sua regularidade. E por falar em regularidade de Potências, cita-se o pensamento de nosso Irmão Morivalde Calvet Fagundes, Presidente da Academia Maçônica de Letras.

  “Afinal de contas, cremos que é chegado o momento de se perguntar: A regularidade é mesmo um conceito, uma opinião, um juízo, ou não passa de um preconceito, uma opinião errônea, um convencionalismo?  Pelos efeitos maléficos e contraditórios, não temos dúvida em afirmar que se trata, na realidade, de um prejuízo, um preconceito, uma convenção errônea”.

E prossegue Morivalde:

          “Para provar isto, basta apenas dar um exemplo, entre dezenas, que poderiam ser dados: As 49 Grandes Lojas norte-americanas reconhecem no Brasil, em sua quase totalidade, as Grandes Lojas brasileiras, e não o Grande Oriente do Brasil; e são reconhecidas na Inglaterra pela Grande Loja Mãe do Mundo; esta, porém, no Brasil, só reconhece o Grande Oriente do Brasil e não as Grandes Lojas Brasileiras. Onde há coerência, onde há regularidade? Quem está com a razão?”

 Amados Irmãos! Pessoalmente, achamos que movimentos como este que ora  presenciamos sob o patrocínio dos Veneráveis Mestres, apoiados pelos valores obreiros de suas Lojas, devem ser enaltecidos e intensificados e prometemos dedicar a nossa existência, por mais breve que ela possa ser, a esse desiderato, embora sabendo que estaremos enfrentando os poderosos caudilhos donos e depositários dos Dogmas da Regularidade Maçônica.

Ora, Irmãos! Sabemos que maçonaria é construir o Homem; é incentivar as ideias e as propostas que objetivem ampliar a compreensão e o entendimento entre os povos e viabilizar a paz mundial; é restaurar os princípios éticos da humanidade; é propor que a ação decorre do pensamento ... é, em resumo, a criação do Homem Integral, que formará uma humanidade melhor e mais esclarecida.

É a formação desse Homem Integral privilégio da Potência A, B ou C?  Não! Bem antes de surgirem as Potências Maçônicas, já existiam as Lojas com essas propostas. É, pois, a Loja a grande responsável pela transmutação alquímica do Homem.

A Loja Mãe, isto é, aquela na qual o maçom foi iniciado, fazendo o verdadeiro papel de mão dedicada cujo único e principal objetivo é encaminhar o filho para que ele alcance o sucesso e a glória, ensina ao maçom, entre outras coisas, que o Homem Integral participa de maneira integrada e decidida, nos diversos planos da atividade humana.  Assim sendo, no plano de sua relação consigo mesmo, o maçom será um homem que conhece as suas potencialidades, usa racionalmente o seu tempo dedica-se, de maneira equilibrada, ao trabalho, ao estudo e ao necessário lazer;

No plano familiar, deve ser filho atento, irmão dedicado, marido correto, pai consciente de seu papel de provedor, não só material, e formador ou modelador do caráter daqueles que o sucederão;

No plano profissional, o maçom deverá estar sempre disposto a se aplicar em obter o maior aproveitamento de sua capacidade, na tentativa de se tornar cada vez mais um participante eficaz de todo o processo de desenvolvimento da humanidade. Aprendendo, deverá divulgar o que aprendeu. Sendo subordinado atento e superior interessado, o Homem Integral promoverá sua realização profissional sem se esquecer de sua condição humana.

No plano social, a Loja nos ensina que devemos atuar de maneira pacífica, prudente, mas efetiva, na solução dos problemas da sociedade, devemos ser eleitores conscientes, bons cidadãos, justos, para que possa existir o Estado justo;

No plano político, embora não sejam permitidas as discussões partidárias, a loja nos ensina que o Homem Integral será sempre participante de decisões que afetem a Comunidade, o Estado e o Mundo na medida de suas possibilidades. Não se acomodará sob a justificativa de que não tem poder de decisão; pelo contrário deverá sugerir ativamente aos seus representantes, os políticos profissionais, medidas que julgue adequadas à sociedade.

A formação do Homem Integral, retro-caracterizado e proporcionado pela Loja, nossa Loja Mãe, é, em meu entendimento o maior e mais nobre dos objetivos da Maçonaria, uma vez que, se o homem atender a todos os requisitos listados, nos diversos planos de sua atividade, estará certamente assegurada a existência real de uma humanidade melhor e mais esclarecida.

A Loja ou a Ordem ao adotar, como símbolo, a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica, a Pedra Polida, o Edifício Social e as ferramentas da construção, explica que o homem comum com potencial, deve ser trabalhado para ter suas arestas desbastadas e tornadas regulares, para que, com ele, possa ser construída uma sociedade mais equânime, equitativa, solidária e coesa.

Mas, para que a Loja tenha condições de atingir esses elevados propósitos, é necessário que nós, como seus filhos maçons, nos dediquemos ao trabalho do autoconhecimento, da autocrítica, da permanente autorrenovarão e, também, - isto é  importante - , da catequese, na procura de outros desejosos de aperfeiçoamento.

A esse trabalho devemos aderir com entusiasmo, posto que o verdadeiro maçom deve encarar esse trabalho como uma das missões de sua vida, visto que, assim fazendo estará, teoricamente, perpetuando a Ordem, através  do fortalecimento da sua Loja Mãe, para que ela possa continuar a realização dos objetivos da Ordem, razão de ser da Loja.

PAZ PROFUNDA!

Satisfeito!!!

LUIZ CARLOS SILVA, M. I.

Palestra proferida em 19 de agosto de 1993, no Templo da Augusta, Benemérita e Respeitável Loja Simbólica Regeneração Campinense nº 2, por ocasião do seu 70º aniversário.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A retidão do prumo e o silêncio do justo: a falácia Ad Hominem

 A retidão do prumo e o silêncio do justo: a falácia Ad Hominem

Por: Hugo Rafael Belarmino da Silva*,

No constante trabalho de desbastar a Pedra Bruta que somos nós, deparamo-nos frequentemente com as vicissitudes do mundo profano. Entre elas, uma ferramenta vil, alheia aos nossos canteiros de obras, tem sido empunhada com frequência: o Argumentum Ad Hominem.

Como obreiros da Arte Real, sabemos que a construção do Templo da Humanidade exige o uso correto das ferramentas. Contudo, observamos que, quando um indivíduo se vê desprovido de materiais sólidos, ou seja, sem fatos ou razão para edificar um contra-argumento, ele abandona o Esquadro da retidão e empunha o malho da ofensa.

Sob a ótica da nossa filosofia, esse comportamento denuncia que o interlocutor abandonou a busca pela verdade e sucumbiu aos seus próprios metais e vícios. A lição que extraímos, meus Irmãos, é profunda: quando a ofensa pessoal substitui o debate de ideias, a Luz se apagou para aquele que ataca. 

O golpe desferido contra o mestre é, na realidade, o reconhecimento tácito de que o argumento é uma coluna sólida, aprumada e nivelada, impossível de ser derrubada pela lógica.

Portanto, quando nós, construtores sociais, nos virmos diante de tal tentativa de desestabilização, devemos recordarmos do uso do Compasso. É ele que nos ensina a manter nossas paixões dentro de justos limites. Não revideis com a mesma aspereza.

Respirai fundo e lembrai-vos: o ataque furioso não reflete a vossa obra, mas sim a desordem na oficina interior do outro. É o ruído da pedra bruta alheia chocando-se contra a vossa tolerância.

Mantenham a postura ereta que o Prumo nos exige. Muitas vezes, o melhor uso que podemos fazer da Trolha não é apenas para espalhar o cimento da união, mas para cobrir com o silêncio as imperfeições daqueles que ainda não aprenderam a trabalhar no seu templo interior. 

O silêncio do justo diante da ofensa injusta não é covardia; é a mais eloquente das respostas, provando que, naquele momento, apenas um dos dois permaneceu fiel à construção do Templo.


*Hugo Rafael Belarmino da Silva é membro da 

Loja simbólica Regeneração Campinense 02 e, 17º do REAA, da ILPB-1

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A Maçonaria Na Paraíba e No Nordeste: Origens, Princípios e Contribuições Históricas

 A Maçonaria Na Paraíba e No Nordeste: Origens, Princípios e Contribuições Históricas

LuCaS

RESUMO: Este artigo propõe uma abordagem histórico-institucional da Maçonaria no Nordeste brasileiro, com foco na atuação da Maçonaria paraibana desde o período colonial até sua consolidação como potência filosófica e simbólica. A partir de fontes documentais e registros de autores como Zenaide e Elisiário, examina-se a gênese das sociedades secretas no Areópago de Itambé, a fundação das primeiras lojas regulares na Paraíba, o processo de ruptura entre o Supremo Conselho do Grau 33º e o Grande Oriente do Brasil, e a consequente criação da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba. O estudo evidencia o protagonismo da Maçonaria regional nos movimentos de emancipação política, na formação de lideranças republicanas e na difusão dos valores do Rito Escocês Antigo e Aceito, reafirmando seu papel na construção de uma sociedade democrática e fraterna.

Palavras-chave: Maçonaria; Paraíba; Areópago de Itambé; Rito Escocês; Grandes Lojas; História institucional.

1 INTRODUÇÃO

A Maçonaria é uma instituição iniciática, filosófica e filantrópica que tem como propósito o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual do ser humano. Fundamentada em princípios universais como liberdade, igualdade e fraternidade, atua como uma escola de virtudes, cultivando a fraternidade universal sob a égide do Grande Arquiteto do Universo. Embora não se configure como organização política ou religiosa, sua influência histórica é notável nos processos de transformação cultural, política e institucional das sociedades em que se insere.

Esses princípios (liberdade, igualdade e fraternidade) refletem os ideais iluministas que influenciaram revoluções como a Francesa (1789) e a Americana (1776). A Maçonaria contribuiu historicamente para a consolidação da democracia, da cidadania e dos direitos fundamentais, promovendo o desenvolvimento ético e o compromisso com a justiça social.

No Brasil, sua presença remonta ao período colonial, ainda que de forma velada, em razão das restrições impostas pela Coroa portuguesa. Com a chegada das ideias iluministas e o avanço dos movimentos de emancipação política, a Maçonaria passou a desempenhar papel ativo na articulação de lideranças, na difusão dos ideais republicanos e na defesa da soberania nacional. Segundo Zenaide (2000), a Maçonaria brasileira consolidou-se como força atuante em diversos campos da vida social, contribuindo para a formação de instituições democráticas e para a promoção dos direitos humanos.

Este artigo propõe uma análise histórico-institucional da Maçonaria no Nordeste brasileiro, com ênfase na atuação da Maçonaria paraibana. A partir de fontes documentais e registros de autores como Zenaide e Elisiário, examina-se a gênese das sociedades secretas no Areópago de Itambé, a fundação das primeiras lojas regulares na Paraíba, o processo de ruptura entre o Supremo Conselho do Grau 33º e o Grande Oriente do Brasil, e a consequente criação da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba. Ao resgatar essa trajetória, busca-se evidenciar a relevância histórica, filosófica e institucional da Maçonaria regional como protagonista na construção de uma sociedade mais justa, democrática e fraterna.

2 ORIGENS NO NORDESTE

As primeiras manifestações maçônicas no Nordeste brasileiro remontam ao final do século XVIII, em um contexto de efervescência intelectual e política marcado pela disseminação das ideias iluministas e pela insatisfação com o domínio colonial português. O marco inaugural dessa presença é o Areópago de Itambé, fundado por Manoel Arruda Câmara, natural da então Vila de Pombal, atual cidade de Pombal, na Paraíba.

O Areópago de Itambé, sediado no distrito homônimo pertencente à cidade de Goiana, em Pernambuco, funcionava como uma sociedade secreta de caráter filosófico e político, reunindo intelectuais, religiosos, militares e comerciantes. Segundo Zenaide (2000), esse espaço era dedicado à discussão dos ideais de independência, república e liberdade civil, inspirados nas Declarações de Direitos da Revolução Francesa (1789) e da Independência Americana (1776). Oliveira Lima, citado por Zenaide, considera o Areópago como a primeira loja maçônica do Nordeste, embora não tenha sido formalmente reconhecida como tal pelas potências maçônicas da época.

Manoel Arruda Câmara, formado em medicina e filosofia pela Universidade de Montpellier, na França, foi o principal articulador do Areópago. Sua formação europeia e seu contato direto com os círculos iluministas conferiram ao movimento um caráter avançado e profundamente influenciado pelos princípios da razão, da ciência e da liberdade. Sua atuação no Areópago foi marcada pela defesa da liberdade de consciência, da soberania popular e da reforma agrária, temas considerados subversivos à época. Como destaca Ferreira Pinto (1977; 1978), o Areópago funcionava como um centro de irradiação das ideias revolucionárias, tendo contribuído diretamente para a eclosão da Revolução Pernambucana de 1817.

A participação de maçons e intelectuais paraibanos no Areópago de Itambé é um dos aspectos mais relevantes da gênese da Maçonaria no Nordeste brasileiro. Segundo Irineu Ferreira Pinto (1978), diversos paraibanos integraram esse círculo, contribuindo diretamente para a difusão das ideias de emancipação e reforma institucional. Entre os nomes mais destacados está o padre Antônio Pereira de Albuquerque, natural da cidade de Pilar, que teve atuação decisiva nas articulações do Areópago. Sua militância política e filosófica resultou em sua condenação à morte pelas autoridades coloniais, evidenciando o grau de comprometimento e risco assumido pelos participantes do movimento. Outro nome relevante é o padre Antônio Félix Velho Cardoso, também ligado à cidade de Pilar, cuja atuação intelectual reforça a presença paraibana nas discussões que antecederam a Revolução Pernambucana de 1817.

A presença de paraibanos no Areópago não se deu apenas em termos individuais, mas também institucionais. Cidades como Itabaiana, Pilar e Pombal tornaram-se polos de resistência intelectual e política, abrigando núcleos de discussão e articulação que influenciaram diretamente os movimentos de independência e de formação republicana. Como observa Zenaide (2000), a atuação desses maçons e pensadores paraibanos antecipou a fundação das primeiras lojas regulares no estado, consolidando uma tradição maçônica comprometida com a transformação social e com os valores do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Embora o Areópago tenha sido dissolvido em 1801, após denúncias de conspiração contra o governo colonial, sua influência perdurou nas décadas seguintes, servindo de base para a fundação das primeiras lojas maçônicas regulares no Nordeste. Sua estrutura, ainda que informal, antecipava os princípios organizacionais da Maçonaria moderna, como a valorização do debate filosófico, a prática da iniciação simbólica e o compromisso com a transformação social.

A memória do Areópago de Itambé permanece como símbolo da gênese da Maçonaria nordestina, representando o elo entre o pensamento iluminista europeu e a luta pela emancipação política brasileira. Sua existência confirma que a Maçonaria no Brasil não foi apenas receptora de influências externas, mas também produtora de pensamento crítico e agente ativo nos processos históricos que culminaram na independência e na formação da república.

3 AS PRIMEIRAS LOJAS NA PARAÍBA

A história da Maçonaria na Paraíba começa com a fundação da Loja Maçônica Pelicano, em 1822, na cidade de João Pessoa. Embora seja reconhecida como a primeira loja maçônica do estado, não há registros precisos sobre sua estrutura organizacional, membros fundadores ou atividades desenvolvidas. Sua criação coincide com o ano da Independência do Brasil, o que sugere que ela pode ter desempenhado papel simbólico ou articulador nos debates sobre soberania nacional e reforma política.

A segunda loja a surgir foi a Regeneração Brasílica, fundada em 1865, também em João Pessoa. Segundo Zenaide, esta loja é considerada a primeira efetivamente instalada e documentada na Paraíba. Sua atuação se deu em um contexto de efervescência política, marcado pela ascensão das ideias republicanas e pela intensificação da campanha abolicionista. A Regeneração Brasílica tornou-se referência na articulação de lideranças locais e na promoção de valores iluministas e humanistas.

No mesmo ano, foi fundada a Loja União e Beneficência, na cidade de Mamanguape. Esta loja ampliou a presença maçônica para o interior do estado, contribuindo para a disseminação dos ideais maçônicos entre comerciantes, profissionais liberais e líderes comunitários. Sua atuação reforça o caráter descentralizado da Maçonaria paraibana, que não se restringia à capital.

Em 1873, surgiu em Campina Grande a Loja Segredo e Lealdade, considerada um marco na expansão maçônica para o agreste paraibano. Esta loja teve papel relevante nos movimentos pela abolição da escravatura e pela Proclamação da República, além de protagonizar os primeiros conflitos entre a Maçonaria e a Igreja Católica na região. Segundo registros históricos, foi nesta loja que se iniciaram as tensões que culminariam na chamada Questão Religiosa, envolvendo o bispo D. Vital de Oliveira e o padre Calixto Nóbrega.

Outras lojas foram fundadas nas décadas seguintes, como Vigilância e Segredo (1875), Renascença (1875), Constância e Lealdade (1877) e Lealdade e Perseverança (1882), todas em João Pessoa ou Campina Grande. Essas lojas estiveram engajadas em causas sociais e políticas, como a assistência aos retirantes da seca, a fundação de escolas e bibliotecas, e a defesa da laicidade do Estado.

Segundo Botelho (2025), a tradição maçônica na Paraíba está ligada à atuação de figuras como Manoel Arruda Câmara, que já no século XVIII articulava redes de pensamento libertário entre Pernambuco e a então Vila de Pedras de Fogo, próxima ao Distrito de Itambé. Essa conexão histórica reforça a ideia de que a Maçonaria paraibana não apenas recebeu influências externas, mas também produziu pensamento político original e atuante.

4 A GRANDE LOJA MAÇÔNICA DA PARAÍBA

A fundação da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, em 24 de agosto de 1927, representa um marco institucional na história da Maçonaria brasileira. O evento foi resultado de um movimento de cisão de três lojas paraibanas, Branca Dias, Regeneração Campinense e Padre Azevedo, que decidiram desvincular-se do Grande Oriente do Brasil (GOB), criando uma nova potência maçônica: a Grande Loja Simbólica Escocesa Soberana para o Estado da Paraíba, posteriormente renomeada como Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba em 1934 (ZENAIDE, 2000.).

Segundo Zenaide, a criação da Grande Loja da Paraíba ocorreu em consonância com o movimento nacional liderado pelo Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33º, Irmão Mário Behring, que propunha a descentralização da Maçonaria brasileira e a autonomia das lojas simbólicas em cada estado. A Paraíba integrou o grupo das seis primeiras Grandes Lojas Estaduais criadas no Brasil, ao lado das do Amazonas, Pará, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

A solenidade de fundação foi realizada no templo da Loja Branca Dias, sob a presidência do Irmão Augusto Simões. Na ocasião, foram eleitos por aclamação o Irmão Manoel Velloso Borges como Grão-Mestre e o Irmão João Arlindo Correia como Grão-Mestre Adjunto. A primeira diretoria foi composta por maçons de reconhecida atuação, oriundos das três lojas fundadoras, e teve como missão consolidar a nova estrutura institucional e garantir a regularidade dos trabalhos maçônicos no estado.

A decisão de romper com o GOB foi motivada por divergências doutrinárias e administrativas, especialmente no que diz respeito à observância dos princípios do Rito Escocês Antigo e Aceito. Conforme registrado no Boletim Informativo do Jubileu de Brilhante da Grande Loja Maçônica da Paraíba (2002), a Loja Regeneração Campinense, liderada por João Arlindo Correia, declarou reconhecer como única potência legítima o Supremo Conselho do Grau 33º, retirando sua solidariedade ao GOB, o que culminou na suspensão da loja pelo Decreto nº 867, de 4 de agosto de 1927.

A estrutura da Grande Loja foi organizada com base nos três poderes maçônicos, (Executivo, Legislativo e Judiciário), e passou a administrar os três graus simbólicos do Rito Escocês com plena soberania. A nova potência também estabeleceu vínculos diretos com o Supremo Conselho, que passou a fornecer as Cartas Constitutivas e os rituais oficiais, garantindo o reconhecimento internacional da Maçonaria paraibana.

A Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba consolidou-se como referência nacional, promovendo a formação de lideranças, a difusão dos valores republicanos e a atuação social em áreas como educação, assistência e cultura. Seu surgimento representa não apenas uma resposta à crise institucional da Maçonaria brasileira, mas também uma afirmação da autonomia ritualística e filosófica das lojas paraibanas.

5 INSPETORIA LITÚRGICA DA PARAÍBA

A Inspetoria Litúrgica do Estado da Paraíba constitui um dos pilares da estrutura filosófica do Rito Escocês Antigo e Aceito, sendo responsável pela coordenação dos Corpos Subordinados ao Supremo Conselho em nível estadual. Sua função é garantir a regularidade ritualística, a formação doutrinária e a supervisão administrativa dos graus superiores da Maçonaria, do 4º ao 33º.

A primeira Inspetoria Litúrgica foi instalada na cidade de Campina Grande, tendo como sede o templo da Loja Maçônica Regeneração Campinense. À época, sua jurisdição abrangia todo o território paraibano, refletindo a centralidade de Campina Grande no cenário maçônico regional. Segundo Elisiário, essa instalação ocorreu em um contexto de reorganização nacional do Rito Escocês, após o rompimento entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil.

Em 1926, o Supremo Conselho, sob a liderança do Soberano Grande Comendador Mário Behring, nomeou o Irmão José Eugênio Lins de Albuquerque como o primeiro Inspetor Litúrgico da Paraíba. Essa nomeação marcou o início da atuação litúrgica regular no estado, alinhada à nova estrutura filosófica independente do Grande Oriente. José Eugênio passou a coordenar os trabalhos dos Corpos Filosóficos, promovendo a expansão do Rito Escocês e a formação de novos iniciados nos graus superiores.

Com o crescimento da Maçonaria filosófica na Paraíba e a fundação de novos Corpos Subordinados, tornou-se necessário reorganizar a jurisdição da Inspetoria. Sob a liderança do Irmão Ailton Elisiário de Sousa, a Inspetoria passou a abranger a 1ª Região, delimitando sua atuação geográfica e fortalecendo sua capacidade de supervisão. Ailton Elisiário, como Soberano Grande Inspetor Litúrgico, promoveu a criação de novas Inspetorias regionais, descentralizando a administração e ampliando o alcance do Supremo Conselho no estado.

Segundo registros do Boletim Informativo do Jubileu de Brilhante da Grande Loja Maçônica da Paraíba (2002), a Inspetoria Litúrgica teve papel decisivo na articulação entre os Corpos Filosóficos e a Grande Loja, especialmente no período de transição institucional após 1927. A Loja Regeneração Campinense, por exemplo, editou decreto reconhecendo exclusivamente o Supremo Conselho como potência legítima do Rito Escocês, o que reforçou a autoridade da Inspetoria Litúrgica sobre os trabalhos filosóficos no estado.

Diversos maçons paraibanos exerceram a função de Inspetor Litúrgico ao longo das décadas, entre eles Augusto Simões, João Arlindo Correia, João Tavares de Melo Cavalcanti, Pedro d’Aragão e o próprio Ailton Elisiário. Com a delimitação da 1ª Região, outros nomes assumiram a função, como Adeguimar Bezerra Barros, Nilson Nogueira de Melo, Rosseni Leopoldino de Oliveira, Edésio Guedes da Rocha e João de Azevedo Freire. Atualmente, o cargo é exercido pelo Poderoso Irmão José Soares de Oliveira (ELISIÁRIO, s.d.).

A Inspetoria Litúrgica da Paraíba representa, portanto, um elo fundamental entre a tradição iniciática do Rito Escocês e a prática maçônica cotidiana. Sua atuação assegura a fidelidade aos princípios filosóficos, a formação ética dos iniciados e a preservação da identidade ritualística da Maçonaria escocesa no estado.

5.1 CORPOS SUBORDINADOS

5.1.1 LOJA DE PERFEIÇÃO “PAZ E AMOR”

A Loja de Perfeição “Paz e Amor” representa um marco na continuidade e fortalecimento dos trabalhos filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito na Paraíba. Fundada em 11 de abril de 1972, ela sucedeu a Loja de Perfeição “Gasparino Barreto”, que até então funcionava agregada ao Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste”. A substituição ocorreu no contexto de uma reestruturação dos Corpos Filosóficos vinculados ao Supremo Conselho, com o objetivo de garantir maior regularidade, autonomia e dinamismo às atividades litúrgicas.

A fundação da Loja “Paz e Amor” foi liderada por um grupo de 14 irmãos comprometidos com a preservação da tradição escocesa e com a revitalização dos graus filosóficos na região. Entre os fundadores destacam-se Rubem Pires, que assumiu a presidência inaugural, e Luiz Gonzaga de Vasconcelos, que o sucedeu na gestão seguinte. Ambos foram fundamentais para a consolidação da nova loja, imprimindo-lhe um caráter disciplinado, fraterno e fiel aos princípios do Rito Escocês.

A primeira diretoria da Loja foi composta por irmãos experientes e atuantes na Maçonaria paraibana, como Antônio Rafael de Medeiros (1º Vigilante), Hermano Regis Navarro (2º Vigilante), João Alfredo Filho (Orador), Romildo Dias de Toledo (Guarda do Selo) e Demétrio Demerval Trigueiro do Vale (Mestre de Cerimônias), entre outros. A composição da diretoria revela o compromisso com a excelência ritualística e a continuidade da formação filosófica dos maçons da região.

Ao longo das décadas, a Loja “Paz e Amor” foi presidida por diversos irmãos que deram continuidade à sua missão iniciática. Entre eles, destacam-se nomes como Honório Rozendo Bezerra, Ailton Elisiário de Sousa, Leônidas Amaro de Lima, Guilherme Cavalcante Cruz, Raimundo Lucena de Sá, João Clementino Filho, Valmir Xavier Silva, José Laurindo de Sousa, Renato Barros Silva, Pedro Vicente de Paiva, José Soares de Oliveira, Francisco Assis de Almeida, Benedito Pereira de Vasconcelos, José da Guia Dantas, Mário de Freitas, Hermes Alves de Almeida e Eduardo Alves Pereira.

A longevidade e a regularidade da Loja “Paz e Amor” evidenciam sua importância como espaço de aprofundamento filosófico, de elevação espiritual e de formação de lideranças comprometidas com os ideais maçônicos. Sua atuação contribuiu para a consolidação da estrutura dos Corpos Filosóficos na Paraíba, fortalecendo o elo entre os graus simbólicos e os altos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Como observa Elisiário, a fundação da Loja “Paz e Amor” não apenas preservou a continuidade dos trabalhos iniciados pela Loja “Gasparino Barreto”, mas também inaugurou uma nova fase de expansão e institucionalização da Maçonaria filosófica no estado. Sua história é, portanto, inseparável da trajetória do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” e do Conselho de Kadosh “Arautos da Luz”, com os quais compartilha valores, membros e objetivos iniciáticos.

5.1.2 CAPÍTULO ROSA CRUZ “CAVALEIROS DO NORDESTE”

O Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” representa um marco na consolidação dos Corpos Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito na Paraíba. Fundado em 18 de maio de 1927, na cidade de Campina Grande, foi o primeiro Capítulo Rosa Cruz instituído no estado, tornando-se referência na administração dos graus filosóficos intermediários, especialmente do 15º ao 18º grau. Sua criação está diretamente vinculada ao movimento de reorganização da Maçonaria brasileira após o rompimento entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil.

Segundo Elisiário, o Capítulo foi instalado oficialmente em 28 de julho de 1927, por meio de Carta Constitutiva expedida pelo Supremo Conselho, sob a liderança do Soberano Grande Comendador Mário Behring. A iniciativa partiu da Loja Simbólica Regeneração Campinense, que solicitou a instalação de um Corpo Capitular em sua jurisdição, como forma de assegurar a continuidade dos trabalhos filosóficos e fortalecer a estrutura escocesa no estado.

A primeira administração do Capítulo foi composta por maçons de destacada atuação, entre eles o Dr. João Arlindo Correia (Artesata), José Faustino Cavalcanti de Albuquerque (1º Vigilante), Dr. Severino Henrique Cruz (2º Vigilante), Wilson Viriato de Medeiros (Orador), Sebastião Alves de Oliveira (Chanceler) e Luiz Dália (Secretário). Esses obreiros assinaram o primeiro Regimento Particular em 1º de setembro de 1927, estabelecendo as bases organizacionais e rituais do Capítulo.

Após um período de inatividade documental entre 1931 e 1958, o Capítulo foi reorganizado por Pedro d’Aragão, que assumiu a presidência e promoveu a reestruturação administrativa e ritualística. Em 1º de novembro de 1960, foi eleita a nova diretoria oficial, tendo como presidente Afrânio de Aragão. Os estatutos do Capítulo foram aprovados pelo Supremo Conselho em 1962, publicados no Diário Oficial do Estado da Paraíba em 11 de janeiro de 1963 e registrados no Cartório do 2º Ofício de João Pessoa em 5 de abril do mesmo ano, sob nº 13.554, Livro 7 do Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

A atuação do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” ao longo das décadas foi marcada por iniciativas de valorização simbólica e institucional. Em 1978, por ocasião do cinquentenário de sua fundação, o então Artesata Ailton Elisiário de Sousa promoveu a criação de uma medalha comemorativa e a concessão de diplomas de menção honrosa a 50 irmãos que contribuíram significativamente para a história do Capítulo e da Maçonaria paraibana.

Entre os presidentes que conduziram o Capítulo destacam-se nomes como Pedro d’Aragão, Afrânio de Aragão, Juvino Pereira Nepomuceno, Fernando Philogônio do Ó, Pedro Andrade, Ailton Elisiário de Sousa, Romildo Dias de Toledo, José Laurindo de Sousa, Renato Barros Silva, Walber Santiago Colaço, Francisco Assis de Almeida, José da Guia Dantas, Mário de Freitas, Hermes Alves de Almeida e Luiz Carlos Silva.

A longevidade e a regularidade do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” evidenciam sua relevância como espaço de aprofundamento filosófico, de formação ética e de preservação dos valores do Rito Escocês Antigo e Aceito. Sua história está entrelaçada com a trajetória da Loja Regeneração Campinense, do Conselho de Kadosh “Arautos da Luz” e do Consistório “Cristo Rei”, formando um núcleo sólido de atuação maçônica filosófica na Paraíba.

5.1.3 CONSELHO DE CAVALEIROS KADOSH “ARAUTOS DA LUZ”

O Conselho de Cavaleiros Kadosh “Arautos da Luz” é um dos corpos filosóficos mais relevantes do Rito Escocês Antigo e Aceito na Paraíba, responsável pela administração dos graus 19º ao 30º. Fundado em 25 de maio de 1960, na cidade de Campina Grande, sua criação foi liderada pelo Irmão Pedro d’Aragão, figura central na reorganização dos Corpos Filosóficos no estado após a reestruturação do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste”.

A fundação do Conselho ocorreu em um momento de expansão da Maçonaria filosófica na Paraíba, com o objetivo de consolidar a hierarquia escocesa e garantir a continuidade dos trabalhos iniciáticos. A primeira diretoria foi composta por irmãos de destacada atuação, entre eles Pedro d’Aragão (Presidente), Niutildes Otacílio Vieira (Prior), Paulo Martins Costa (Preceptor), Juvino Pereira Nepomuceno (Chanceler), Afrânio de Aragão (Secretário), Fernando Philogônio do Ó (Grande Orador), José Cyreneu Gomes (Tesoureiro), Francisco de Assis Pereira (Mestre de Cerimônias), Elias Fernandes (Hospitaleiro), Manuel Leite Cavalcanti (Porta Estandarte), Waldemar de Almeida Pequeno (Capitão das Guardas) e Pedro Andrade (Cobridor).

A atuação do Conselho “Arautos da Luz” ao longo das décadas foi marcada pela regularidade ritualística, pela formação ética dos iniciados e pela preservação dos valores filosóficos do Rito Escocês. Seus sucessivos presidentes como: Afrânio de Aragão, Pedro Andrade, José Almeida Torreão, Antônio Moreira, Romildo Dias de Toledo, Raimundo Lucena de Sá, Benedito Dutra de Oliveira, Francisco Eudson Pereira, José Soares de Oliveira, Luiz Carlos Silva, entre outros, contribuíram para o fortalecimento institucional e para a expansão dos graus superiores na região.

O Conselho também desempenhou papel relevante na articulação com os demais Corpos Filosóficos, como o Capítulo Rosa Cruz e o Consistório “Cristo Rei”, formando um núcleo sólido de atuação filosófica em Campina Grande. Sua história está entrelaçada com a trajetória da Loja Regeneração Campinense, que serviu como base para a instalação e funcionamento dos Corpos Superiores.

DIRETORIA ATUAL DO CONSELHO “ARAUTOS DA LUZ”

A atual diretoria do Conselho de Cavaleiros Kadosh “Arautos da Luz” é presidida pelo Eminentíssimo Irmão Carlos Roberto Cunha, que ocupa o cargo de Três Vezes Poderoso Grão-Mestre. Todos os membros da diretoria são detentores do Grau 33º, o mais elevado do Rito Escocês Antigo e Aceito, o que evidencia o nível de excelência e comprometimento dos dirigentes.

Além da diretoria executiva, o Conselho conta com comissões especializadas que garantem a governança e a regularidade dos trabalhos:

  • Comissão de Jurisprudência e Legislação
  • Comissão de Graus
  • Comissão de Solidariedade e Finanças

A estrutura organizacional do Conselho “Arautos da Luz” reflete o compromisso com a excelência ritualística, a formação filosófica e a atuação ética dos seus membros. Sua diretoria atual dá continuidade a uma tradição de mais de seis décadas de serviço à Maçonaria escocesa na Paraíba.

5.1.4 CONSISTÓRIO “CRISTO REI”

O Consistório de Príncipes do Real Segredo “Cristo Rei” representa o ápice da estrutura filosófica do Rito Escocês Antigo e Aceito na Paraíba, sendo responsável pela administração dos graus 31º e 32º. Fundado em 8 de agosto de 1971 e instalado oficialmente em 30 de março de 1972, o Consistório foi instituído com o objetivo de completar a hierarquia escocesa no estado, permitindo que os maçons paraibanos ascendessem aos graus mais elevados antes do Grau 33º, conferido exclusivamente pelo Supremo Conselho.

A fundação do Consistório foi liderada pelo Irmão Pedro d’Aragão, que já havia desempenhado papel central na reorganização do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” e na criação do Conselho de Kadosh “Arautos da Luz”. Sua atuação visionária e comprometida com a regularidade ritualística foi fundamental para a consolidação dos Corpos Filosóficos na Paraíba.

A instalação do Consistório contou com a presença de autoridades maçônicas de destaque, como o Irmão Alberto Mansur, Grande Secretário do Sacro Império, representando o Soberano Grande Comendador; o Irmão Adauto Barreto da Silva Nen, Inspetor Litúrgico de Pernambuco; e o Irmão Francisco Edward Aguiar, Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja da Paraíba. Essa solenidade reforçou o reconhecimento institucional e a legitimidade do novo Corpo Filosófico.

A primeira diretoria foi composta por maçons experientes e atuantes, entre eles:

  • Pedro d’Aragão – Presidente
  • Elias Fernandes – 1º Vigilante
  • Antônio Carlos Cavalcanti Filho – 2º Vigilante
  • José Lopes da Silva – Orador
  • Francisco Mariano – Secretário
  • José de Almeida Torreão – Mestre de Cerimônias
  • Pedro Andrade – Hospitaleiro
  • Fernando Philogônio do Ó – Tesoureiro
  • Francisco Edward Aguiar – Capitão das Guardas
  • Valdemar de Almeida Pequeno – Porta Estandarte
  • Paulo Martins Costa – Cobridor
  • Alexandre Teles de Andrade – membro fundador

A atuação do Consistório “Cristo Rei” ao longo das décadas foi marcada pela regularidade dos trabalhos, pela formação filosófica dos iniciados e pela preservação dos princípios do Rito Escocês. Seus presidentes como: Fernando Philogônio do Ó, Antonio Rafael de Medeiros, Raimundo Lucena de Sá, Francisco Eudson Pereira, Nilson Nogueira de Melo, Benedito Pereira de Vasconcelos, João de Azevedo Freire, Edmir Xavier da Silva, João Clementino Filho, Walter Vasconcellos e Luiz Carlos Silva, contribuíram para a continuidade e o fortalecimento institucional do Consistório.

A criação do Consistório “Cristo Rei” completou a estrutura dos Corpos Filosóficos na Paraíba, permitindo que os maçons do estado percorressem toda a jornada iniciática do Rito Escocês até o Grau 32º, em consonância com os princípios universais da Ordem. Sua história está entrelaçada com a trajetória da Loja Regeneração Campinense, do Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” e do Conselho de Kadosh “Arautos da Luz”, formando um sistema coeso e exemplar de atuação filosófica no Brasil.

6 LOJA “REGENERAÇÃO CAMPINENSE” Nº 2

A Augusta e Respeitável Loja Maçônica “Regeneração Campinense” nº 2 ocupa posição de destaque na história da Maçonaria paraibana e brasileira. Fundada em 19 de agosto de 1923, na cidade de Campina Grande, inicialmente sob jurisdição do Grande Oriente do Brasil, a loja rapidamente se consolidou como centro irradiador dos ideais maçônicos republicanos, humanistas e filosóficos no interior do estado.

Segundo Elisiário, a loja foi regularizada em 8 de dezembro de 1924 e, em 20 de fevereiro de 1924, instalou seu templo em prédio situado à Rua Maciel Pinheiro. Posteriormente, transferiu-se para sede própria na Rua Vidal de Negreiros, sagrada em 24 de junho de 1926. Essa infraestrutura passou por diversas reformas ao longo das décadas, com destaque para as gestões de Aroldo Cruz, Raimundo Gadelha Fontes e Ailton Elisiário de Sousa, que modernizaram e ampliaram o espaço físico da loja.

A Regeneração Campinense foi protagonista na fundação da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, em 24 de agosto de 1927, ao lado das lojas Branca Dias e Padre Azevedo. A decisão de romper com o Grande Oriente do Brasil e vincular-se diretamente ao Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito foi motivada por divergências doutrinárias e pela busca de autonomia ritualística. O movimento foi liderado por João Arlindo Correia, então Venerável Mestre da loja, que se tornaria o primeiro Grão-Mestre da nova potência estadual (ZENAIDE, 2000).

A loja recebeu o título de Benemérita em 24 de agosto de 1933 e o de Benfeitora em 20 de novembro de 1938, conferidos pela própria Grande Loja da Paraíba em reconhecimento à sua atuação exemplar. Em 1994, foi declarada de utilidade pública pela Lei Estadual nº 5.859, sancionada pelo então governador Cícero de Lucena Filho, adotando o título distintivo de Augusta e Respeitável Loja Simbólica, Benemérita e Benfeitora Regeneração Campinense Nº 2, consolidando seu papel como instituição comprometida com o desenvolvimento social, educacional e cultural da cidade de Campina Grande.

Seus irmãos fundadores, entre os quais se destacam: Alfredo Carneiro da Cunha, Gasparino Barreto, Luiz Dália, Luiz Lyra, Manoel Feliciano do Nascimento, Juvino de Souza do Ó e Venâncio dos Santos — representam uma geração de maçons que contribuíram decisivamente para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A atuação da loja ao longo de um século inclui a promoção de ações filantrópicas, a formação de lideranças políticas e intelectuais, e a defesa dos valores republicanos e democráticos.

Como enfatizou o Irmão Argemiro de Figueiredo, em discurso no Senado Federal por ocasião do centenário de emancipação política de Campina Grande:

“Campinense, para nós, e, às vezes mais campinenses, são os que lutam pelo progresso da terra; os que servem ao seu desenvolvimento; os que se ajustam aos seus sentimentos e aspirações; os que se devotam à tarefa do seu engrandecimento. O povo é bom, ordeiro, laborioso, criador de riquezas.”

A Loja Regeneração Campinense permanece, até hoje, como símbolo de tradição, renovação e excelência maçônica, sendo reconhecida nacionalmente como modelo de atuação ritualística, filosófica e social.

7 A CISÃO ENTRE O SUPREMO CONSELHO E O GRANDE ORIENTE DO BRASIL: DO ACORDO À RUPTURA

A separação entre o Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito e o Grande Oriente do Brasil (GOB), oficializada em 20 de junho de 1927, foi o desfecho de um processo histórico complexo, marcado por tensões institucionais, disputas de jurisdição e pressões internacionais. Longe de ser um rompimento abrupto, a cisão foi precedida por décadas de convivência conflituosa entre os dois corpos, que compartilhavam a administração dos graus simbólicos e filosóficos da Maçonaria brasileira.

7.1 A ESTRUTURA CONFEDERADA E O ACORDO DE 1926

Desde 1864, o GOB e o Supremo Conselho mantinham uma relação de confederação, na qual o Grão-Mestre Geral do GOB acumulava, por tradição, o cargo de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho. Essa sobreposição de funções contrariava os princípios das Grandes Constituições de 1762 e 1786, que regem o Rito Escocês Antigo e Aceito, comprometendo a autonomia dos Corpos Filosóficos e gerando tensões internas.

A crise institucional se agravou em 1922, durante a Convenção Internacional dos Supremos Conselhos do REAA, realizada em Lausanne, Suíça. Na ocasião, o Supremo Conselho do Brasil foi pressionado por seus pares a promover a separação entre os graus simbólicos (1º ao 3º) e os graus filosóficos (4º ao 33º), conforme o modelo adotado em países como França, Estados Unidos e Escócia. A estrutura confederada brasileira foi considerada uma anomalia institucional, incompatível com os princípios da soberania ritualística e administrativa dos Supremos Conselhos.

Em resposta às pressões internacionais e às divergências internas, foi firmado em 1926 um protocolo entre o Supremo Conselho e o GOB, com o objetivo de pacificar a estrutura maçônica brasileira. O acordo estabelecia:

  • O reconhecimento mútuo das jurisdições: o GOB como única potência regular para os graus simbólicos, e o Supremo Conselho como autoridade exclusiva sobre os altos graus filosóficos.
  • A renúncia do Supremo Conselho ao direito de fundar lojas simbólicas ou iniciar nos três primeiros graus.
  • O compromisso do GOB de atuar exclusivamente nos graus simbólicos do REAA.
  • A prerrogativa do Supremo Conselho de organizar e modificar os rituais simbólicos, fornecendo cópias autênticas ao GOB, que se obrigava a mantê-los inalterados.
  • A desvinculação das lojas escocesas da obediência ao Supremo Conselho, passando a responder diretamente ao GOB, mediante substituição das Cartas Constitutivas.

Esse acordo visava harmonizar a atuação das potências e garantir a regularidade do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, conforme os padrões internacionais.

7.2 A RENÚNCIA DE MÁRIO BEHRING E A RUPTURA DEFINITIVA

Mário Behring, figura central nesse processo, exercia simultaneamente os cargos de Grão-Mestre Geral do GOB e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho. Em 13 de julho de 1925, renunciou ao Grão-Mestrado do GOB após denúncias de irregularidades no processo eleitoral que o reconduziu ao cargo. Sua renúncia não representou um gesto de reconciliação, mas sim o início de uma reestruturação institucional alinhada às exigências internacionais.

Apesar da formalização do acordo em 1926, o GOB posteriormente declarou que observaria apenas as normas constantes de sua própria Constituição, tornando sem efeito os compromissos assumidos no protocolo. Essa atitude foi interpretada pelo Supremo Conselho como uma violação dos princípios universais do Rito Escocês Antigo e Aceito e como uma tentativa de nacionalização da Maçonaria brasileira, em detrimento da tradição escocesa.

Diante disso, o Supremo Conselho, sob a liderança de Behring, denunciou formalmente o tratado de confederação em 20 de junho de 1927. A decisão foi comunicada oficialmente às lojas regulares do Brasil e do exterior, em português e inglês, marcando o fim da relação institucional entre as duas potências.

7.3 A CRIAÇÃO DAS GRANDES LOJAS ESTADUAIS

Com o rompimento, o Supremo Conselho avocou à sua jurisdição todos os corpos escoceses que haviam recebido suas Cartas Constitutivas. No entanto, em respeito às Leis Universais do Rito, decidiu não manter sob sua jurisdição direta os graus simbólicos. Em vez disso, passou a incentivar a criação de Grandes Lojas Estaduais soberanas, cada uma responsável pela administração dos três primeiros graus em seu território.

Essas Grandes Lojas receberam Carta-Patente gratuita do Supremo Conselho, garantindo-lhes reconhecimento internacional. A Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba foi uma das pioneiras, fundada em 24 de agosto de 1927, ao lado das Grandes Lojas do Amazonas, Pará, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

7.4 UMA NOVA ESTRUTURA MAÇÔNICA

A nova estrutura proposta pelo Supremo Conselho previa:

  • Uma Grande Loja soberana em cada Estado, com poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, responsável pelos graus simbólicos.
  • Um Consistório do Grau 32 em cada Estado, com jurisdição sobre os corpos filosóficos locais (Lojas de Perfeição, Capítulos Rosa-Cruz e Conselhos de Kadosh).
  • Um convênio de cooperação financeira e administrativa entre os corpos simbólicos e filosóficos, promovendo a descentralização e o fortalecimento da Maçonaria regional.

A cisão de 1927 teve consequências profundas para a Maçonaria brasileira. Por um lado, permitiu a conformidade com os padrões internacionais de regularidade e fortaleceu a autonomia dos Corpos Filosóficos. Por outro, fragmentou o campo maçônico nacional, criando duas grandes vertentes: uma vinculada ao GOB e outra às Grandes Lojas Estaduais.

O legado de Mário Behring, embora controverso, é reconhecido por sua contribuição à modernização da estrutura maçônica brasileira. Sua liderança no Supremo Conselho consolidou o Rito Escocês Antigo e Aceito como uma das principais expressões da Maçonaria no país, preservando sua integridade ritualística e filosófica.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A trajetória da Maçonaria no Nordeste brasileiro, com especial destaque para o estado da Paraíba, revela uma instituição que se consolidou como força histórica, filosófica e social ao longo dos séculos. Desde as primeiras reuniões secretas no Areópago de Itambé, ainda no período colonial, até a fundação da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba em 1927, observa-se um contínuo engajamento da Maçonaria com os ideais de liberdade, justiça e fraternidade.

A atuação maçônica na Paraíba não se restringiu ao campo ritualístico ou simbólico. Ao contrário, os registros históricos demonstram que as lojas maçônicas foram espaços de articulação política, de resistência intelectual e de promoção de reformas sociais. A presença de figuras como Manoel Arruda Câmara, João Arlindo Correia e Pedro d’Aragão evidencia o protagonismo de maçons paraibanos na luta pela independência, pela república e pela abolição da escravatura.

A fundação de Corpos Filosóficos como a Loja de Perfeição Paz e amor, o Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste”, o Conselho de Kadosh “Arautos da Luz” e o Consistório “Cristo Rei” consolidou a estrutura do Rito Escocês Antigo e Aceito no estado, permitindo que os maçons paraibanos percorressem toda a jornada iniciática até o Grau 33º. Esses corpos não apenas preservaram a tradição esotérica da Ordem, mas também contribuíram para a formação ética e filosófica de seus membros, promovendo valores universais em consonância com os princípios da Maçonaria regular.

A cisão entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, ocorrida em 1927, foi um divisor de águas na organização da Maçonaria brasileira. A criação das Grandes Lojas Estaduais, entre elas a da Paraíba, representou um avanço institucional e uma reafirmação da soberania das lojas simbólicas. Esse modelo descentralizado permitiu maior autonomia administrativa e ritualística, fortalecendo a identidade maçônica regional e ampliando sua capacidade de atuação social.

Ao resgatar essa memória, reconhece-se a Maçonaria como protagonista na construção de uma sociedade mais justa, democrática e fraterna. Sua contribuição ultrapassa os limites dos templos e se inscreve na história política, cultural e humanitária do Brasil. A Maçonaria paraibana, em particular, permanece como referência nacional, não apenas pela antiguidade de suas instituições, mas pela profundidade de sua atuação e pela fidelidade aos princípios que a fundaram.

REFERÊNCIAS

BOTELHO, Sérgio. O Areópago de Itambé. Paraíba Criativa, 2025.

CONFEDERAÇÃO DA MAÇONARIA SIMBÓLICA DO BRASIL. História do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil. [s.d.].

Dogma Livre. História da separação do Supremo Conselho do grau 33 para o R.E.A.A. no Brasil. Disponível em: https://www.dogmalivre.com.br/artigos/Historia-da-separacao-do-Supremo-Conselho-do-grau-33-para-o-REAA-no-Bra. Acesso em: 13 nov. 2025.

ELISIÁRIO, Ailton. Registros históricos da Maçonaria na Paraíba. [s.d.].

GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DA PARAÍBA. Boletim Informativo do Jubileu de Brilhante. João Pessoa, ago. 2002.

LIMA, Oliveira. Apud ZENAIDE, Hélio. História da Maçonaria na Paraíba. João Pessoa: A União, 2000, p. 311-332.

PINTO, Irineu Ferreira. Datas e Notas para a História da Paraíba. v. I e II, 2 ed. João Pessoa: Universitária/UFPB, 1977.

Portal Maçônica. (1927) Cisão da Maçonaria no Brasil. Disponível em: https://www.masonica.com.br/l/1927-cisao-do-grande-oriente-do-brasil. Acesso em: 13 nov. 2025.

Supremo Conselho do Brasil. Breve Histórico. Disponível em: https://supremoconselho.com.br/breve-historico/. Acesso em: 13 nov. 2025.

WIKIPÉDIA. Revolução Pernambucana. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Pernambucana. Acesso em: 12 nov. 2025.

ZENAIDE FILHO, Hélio Nóbrega. (expositor). A maçonaria na Paraíba. A PARAÍBA NOS 500 ANOS DE BRASIL, 1999, João Pessoa. Anais do Ciclo de Debates do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. João Pessoa: A União, 2000, p. 311-332.

A CHAVE DE HIRAM: UMA ANÁLISE HISTÓRICO-SIMBÓLICA DA MAÇONARIA

 A CHAVE DE HIRAM: UMA ANÁLISE HISTÓRICO-SIMBÓLICA DA MAÇONARIA

LuCaS

 

Resumo: Este artigo analisa criticamente a obra A Chave de Hiram, de Christopher Knight e Robert Lomas, que propõe uma reinterpretação simbólica e histórica da maçonaria. Os autores defendem que os rituais maçônicos não se originaram na Idade Média, mas derivam de práticas iniciáticas do Egito Antigo, reinterpretadas por tradições judaicas e cristãs primitivas, especialmente por meio da narrativa do Templo de Salomão e do mito de Hiram Abiff. A análise aborda o contexto histórico da obra, a estrutura simbólica do mito de Hiram, as conexões com o cristianismo esotérico e a proposta de uma linhagem iniciática trans-histórica. Embora suas hipóteses sejam consideradas especulativas pela historiografia tradicional, a obra contribui significativamente para o debate sobre a função dos mitos e símbolos na construção de tradições espirituais. O estudo conclui que A Chave de Hiram deve ser compreendida como uma leitura simbólica da maçonaria, que articula elementos históricos, míticos e esotéricos em uma proposta de continuidade espiritual.

Palavras-chave: Maçonaria; Hiram Abiff; Templo de Salomão; Egito Antigo; Cristianismo primitivo; Simbolismo iniciático.

 

1 Introdução

A maçonaria, frequentemente envolta em mistério e associada a sociedades secretas modernas, é, na verdade, uma tradição iniciática complexa, cujas raízes simbólicas e filosóficas remontam a séculos, talvez milênios. Muito além de uma organização fraternal, a maçonaria preserva um corpo ritualístico e simbólico que articula temas como morte e renascimento, construção espiritual, ética iniciática e cosmologia esotérica. Nesse contexto, a obra A Chave de Hiram (1996), escrita por Christopher Knight e Robert Lomas, propõe uma reinterpretação radical da origem desses rituais, sugerindo que suas bases não estão apenas na tradição medieval dos pedreiros operativos, mas em práticas iniciáticas do Egito Antigo e em narrativas bíblicas centradas no Templo de Salomão.

A proposta dos autores é ousada: eles argumentam que os rituais maçônicos são herdeiros diretos de cerimônias egípcias de iniciação espiritual, transmitidas ao longo dos séculos por meio de tradições esotéricas e reinterpretadas no contexto judaico-cristão. A figura de Hiram Abiff, mestre construtor do Templo de Salomão e personagem central da lenda maçônica, seria, segundo Knight e Lomas, uma representação simbólica de um arquétipo iniciático mais antigo, vinculado a mitos de morte e renascimento presentes em culturas como a egípcia e a mesopotâmica. A narrativa bíblica do Templo de Salomão, por sua vez, funcionaria como um receptáculo simbólico para práticas espirituais codificadas, cuja origem remonta a um saber ancestral preservado por elites sacerdotais e iniciáticas.

Este artigo tem como objetivo analisar criticamente a obra A Chave de Hiram, destacando seus principais argumentos, suas bases documentais e simbólicas, e sua relevância para os estudos contemporâneos sobre simbolismo, história das religiões e tradições esotéricas. A análise será conduzida em três eixos principais: (1) a hipótese de continuidade iniciática entre Egito, Israel e maçonaria; (2) a leitura simbólica da figura de Hiram e do Templo de Salomão; e (3) a recepção crítica da obra no meio acadêmico e esotérico. Ao final, pretende-se avaliar em que medida a proposta de Knight e Lomas contribui para uma compreensão mais ampla da maçonaria como fenômeno espiritual, histórico e simbólico.

2 Desenvolvimento

2.1 Contexto histórico da obra

Christopher Knight e Robert Lomas, ambos pesquisadores britânicos com formação em áreas distintas, Knight no campo da publicidade e Lomas na engenharia e história da ciência, uniram-se na década de 1990 com o objetivo de investigar as origens simbólicas e históricas da maçonaria. Motivados por uma curiosidade pessoal e por lacunas percebidas na historiografia tradicional sobre o tema, os autores se dedicaram à análise de manuscritos maçônicos antigos, documentos históricos e textos religiosos, buscando identificar padrões simbólicos e narrativos que pudessem apontar para uma origem mais remota e arquetípica dos rituais maçônicos.

Em A Chave de Hiram (1996), Knight e Lomas propõem uma tese que desafia a visão convencional segundo a qual a maçonaria teria surgido como uma evolução das guildas de pedreiros operativos da Idade Média. Para os autores, os rituais maçônicos não são uma invenção moderna, mas sim a expressão contemporânea de uma tradição iniciática milenar, cujas raízes remontam ao Egito Antigo. Eles argumentam que os elementos centrais da ritualística maçônica, como a morte simbólica do iniciado, o simbolismo da construção, a busca pela luz e a ascensão espiritual, já estavam presentes em cerimônias egípcias de iniciação, especialmente aquelas ligadas aos mistérios de Osíris e à jornada do faraó no além.

Essa hipótese é sustentada por uma leitura simbólica e comparativa de textos antigos, como o Livro dos Mortos, e por paralelos entre os rituais maçônicos e os processos de mumificação, julgamento da alma e renascimento espiritual presentes na religião egípcia. Knight e Lomas sugerem que esse conhecimento iniciático teria sido preservado e transmitido ao longo dos séculos por meio de escolas de mistério, sacerdócios e tradições esotéricas, sendo posteriormente codificado na narrativa bíblica do Templo de Salomão e, por fim, incorporado à maçonaria especulativa moderna.

O contexto histórico da obra, portanto, não se limita à análise documental, mas envolve uma tentativa de reconstrução simbólica da história espiritual da humanidade. Ao propor uma linhagem iniciática que conecta o Egito, Israel e a maçonaria, os autores inserem sua obra no campo da história alternativa e do esoterismo comparado, desafiando os limites entre história, mito e simbolismo. Embora suas conclusões sejam objeto de controvérsia entre historiadores acadêmicos, A Chave de Hiram representa uma contribuição significativa para o debate sobre as origens e o significado dos rituais maçônicos, oferecendo uma perspectiva que privilegia a continuidade simbólica e a transmissão esotérica ao longo do tempo.

2.2 O mito de Hiram Abiff

A figura de Hiram Abiff ocupa um lugar central na ritualística maçônica, especialmente nos graus simbólicos da maçonaria azul. Segundo a tradição, Hiram era o mestre arquiteto responsável pela construção do Templo de Salomão, enviado por Hirão, rei de Tiro, para colaborar com o rei Salomão. Sua história, conforme narrada nos rituais do terceiro grau (Mestre Maçom), culmina em um episódio dramático: Hiram é abordado por três companheiros que exigem dele os segredos do mestre. Ao se recusar a revelá-los, é assassinado e posteriormente “ressuscitado” de forma simbólica por meio de um rito de exaltação.

Na obra A Chave de Hiram, Knight e Lomas interpretam esse mito não como uma simples alegoria moral, mas como um vestígio de rituais iniciáticos muito mais antigos, possivelmente oriundos do Egito Antigo. Para os autores, a morte de Hiram representa a dissolução do ego e a travessia simbólica do iniciado pelo limiar entre o mundo profano e o mundo espiritual. A “ressurreição” não é literal, mas sim uma metáfora para o renascimento interior, a aquisição de uma nova consciência e a integração de um saber oculto que transforma o indivíduo.

Essa leitura aproxima o mito de Hiram dos mistérios de Osíris, nos quais o iniciado egípcio passava por uma encenação ritual de morte e renascimento, simbolizando a superação da dualidade e a ascensão espiritual. Knight e Lomas sugerem que os elementos presentes no rito maçônico, como o uso de palavras secretas, gestos específicos e a dramatização da morte, são reminiscências desses antigos mistérios, preservados e adaptados ao longo dos séculos.

Além disso, o mito de Hiram funciona como um arquétipo universal: o mestre sacrificado que guarda um segredo espiritual e que, ao morrer, inaugura uma nova etapa de consciência para seus seguidores. Essa estrutura narrativa é recorrente em diversas tradições religiosas e esotéricas, como o sacrifício de Cristo no cristianismo, o martírio de Mani no maniqueísmo, e o desaparecimento de Quetzalcóatl nas mitologias mesoamericanas.

Na maçonaria, esse mito não apenas confere profundidade simbólica ao terceiro grau, mas também estabelece uma pedagogia iniciática: o iniciado é convidado a vivenciar, ainda que simbolicamente, a perda, o silêncio, a busca e a revelação. A jornada de Hiram é, portanto, a jornada do próprio maçom, uma travessia interior que exige coragem, disciplina e abertura ao mistério.

Knight e Lomas, ao reinterpretarem esse mito sob a ótica dos mistérios egípcios e da tradição esotérica, ampliam sua significação e o conectam a uma linhagem espiritual que transcende fronteiras religiosas e temporais. O mito de Hiram, nesse sentido, deixa de ser apenas uma lenda ritual e passa a ser compreendido como um código simbólico de transformação humana, enraizado em uma tradição iniciática que atravessa milênios.

2.3 Conexões com o cristianismo primitivo

Um dos aspectos mais provocativos da obra A Chave de Hiram é a tentativa de estabelecer vínculos entre os rituais maçônicos e as tradições do cristianismo primitivo. Knight e Lomas sugerem que certos ensinamentos de Jesus e de seus seguidores mais próximos não apenas se alinham com práticas iniciáticas antigas, mas também foram preservados em formas ritualísticas que sobreviveram à institucionalização da fé cristã. Essa hipótese parte da ideia de que o cristianismo original (antes da consolidação dogmática promovida por concílios e pela Igreja imperial) continha elementos esotéricos, simbólicos e iniciáticos que se perderam ou foram ocultados ao longo dos séculos.

Segundo os autores, há indícios de que Jesus teria sido iniciado em tradições místicas judaicas, possivelmente ligadas à seita dos essênios, conhecidos por sua disciplina ritual, simbolismo apocalíptico e práticas de purificação. Essa linhagem espiritual, marcada por uma visão dualista do mundo e pela expectativa de transformação interior, teria influenciado profundamente os ensinamentos de Jesus, especialmente no que diz respeito à ideia de renascimento espiritual, à valorização do silêncio e à transmissão de conhecimento por meio de parábolas e gestos simbólicos.

Knight e Lomas vão além ao propor que os primeiros cristãos, particularmente os gnósticos, mantinham práticas que se assemelham aos rituais maçônicos, como o uso de palavras de poder, a dramatização de passagens espirituais e a crença em uma “luz interior” que guia o iniciado. Eles argumentam que, com o tempo, essas práticas foram marginalizadas ou reinterpretadas como heresia, mas continuaram a existir em círculos esotéricos, sendo eventualmente incorporadas à maçonaria especulativa.

Essa leitura aproxima a maçonaria de uma tradição espiritual que transcende fronteiras religiosas, posicionando-a como herdeira de um saber oculto que perpassa o judaísmo místico, o cristianismo esotérico e os mistérios antigos. A figura de Jesus, nesse contexto, não é vista apenas como redentor, mas como mestre iniciador, cuja missão teria sido transmitir uma sabedoria espiritual codificada em símbolos e rituais, uma sabedoria que, segundo os autores, ecoa nos ritos maçônicos contemporâneos.

Embora essa hipótese seja altamente controversa e rejeitada por historiadores tradicionais, ela oferece uma perspectiva rica para o estudo comparativo das religiões e das tradições iniciáticas. Ao conectar o cristianismo primitivo à maçonaria, Knight e Lomas propõem uma genealogia espiritual que desafia as narrativas oficiais e convida o leitor a reconsiderar o papel dos rituais como veículos de transformação interior e preservação de saberes ancestrais.

Quadro comparativo: Cristianismo primitivo x Rituais maçônicos

Elemento

Cristianismo Primitivo

Rituais Maçônicos

Figura central

Jesus de Nazaré, mestre espiritual e iniciador

Hiram Abiff, mestre construtor e mártir simbólico

Narrativa de sacrifício

Paixão, morte e ressurreição de Cristo como redenção espiritual

Assassinato e “ressurreição” simbólica de Hiram como renascimento iniciático

Transmissão de ensinamentos

Parábolas, gestos simbólicos, palavras secretas (e.g., “quem tem ouvidos, ouça”)

Rituais codificados, palavras de passe, sinais e toques

Rito de passagem

Batismo como morte simbólica e renascimento em Cristo

Iniciação como morte simbólica e renascimento para a “luz” maçônica

Comunidade iniciática

Eclésia (assembleia dos fiéis), muitas vezes secreta e perseguida

Loja maçônica, estruturada em graus e hierarquias

Ética e conduta

Ênfase na pureza interior, caridade, silêncio e busca da verdade

Princípios de moralidade, fraternidade, discrição e aperfeiçoamento pessoal

Símbolos e alegorias

Pão e vinho, cruz, peixe, luz, ovelha, alfa e ômega

Esquadro e compasso, pedra bruta, coluna, luz, templo, olho que tudo vê

Influência esotérica

Elementos gnósticos, essênios, cabala judaica, mistérios helenísticos

Influência dos mistérios antigos, alquimia, cabala, hermetismo

Objetivo espiritual

Salvação da alma, união com o divino, iluminação interior

Iluminação simbólica, construção do “templo interior”, ascensão espiritual

Knight e Lomas argumentam que essas semelhanças não são coincidência, mas indicam uma tradição iniciática comum que teria sido preservada em parte pela maçonaria. Eles sugerem que o cristianismo primitivo, especialmente em suas vertentes gnósticas, compartilhava com os rituais maçônicos uma visão simbólica do mundo, na qual o conhecimento espiritual (gnose) era transmitido por meio de experiências rituais e não apenas por doutrina escrita.

Essa leitura, embora controversa, convida à reflexão sobre o papel dos rituais como linguagem espiritual universal, capaz de atravessar culturas e épocas. A maçonaria, nesse contexto, seria uma herdeira simbólica de práticas que remontam não apenas ao Egito e ao judaísmo, mas também ao cristianismo em sua forma mais esotérica e iniciática.

2.4 Interpretação histórica da maçonaria

A proposta de Knight e Lomas em A Chave de Hiram desafia a narrativa tradicional que situa o surgimento da maçonaria especulativa no contexto europeu dos séculos XVII e XVIII, como uma evolução das guildas de pedreiros operativos. Em vez de considerar a maçonaria como um produto exclusivo da modernidade iluminista, os autores propõem uma leitura que a insere em uma tradição iniciática trans histórica, cujas raízes remontam a práticas espirituais do Egito Antigo, passando por Israel, o cristianismo primitivo e chegando à Europa medieval.

Essa interpretação histórica não se baseia apenas em documentos maçônicos, mas em uma análise simbólica e comparativa de mitos, rituais e estruturas narrativas. Knight e Lomas argumentam que os elementos centrais da maçonaria — como o uso de ferramentas simbólicas (esquadro, compasso, nível), a construção do Templo como metáfora espiritual, e a jornada do iniciado — são expressões modernas de uma linguagem ritual que já existia em culturas antigas. O Templo de Salomão, nesse contexto, não é apenas uma referência bíblica, mas um arquétipo universal da edificação interior, presente em diversas tradições esotéricas.

A maçonaria seria, portanto, uma síntese simbólica de saberes antigos, preservados por meio de escolas de mistério, ordens iniciáticas e tradições esotéricas. Essa continuidade não é linear nem documental, mas simbólica e espiritual. Os autores sugerem que, ao longo da história, certos grupos preservaram fragmentos desse saber iniciático, transmitindo-os por meio de rituais, símbolos e narrativas codificadas. A maçonaria moderna teria reunido esses fragmentos, organizando-os em um sistema ritualístico que permite ao iniciado reviver a jornada espiritual de seus antecessores.

Essa leitura histórica, embora não validada pela historiografia acadêmica tradicional, oferece uma perspectiva rica para o estudo da maçonaria como fenômeno espiritual e cultural. Ela permite compreender os rituais maçônicos não apenas como cerimônias formais, mas como experiências simbólicas de transformação, enraizadas em uma tradição que transcende fronteiras religiosas e temporais. Ao propor essa genealogia espiritual, Knight e Lomas convidam o leitor a reconsiderar a maçonaria como uma guardiã de um saber ancestral, cuja função é despertar no indivíduo a consciência de sua própria jornada interior.

2.5 Críticas e recepção

A Chave de Hiram ocupa uma posição ambígua no campo dos estudos sobre maçonaria e esoterismo. Por um lado, é reconhecida como uma obra instigante, que propõe uma leitura simbólica e trans histórica da maçonaria, conectando-a a tradições iniciáticas antigas e narrativas bíblicas. Por outro, é frequentemente classificada como exemplo de “história alternativa”, um gênero que mistura pesquisa documental com interpretações simbólicas e conjecturas não validadas pela historiografia acadêmica tradicional.

A recepção da obra entre estudiosos é marcada por reservas metodológicas. Historiadores das religiões e especialistas em maçonaria apontam que, embora Knight e Lomas utilizem fontes históricas e textos rituais, suas conclusões extrapolam os limites da evidência documental. A proposta de uma linhagem iniciática contínua entre o Egito Antigo, o judaísmo, o cristianismo primitivo e a maçonaria moderna é vista como especulativa, baseada mais em analogias simbólicas do que em provas históricas concretas. Além disso, a leitura dos autores tende a interpretar mitos como registros codificados de eventos reais, o que contraria abordagens acadêmicas que tratam os mitos como construções culturais e narrativas simbólicas.

Apesar dessas críticas, A Chave de Hiram teve ampla aceitação entre leitores interessados em esoterismo, espiritualidade e simbologia. Sua linguagem acessível, combinada com uma narrativa investigativa, aproxima o leitor de temas complexos como iniciação, morte simbólica, renascimento espiritual e transmissão de saberes ocultos. O livro também contribuiu para popularizar o interesse pela maçonaria como fenômeno espiritual, e não apenas como organização social ou política.

Do ponto de vista cultural, a obra desempenha um papel relevante ao estimular o debate sobre a função dos mitos e símbolos na construção de tradições. Ao propor que os rituais maçônicos são herdeiros de práticas milenares, Knight e Lomas convidam o leitor a refletir sobre a persistência de certos arquétipos, tais como, como o mestre sacrificado, o templo interior e a busca pela luz, na história espiritual da humanidade. Mesmo que suas hipóteses não sejam aceitas como verdades históricas, elas funcionam como provocação intelectual e como convite à investigação simbólica.

Em síntese, A Chave de Hiram deve ser lida com discernimento crítico: não como relato histórico definitivo, mas como interpretação simbólica que busca revelar continuidades espirituais e estruturas arquetípicas. Sua contribuição está menos na precisão documental e mais na capacidade de articular uma visão integrada da maçonaria como expressão de uma tradição iniciática universal.

3 Considerações finais

A Chave de Hiram, de Christopher Knight e Robert Lomas, representa uma contribuição singular ao campo dos estudos simbólicos e esotéricos, ao propor uma genealogia espiritual da maçonaria que transcende os limites da historiografia tradicional. Ao conectar os rituais maçônicos a práticas iniciáticas do Egito Antigo, narrativas bíblicas e elementos do cristianismo primitivo, os autores oferecem uma leitura simbólica e trans histórica que privilegia a continuidade espiritual e a função arquetípica dos mitos.

Embora suas hipóteses sejam consideradas especulativas por historiadores acadêmicos, a obra cumpre um papel importante ao estimular o debate sobre o significado profundo dos rituais, a persistência dos símbolos e a construção de tradições culturais por meio de narrativas codificadas. A figura de Hiram Abiff, o Templo de Salomão e os paralelos com os mistérios egípcios e cristãos são tratados como estruturas simbólicas que revelam uma pedagogia iniciática universal, centrada na morte simbólica, no renascimento espiritual e na busca pela luz interior.

A leitura proposta por Knight e Lomas não pretende substituir a historiografia documental, mas sim complementá-la com uma abordagem simbólica que reconhece o valor dos mitos como expressões da experiência humana profunda. A maçonaria, nesse contexto, é vista não apenas como uma organização fraternal, mas como uma guardiã de saberes ancestrais, cuja função é despertar no indivíduo a consciência de sua própria jornada espiritual.

Em síntese, A Chave de Hiram deve ser compreendida como uma obra de interpretação simbólica e história alternativa, que convida o leitor a explorar os vínculos ocultos entre culturas, rituais e tradições espirituais. Sua relevância está menos na comprovação histórica e mais na capacidade de articular uma visão integrada da maçonaria como fenômeno espiritual, cultural e simbólico, enraizado em uma tradição iniciática que atravessa milênios.

Referências

CROWLEY, Aleister. The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King. York Beach: Samuel Weiser, 1995.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

ELIAS, Norbert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.

FAIVRE, Antoine. Accès de l’ésotérisme occidental. Paris: Gallimard, 1996.

KNIGHT, Christopher; LOMAS, Robert. A chave de Hiram: os segredos perdidos da maçonaria e a construção do Templo de Salomão. Rio de Janeiro: Record, 2003.

KNIGHT, Christopher; LOMAS, Robert. The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus. London: Century, 1996.

LÉVI, Éliphas. Dogme et rituel de la haute magie. Paris: Germer Baillière, 1856.

MACGREGOR MATHERS, S. L. (trad.). The Key of Solomon the King (Clavicula Salomonis). London: George Redway, 1889.

LOJA MÃE

  LOJA MÃE (PALESTRA)   Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Ofici...