LuCaS
Introdução
O número
três ocupa um lugar de destaque na Maçonaria, sendo carregado de significados
simbólicos. No Ritual do Grau de Aprendiz Maçom “REAA” (Grande Loja da Paraíba,
2012), destaca-se que o acréscimo de uma terceira unidade ao número dois
neutraliza sua instabilidade, simbolizando uma nova unidade perfeita e
definida. Esse ternário também representa qualidades essenciais ao maçom —
Sabedoria, Força e Beleza — que devem coexistir em equilíbrio harmônico.
O
ternário é frequentemente interpretado sob diferentes perspectivas: o tempo
(passado, presente, futuro), a vida (nascimento, existência, morte), e até
mesmo na constituição humana (corpo, mente e alma). Na Bíblia, há recorrências
do número três, como nos filhos de Adão e Eva (Abel, Caim e Set), as visões de
Abraão, as negações de Pedro e a ressurreição de Cristo ao terceiro dia. Esse
número simboliza a unidade da vida e da perfeição.
O número
três manifesta-se de maneira significativa na célula, a unidade estrutural
básica dos seres vivos. A célula é composta por membrana citoplasmática,
citoplasma e núcleo, cada um desempenhando funções essenciais para a manutenção
da vida. Essa tripartição não apenas organiza a estrutura celular, mas também
harmoniza os processos vitais, como crescimento, reprodução e metabolismo.
A Conexão do Ternário com a Célula e os Processos Vitais
Nos
vegetais clorofilados eucariontes, a fotossíntese, conduzida pelos
cloroplastos, é um exemplo claro da presença do ternário nos mecanismos
celulares. Esse processo fundamental para o anabolismo terrestre é dividido em
três fases interdependentes:
1. Processo
Difusivo: Neste estágio inicial, o dióxido de carbono enfrenta três
resistências naturais durante seu movimento até o interior da folha: a
resistência atmosférica, a dos estômatos e a do mesófilo foliar.
2. Processo
Fotoquímico: Aqui, a clorofila, excitada pela luz, passa por três estados
energéticos (2º singlet, 1º singlet e triplet) antes de retornar ao seu estado
fundamental. Esse estágio culmina na formação de compostos como o ATP, a
"moeda energética da célula", que possui três radicais
fosfóricos.
3. Processo
Bioquímico: Na última etapa, o primeiro produto estável formado é o ácido
3-fosfoglicérico, cuja estrutura contém três átomos de carbono. Esse composto é
essencial para o metabolismo das plantas.
Além de
seu papel na fotossíntese, o ATP é sintetizado em outros processos celulares,
como a respiração oxidativa, onde três moléculas de ATP são necessárias para
fixar um mol de dióxido de carbono nas plantas do grupo C3. No fascinante
processo de fotorrespiração, que ocorre na presença de luz, três organelas
celulares trabalham de forma cooperativa: cloroplasto, peroxissomo e
mitocôndria.
A Respiração Celular e sua Organização Ternária
A
respiração celular, indispensável para todas as formas de vida, apresenta uma
organização tripartida nos seus estágios: glicólise, ciclo do ácido
tricarboxílico (ciclo de Krebs) e cadeia de transporte de elétrons.
- Na “glicólise”,
realizada no hialoplasma celular sem necessidade de oxigênio molecular,
forma-se o ácido pirúvico, composto por três átomos de carbono.
- No “ciclo
do ácido tricarboxílico”, o ácido pirúvico é transformado em ácido cítrico, um
composto com três carboxilas, por meio de reações metabólicas nas
mitocôndrias.
- Durante
a “cadeia de transporte de elétrons”, três citocromos (a, b e c) desempenham
papéis fundamentais na transferência de elétrons, gerando três moléculas de ATP
para cada molécula de oxigênio consumida.
O ácido
cítrico, além de sua relevância na respiração celular, tem implicações
biológicas amplas, como na fertilidade masculina, sendo essencial para a
coagulação e liquefação do sêmen.
Uma Reflexão Sobre o Ternário e a Perfeição da Vida
A célula,
com sua estrutura trina e processos interligados, reflete a perfeição do
ternário na biologia. Ela não apenas sustenta a vida em sua essência, mas
também conecta aspectos simbólicos e científicos de maneira harmoniosa. A
síntese protéica, conduzida pelos três tipos de RNA (mensageiro, transferidor e
ribossômico), exemplifica essa integração, enquanto o código genético reafirma
a universalidade do número três na formação da vida.
Reações Celulares e a Fotossíntese
A
fotossíntese, como base para o metabolismo terrestre, também reflete o
ternário, sendo subdividida em três processos: difusivo, fotoquímico e
bioquímico.
- No “processo
difusivo”, o dióxido de carbono enfrenta três resistências principais: resistência atmosférica, resistência estomática e resistência do mesófílo foliar .
- No “processo
fotoquímico”, a clorofila passa por três estados energéticos antes de retornar
ao seu estado fundamental, destacando o papel dos elétrons na dinâmica
molecular.
- O “processo
bioquímico” culmina na síntese de ácido 3-fosfoglicérico, cujo radical
fosfórico reforça a importância dos elementos estruturais na fisiologia
celular.
Elétrons e Dinâmica Energética
Na
química orgânica, três tipos de elétrons — σ, π e n — dominam as interações
moleculares. A clorofila, por exemplo, utiliza os elétrons π em suas transições
energéticas durante o processo fotoquímico. Essas dinâmicas ilustram como o
princípio ternário orienta não apenas aspectos simbólicos, mas também
mecanismos naturais intrínsecos.
A Moeda Energética da Célula: ATP e a Lei do Ternário
Na etapa
fotoquímica da assimilação clorofiliana, forma-se o ATP (Adenosina Trifosfato),
composto dotado de três radicais fosfóricos. Conhecido como a "moeda
energética da célula", o ATP desempenha um papel fundamental na
transferência de energia química necessária para o metabolismo celular. Ele
permite a ocorrência de reações “termodinamicamente proibidas”, sendo a própria
vida conceituada como uma fuga constante da entropia — o estado de desordem da
matéria.
Além de
sua formação no processo fotoquímico, o ATP também é sintetizado durante outras
reações celulares, como a respiração oxidativa. Na fixação de dióxido de
carbono das plantas do grupo C3 — que compõe a maioria das espécies
vegetais superiores e inferiores — são necessárias três moléculas de ATP para a
assimilação de um mol de dióxido de carbono. A fotorrespiração, uma das mais
intrigantes reações da natureza, também está presente nas células clorofiladas
das plantas C3. Esse processo envolve a liberação de dióxido de
carbono na presença de luz e funciona em interação com a fotossíntese,
necessitando da cooperação entre três organelas celulares: cloroplasto,
peroxissomo e mitocôndria.
Respiração Celular e o Ternário
A
respiração celular ocorre continuamente em todas as células vivas. Sua função
principal é fornecer ATP como energia química para o funcionamento da máquina
celular e sintetizar constituintes químicos essenciais aos processos celulares.
Este fenômeno ocorre em organelas altamente especializadas, as mitocôndrias,
consideradas as "fornalhas da célula". A respiração apresenta uma
sequência trina, composta pela glicólise, pela rota da pentose fosfato e pelo
ciclo do ácido tricarboxílico, também conhecido como ciclo de Krebs.
Na
glicólise, que ocorre no hialoplasma celular independente do oxigênio
molecular, forma-se ácido pirúvico, composto de três átomos de carbono, que
serve como substrato inicial para a respiração mitocondrial. No ciclo do ácido
tricarboxílico, o ácido pirúvico atravessa as membranas mitocondriais e é
transformado em ácido cítrico, composto orgânico caracterizado por suas três
carboxilas. Esse ciclo está acoplado à cadeia de transporte de elétrons ou
oxidação terminal, onde três citocromos — a, b e c — são responsáveis pela
transferência de elétrons. Nesse processo, para cada molécula de oxigênio
consumida, são geradas três moléculas de ATP.
A Importância do Ácido Cítrico
O ácido
cítrico, participante essencial do ciclo de Krebs, tem amplo papel metabólico
em seres vivos. Por exemplo, na fertilidade masculina, ele é secretado pela
próstata e contribui para os processos de coagulação e liquefação do sêmen,
essenciais para a reprodução.
A Presença do Ternário nos Aminoácidos e na Síntese
Proteica
Os vinte
aminoácidos protéicos, conhecidos como os blocos construtivos das proteínas,
refletem de forma marcante o princípio do ternário. Essas moléculas são
anfóteras, possuindo carga elétrica negativa na carboxila (COO-) após a
ionização e carga elétrica positiva no grupo amino (NH2-), que pode captar
prótons. Internacionalmente, os aminoácidos são representados por códigos de
três letras, como Gly (glicina), Ala (alanina), Arg (arginina), Leu (leucina),
Thr (triptofano) e Val (valina).
Entre os
aminoácidos protéicos, destaca-se a organização ternária:
- “Aminoácidos
básicos”: Lisina, arginina e histidina, com três pontos de carga elétrica (duas
positivas e uma negativa).
- “Aminoácidos
aromáticos”: Tirosina, triptofano e fenilalanina.
- “Aminoácidos
sulfurosos”: Metionina, cisteína e cistina.
O DNA, RNA e a Síntese Proteica
O
processo de síntese das proteínas, macromoléculas essenciais para o metabolismo
e a estrutura dos tecidos vivos, também exemplifica o princípio do ternário. O
DNA (ácido desoxirribonucleico), molécula mestra da vida, é constituído por
três tipos de substâncias: bases nitrogenadas, fosfato inorgânico e açúcares
(pentoses). Os nucleotídeos, blocos construtivos dos ácidos nucleicos, também
são compostos por essas três partes. Com o auxílio do RNA (ácido ribonucleico),
o DNA promove a síntese das proteínas em um mecanismo denominado fluxo da
informação genética ou dogma central da genética molecular.
A síntese
protéica requer três tipos de RNA:
1. “RNA
mensageiro (mRNA)”: Moldado por um fio de DNA, precede a síntese das
proteínas.
2. ”RNA
transferidor (tRNA)”: Atua como receptor dos aminoácidos.
3. “RNA
ribossômico (rRNA)”: Forma os sítios celulares onde ocorre a síntese proteica.
O Código Genético e o Ternário
O código
genético, universal para todos os seres vivos conhecidos, requer três bases
nitrogenadas (ou nucleotídeos) do DNA, transcritas em três nucleotídeos do
mRNA, para codificar um aminoácido na cadeia polipeptídica em formação. Essa
organização permite que os vinte aminoácidos protéicos sejam codificados por
diferentes códons (trincas de bases). Além disso, códons aparentemente sem
função — como os relacionados ao início e término da síntese protéica —
desempenham papéis cruciais nesse processo.
Dentre os
códons, o UAG (Uracila, Adenina, Guanina) é especialmente simbólico. Quando
lido ao contrário, pode ser interpretado como “Grande Arquiteto do Universo” —
uma referência à perfeição divina.
Expansão Filosófica e Biológica
A
reflexão filosófica sobre o ternário encontra ressonância na biologia. As três
grandes questões — "De onde viemos?", "Onde estamos?" e
"Para onde vamos?" — ecoam na célula, unidade viva que contém os
elementos necessários para originar e sustentar a vida. Essa conexão entre
ciência, espiritualidade e simbologia reforça a interligação entre matéria e
transcendência.
TFA