segunda-feira, 21 de abril de 2025

Contribuição ao Estudo do Ternário Maçônico: Sua Presença na Física, Biofísica, Química e Bioquímica Celular


LuCaS

Introdução

O número três ocupa um lugar de destaque na Maçonaria, sendo carregado de significados simbólicos. No Ritual do Grau de Aprendiz Maçom “REAA” (Grande Loja da Paraíba, 2012), destaca-se que o acréscimo de uma terceira unidade ao número dois neutraliza sua instabilidade, simbolizando uma nova unidade perfeita e definida. Esse ternário também representa qualidades essenciais ao maçom — Sabedoria, Força e Beleza — que devem coexistir em equilíbrio harmônico.

O ternário é frequentemente interpretado sob diferentes perspectivas: o tempo (passado, presente, futuro), a vida (nascimento, existência, morte), e até mesmo na constituição humana (corpo, mente e alma). Na Bíblia, há recorrências do número três, como nos filhos de Adão e Eva (Abel, Caim e Set), as visões de Abraão, as negações de Pedro e a ressurreição de Cristo ao terceiro dia. Esse número simboliza a unidade da vida e da perfeição.

O número três manifesta-se de maneira significativa na célula, a unidade estrutural básica dos seres vivos. A célula é composta por membrana citoplasmática, citoplasma e núcleo, cada um desempenhando funções essenciais para a manutenção da vida. Essa tripartição não apenas organiza a estrutura celular, mas também harmoniza os processos vitais, como crescimento, reprodução e metabolismo.

A Conexão do Ternário com a Célula e os Processos Vitais

Nos vegetais clorofilados eucariontes, a fotossíntese, conduzida pelos cloroplastos, é um exemplo claro da presença do ternário nos mecanismos celulares. Esse processo fundamental para o anabolismo terrestre é dividido em três fases interdependentes: 

1. Processo Difusivo: Neste estágio inicial, o dióxido de carbono enfrenta três resistências naturais durante seu movimento até o interior da folha: a resistência atmosférica, a dos estômatos e a do mesófilo foliar. 

2. Processo Fotoquímico: Aqui, a clorofila, excitada pela luz, passa por três estados energéticos (2º singlet, 1º singlet e triplet) antes de retornar ao seu estado fundamental. Esse estágio culmina na formação de compostos como o ATP, a "moeda energética da célula", que possui três radicais fosfóricos. 

3. Processo Bioquímico: Na última etapa, o primeiro produto estável formado é o ácido 3-fosfoglicérico, cuja estrutura contém três átomos de carbono. Esse composto é essencial para o metabolismo das plantas.

Além de seu papel na fotossíntese, o ATP é sintetizado em outros processos celulares, como a respiração oxidativa, onde três moléculas de ATP são necessárias para fixar um mol de dióxido de carbono nas plantas do grupo C3. No fascinante processo de fotorrespiração, que ocorre na presença de luz, três organelas celulares trabalham de forma cooperativa: cloroplasto, peroxissomo e mitocôndria.

A Respiração Celular e sua Organização Ternária

A respiração celular, indispensável para todas as formas de vida, apresenta uma organização tripartida nos seus estágios: glicólise, ciclo do ácido tricarboxílico (ciclo de Krebs) e cadeia de transporte de elétrons. 

- Na “glicólise”, realizada no hialoplasma celular sem necessidade de oxigênio molecular, forma-se o ácido pirúvico, composto por três átomos de carbono. 

- No “ciclo do ácido tricarboxílico”, o ácido pirúvico é transformado em ácido cítrico, um composto com três carboxilas, por meio de reações metabólicas nas mitocôndrias. 

- Durante a “cadeia de transporte de elétrons”, três citocromos (a, b e c) desempenham papéis fundamentais na transferência de elétrons, gerando três moléculas de ATP para cada molécula de oxigênio consumida.

O ácido cítrico, além de sua relevância na respiração celular, tem implicações biológicas amplas, como na fertilidade masculina, sendo essencial para a coagulação e liquefação do sêmen.

Uma Reflexão Sobre o Ternário e a Perfeição da Vida

A célula, com sua estrutura trina e processos interligados, reflete a perfeição do ternário na biologia. Ela não apenas sustenta a vida em sua essência, mas também conecta aspectos simbólicos e científicos de maneira harmoniosa. A síntese protéica, conduzida pelos três tipos de RNA (mensageiro, transferidor e ribossômico), exemplifica essa integração, enquanto o código genético reafirma a universalidade do número três na formação da vida.

Reações Celulares e a Fotossíntese

A fotossíntese, como base para o metabolismo terrestre, também reflete o ternário, sendo subdividida em três processos: difusivo, fotoquímico e bioquímico. 

- No “processo difusivo”, o dióxido de carbono enfrenta três resistências principais: resistência atmosférica, resistência estomática e resistência do mesófílo foliar . 

- No “processo fotoquímico”, a clorofila passa por três estados energéticos antes de retornar ao seu estado fundamental, destacando o papel dos elétrons na dinâmica molecular. 

- O “processo bioquímico” culmina na síntese de ácido 3-fosfoglicérico, cujo radical fosfórico reforça a importância dos elementos estruturais na fisiologia celular.

Elétrons e Dinâmica Energética

Na química orgânica, três tipos de elétrons — σ, π e n — dominam as interações moleculares. A clorofila, por exemplo, utiliza os elétrons π em suas transições energéticas durante o processo fotoquímico. Essas dinâmicas ilustram como o princípio ternário orienta não apenas aspectos simbólicos, mas também mecanismos naturais intrínsecos.

A Moeda Energética da Célula: ATP e a Lei do Ternário

Na etapa fotoquímica da assimilação clorofiliana, forma-se o ATP (Adenosina Trifosfato), composto dotado de três radicais fosfóricos. Conhecido como a "moeda energética da célula", o ATP desempenha um papel fundamental na transferência de energia química necessária para o metabolismo celular. Ele permite a ocorrência de reações “termodinamicamente proibidas”, sendo a própria vida conceituada como uma fuga constante da entropia — o estado de desordem da matéria.

Além de sua formação no processo fotoquímico, o ATP também é sintetizado durante outras reações celulares, como a respiração oxidativa. Na fixação de dióxido de carbono das plantas do grupo C3 — que compõe a maioria das espécies vegetais superiores e inferiores — são necessárias três moléculas de ATP para a assimilação de um mol de dióxido de carbono. A fotorrespiração, uma das mais intrigantes reações da natureza, também está presente nas células clorofiladas das plantas C3. Esse processo envolve a liberação de dióxido de carbono na presença de luz e funciona em interação com a fotossíntese, necessitando da cooperação entre três organelas celulares: cloroplasto, peroxissomo e mitocôndria.

Respiração Celular e o Ternário

A respiração celular ocorre continuamente em todas as células vivas. Sua função principal é fornecer ATP como energia química para o funcionamento da máquina celular e sintetizar constituintes químicos essenciais aos processos celulares. Este fenômeno ocorre em organelas altamente especializadas, as mitocôndrias, consideradas as "fornalhas da célula". A respiração apresenta uma sequência trina, composta pela glicólise, pela rota da pentose fosfato e pelo ciclo do ácido tricarboxílico, também conhecido como ciclo de Krebs.

Na glicólise, que ocorre no hialoplasma celular independente do oxigênio molecular, forma-se ácido pirúvico, composto de três átomos de carbono, que serve como substrato inicial para a respiração mitocondrial. No ciclo do ácido tricarboxílico, o ácido pirúvico atravessa as membranas mitocondriais e é transformado em ácido cítrico, composto orgânico caracterizado por suas três carboxilas. Esse ciclo está acoplado à cadeia de transporte de elétrons ou oxidação terminal, onde três citocromos — a, b e c — são responsáveis pela transferência de elétrons. Nesse processo, para cada molécula de oxigênio consumida, são geradas três moléculas de ATP.

A Importância do Ácido Cítrico

O ácido cítrico, participante essencial do ciclo de Krebs, tem amplo papel metabólico em seres vivos. Por exemplo, na fertilidade masculina, ele é secretado pela próstata e contribui para os processos de coagulação e liquefação do sêmen, essenciais para a reprodução.

A Presença do Ternário nos Aminoácidos e na Síntese Proteica

Os vinte aminoácidos protéicos, conhecidos como os blocos construtivos das proteínas, refletem de forma marcante o princípio do ternário. Essas moléculas são anfóteras, possuindo carga elétrica negativa na carboxila (COO-) após a ionização e carga elétrica positiva no grupo amino (NH2-), que pode captar prótons. Internacionalmente, os aminoácidos são representados por códigos de três letras, como Gly (glicina), Ala (alanina), Arg (arginina), Leu (leucina), Thr (triptofano) e Val (valina).

Entre os aminoácidos protéicos, destaca-se a organização ternária: 

- “Aminoácidos básicos”: Lisina, arginina e histidina, com três pontos de carga elétrica (duas positivas e uma negativa). 

- “Aminoácidos aromáticos”: Tirosina, triptofano e fenilalanina. 

- “Aminoácidos sulfurosos”: Metionina, cisteína e cistina.

O DNA, RNA e a Síntese Proteica

O processo de síntese das proteínas, macromoléculas essenciais para o metabolismo e a estrutura dos tecidos vivos, também exemplifica o princípio do ternário. O DNA (ácido desoxirribonucleico), molécula mestra da vida, é constituído por três tipos de substâncias: bases nitrogenadas, fosfato inorgânico e açúcares (pentoses). Os nucleotídeos, blocos construtivos dos ácidos nucleicos, também são compostos por essas três partes. Com o auxílio do RNA (ácido ribonucleico), o DNA promove a síntese das proteínas em um mecanismo denominado fluxo da informação genética ou dogma central da genética molecular.

A síntese protéica requer três tipos de RNA: 

1. “RNA mensageiro (mRNA)”: Moldado por um fio de DNA, precede a síntese das proteínas. 

2. ”RNA transferidor (tRNA)”: Atua como receptor dos aminoácidos. 

3. “RNA ribossômico (rRNA)”: Forma os sítios celulares onde ocorre a síntese proteica.

O Código Genético e o Ternário

O código genético, universal para todos os seres vivos conhecidos, requer três bases nitrogenadas (ou nucleotídeos) do DNA, transcritas em três nucleotídeos do mRNA, para codificar um aminoácido na cadeia polipeptídica em formação. Essa organização permite que os vinte aminoácidos protéicos sejam codificados por diferentes códons (trincas de bases). Além disso, códons aparentemente sem função — como os relacionados ao início e término da síntese protéica — desempenham papéis cruciais nesse processo.

Dentre os códons, o UAG (Uracila, Adenina, Guanina) é especialmente simbólico. Quando lido ao contrário, pode ser interpretado como “Grande Arquiteto do Universo” — uma referência à perfeição divina.

Expansão Filosófica e Biológica

A reflexão filosófica sobre o ternário encontra ressonância na biologia. As três grandes questões — "De onde viemos?", "Onde estamos?" e "Para onde vamos?" — ecoam na célula, unidade viva que contém os elementos necessários para originar e sustentar a vida. Essa conexão entre ciência, espiritualidade e simbologia reforça a interligação entre matéria e transcendência. 

TFA

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