Em Busca da Maçonaria
Inclusiva
LUIZ CARLOS SILVA[1]
Introdução
As “corporações”
de alta eficiência e eficácia já perceberam que um dos grandes desafios das
comunidades humanas na atualidade, é encontrar soluções para estabelecer uma
sociedade mais inclusiva e solidária. Tanto no âmbito governamental quanto nas
instituições de direito privado, promover uma política de inclusão e
diversidade é de fundamental importância para proporcionar a inovação da
entidade. Nesse sentido, pergunta-se, de que forma a Maçonaria pode contribuir
no enfrentamento deste desafio?
Para tentar
responder tal questionamento, faz-se necessária uma análise ou diagnóstico da
Ordem Maçônica, começando por suas “leis” consideradas como universais,
internacionais e regionais.
A maçonaria
entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, embora mantendo suas
formas de reconhecimento e cerimônias de iniciação e comunicação de graus em
segredo, e ainda, fundada nos princípios e postulados fundamentais proclamados
pela Maçonaria Regular, está sujeita às leis do país. Ora, nos princípios
fundamentais da Constituição da Grande Loja do Estado da Paraíba (2000), entre
outros, estabelece que seus princípios e postulados fundamentais, proclamados
pela Maçonaria Simbólica Regular, obriga a obediência aos antigos usos e
tradicionais costumes definidos nos Landmarks coligidos por Albert Galletin
Mackey e constituições dos Maçons codificadas por James Anderson e aprovada em
1723, afirma, também que a iniciação à maçonaria é exclusiva para homens, os
quais devem ser isentos de doenças ou defeitos físicos ou mentais, excluindo-se
qualquer relação com corpos maçônicos que admitam mulheres em seus quadros.
Também, essa Grande Loja, como as demais, para serem reconhecidas como “Regulares”,
submete-se aos chamados oito pontos de regularidade definidos pela Grande Loja
Unida da Inglaterra (GLUE).
Pela análise desses
enunciados podemos constatar que a GLEPB é uma entidade exclusivista e que fere
frontalmente a legislação brasileira, visto que o Artigo 5º da Constituição Federal
brasileira assegura que todos são iguais perante a lei e que são invioláveis a
liberdade e a igualdade de todos. Afirma, ainda que ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, e que mulheres e
homens são iguais em direito e deveres, sendo inviolável a liberdade de
consciência e de crença, bem como a manifestação livre do pensamento, e, ninguém será
privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica
ou política (BRASIL, 1988).
Por outro lado, a
Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUE) estabelece oito pontos ou Princípios
Básicos para o Reconhecimento de uma Grande Loja, ou seja, para que a GLUE
passe “atestado” de regularidade maçônica a uma Grande Loja, é necessário que
tal Grande Loja ou Obediência siga na íntegra o que se segue:
1 – Regularidade
de origem, ou seja, cada Grande Loja deve ter sido legalmente constituída por
uma Grande Loja devidamente reconhecida ou por três ou mais lojas regularmente
constituídas;
2 – Que a
crença no Grande Arquiteto Do Universo e Sua Vontade revelada será uma condição
essencial para a admissão de seus membros;
3 – Que todos
os iniciados prestem seus juramentos, a vista do Livro da Lei Sagrada,
simbolizando a revelação do Alto que atinge a consciência do indivíduo em particular
que está sendo iniciado;
4 – Que os membros
da Grande Loja e das Lojas individuais sejam exclusivamente homens, e
que nenhuma Grande Loja deve manter relações maçônicas com lojas mistas ou
com obediências que aceitem mulheres como seus membros;
5 – Que 3a Grande
Loja mantenha jurisdição soberana sobre as Lojas que estão sob o seu controle,
ou seja, deve ser uma organização responsável, independente e governada por ela
mesma, exercendo sua autoridade única e indiscutível sobre os graus simbólicos
do ofício (Aprendiz, Companheiro e Mestre) dentro de sua jurisdição, e que não
pode depender nem compartilhar de maneira nenhuma sua autoridade com um Supremo
Conselho ou outro Poder que reivindique controle ou supervisão sobre esses
graus;
6 – Que as três
Grandes Luzes da Maçonaria (ou seja, o Livro da Lei Sagrada, o Esquadro e
Compasso) estarão sempre expostos quando a Grande Loja ou suas Lojas
subordinados estejam em trabalho, sendo o primeiro entre eles, o Livro da Lei
Sagrada;
7 – Que a
discussão de assuntos políticos ou religiosos estejam estritamente proibidos
dentro de loja;
8 – Que os
princípios dos Antigos Landmarks e os usos e costumes da Fraternidade sejam
rigorosamente observados (GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA, 2018. Grifo nosso).
Mas,
a GLUI não define nenhum desses Landmarks.
Segundo Kennyo Smail, 2012, para maçons mal informados, a
Grande Loja Unida da Inglaterra exerce função de “xerife” do mundo maçônico, proclamando-se
legítima guardiã da regularidade maçônica, devendo ditar as regras a serem
seguidas pelas demais Obediências. Para esses, se a Maçonaria fosse uma
religião, a GLUI seria uma espécie de Vaticano Maçônico. É importante
esclarecer que a GLUI não tem essa autoridade e que isso é totalmente contrário
a todos os princípios maçônicos de autonomia, soberania e igualdade entre
Obediências... aquele que visitar a Maçonaria Regular nos chamados países
desenvolvidos descobrirá que essa idolatria à GLUI não é compartilhada por eles.
Muito pelo contrário: verdade é que a GLUI não faz parte da vanguarda maçônica.
Mas, que fique claro aos maçons: a Grande Loja Unida da Inglaterra não é um
modelo a ser seguido, nem uma autoridade a ser obedecida.
– Assim como os
judeus, enquanto povo, trazem no seu DNA a consciência e a crença no Deus
único, cujo nome é impronunciável, o que os torna sempre unidos e presentes,
não importando as distâncias geográficas ou temporais, o povo inglês carrega no
seu DNA o espírito imperialista colonizador, não deixando de fora, essa gana,
nem mesmo a Ordem Maçônica.
– Há pouco
falou-se em Landmarks, e em diversas jurisdições Maçônicas ao redor do mundo,
inclusive a Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, a lista de 25 Landmarks
de Albert Galletin Mackey é respeitada como algo intocável, afinal, a sua
vigésima quinta regra assim determina, que os outros 24 Landmarks são
imutáveis. O décimo oitavo traz na sua redação o impedimento de mulheres,
escravos e aleijados serem iniciados. – Isso está de acordo e
respeitando a constituição de qual país?
Pelo que pudemos
inferir, a Maçonaria se apresenta como uma instituição seletiva, exclusivista,
elitista e impositiva. Por conseguinte, devemos buscar meios de tornar essa
instituição realmente inclusiva, rejeitando tudo o que submete, tudo que oprime,
tudo que nega o ser humano em seus direitos, pois só assim construiremos, de
fato, um dos fundamentos de uma atitude maçônica de inclusão. Mas, sendo a
Maçonaria uma instituição que indica caminhos de aperfeiçoamento baseado num
comprometimento alicerçado no amor à Verdade, ela tem como objetivo a criação
de uma aliança de Homens e Mulheres que se unem para trabalhar individual e
coletivamente para o progresso social, moral, espiritual e intelectual. Identificados
os problemas da busca de uma linguagem própria, e de temática universal de
pensamento, bem como da tendência para cada humano e diversos grupos se
isolarem nos seus dogmas e crenças, prejudicando as relações humanas
existentes, a mesma tem por obrigação a proposição de contrariar tal fato. Pois
mais
acertado é, somente, adotar a religião com a qual todos concordam, guardando
suas opiniões particulares para si próprio, isto é, serem pessoas boas e leais,
de honra e honestidade, qualquer que seja a denominação ou convicção que os
possam distinguir; assim, a Maçonaria se torna um centro da união e um meio de
conciliar uma verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam
em perpétua distância. Ou seja, independentemente das diversas culturas e
filosofias, bem como, e de todos os poderes instituídos, a finalidade desta
Ordem será sempre a de aproximar humanos, reunindo o que está disperso, sem
impor nem uniformizar.
Sobre a Legislação
em que se fundamenta a maçonaria especulativa
As Constituições
das Potências Maçônicas Simbólicas, de um modo geral, atribuem aos Landmarks,
às Old Charges e à Constituição de Anderson precedência legal sobre si próprias
e sobre a Legislação Obediencial delas originária. Por outro lado, muitos de nossos
Irmãos em conversas ou pronunciamentos em Loja sempre proferem referências
exaltadas ou citações respeitosas aos Landmarks, às Old Charges, à Constituição
de Anderson. Mas será que tais alusões são feitas com plena consciência do que
são e do que representam esses documentos que constituem os fundamentos
jurídicos da Maçonaria Especulativa? Façamos, então, uma breve análise sobre os
Fundamentos Jurídicos da Maçonaria Especulativa.
Os Landmarks
Segundo Silva
Filho (1998), a primeira vez em que se fez menção à palavra Landmark em
Maçonaria foi nos Regulamentos Gerais compilados em 1720 por George Payne,
durante o seu segundo mandato como Grão Mestre da Grande Loja de Londres, e
adotados em 1721, como lei orgânica e terceira parte integrante das
Constituições dos Maçons Livres, a conhecida Constituição de Anderson.
Os Landmarks, que
podem ser considerados “constituição maçônica não escrita”, longe de ser uma
questão pacífica, se constituem numa das mais controvertidas demandas da
Maçonaria, um problema de difícil solução para a Maçonaria Especulativa. Há
grandes divergências entre os estudiosos e pesquisadores maçônicos acerca das
definições e nomenclatura dos Landmarks. Existem várias e várias classificações
de Landmarks, cada uma com um número variado deles, que vai de 3 até 54.
Segundo Virgílio Lasca (1955) citado por Nicola Aslan em “Landmarques e Outros
Problemas Maçônicos”, para a Grande Loja de Nova York os Landmarks são apenas
seis, para a Grande Loja da Virgínia são sete, para a Grande Loja de
Massachusetts são oito, para a Grande Loja de Nova Jersey são dez, para a
Grande Loja de Tennessee são quinze, para a Grande Loja de Connecticut são
dezenove, para a Grande Loja de Minnesota são 26 e para a Grande Loja de
Kentucky são 54.
A maioria das
Potências Maçônicas Brasileiras, embora tacitamente, adotam a classificação de
25 Landmarks compilada por Albert Galletin Mackey, sobre a qual recaem severas
críticas restritivas.
Analisemos,
portanto, alguns de seus pontos:
1.
Meios
de reconhecimento – como landmark, significa que os mesmos não podem ser
alterados, mas já foram alterados e poderão sofrer novas alterações no futuro,
não se sabe;
2.
A
lenda do 3º grau – essa lenda tem menos de 300 anos, dentro da ritualística maçônica
e nenhum dos antigos manuscritos maçônicos menciona a Lenda de Hiram, nem os
Regulamentos Gerais compilados por George Payne em 1720, nem a Constituição de
Anderson de 1723.
3.
As
prerrogativas do Grão Mestre, do 5º ao 8º ponto – não eram possíveis tais
prerrogativas, antes da instituição desse cargo, o que somente aconteceu a
partir de 1717.
Se, por
conceituação, os landmarks da maçonaria existem desde tempos imemoriais, e que
seria impossível data-los, pergunta-se: onde, então, as origens desconhecidas
desses landmarks?
Portanto, afirmar
de modo categórico que os Landmarks são vinte e cinco é, pois, demonstrar uma
visão estreita da questão, é incorrer em erro, pois estes não se limitam apenas
àqueles enunciados por Albert G. Mackey que, por sua vez, não são aceitos,
incondicionalmente e unanimemente, pelas Potências Maçônicas espalhadas pela terra,
em especial as Grandes Lojas Americanas, as quais, historicamente, sempre
serviram de espelho às Grandes Lojas Brasileiras.
As Old Charges
As Old Charges ou
Antigos Deveres ou, ainda, Antigas Obrigações são, na verdade pergaminhos ou
documentos escritos para serem usados, a título de Constituição, pelos Maçons
Operativos das Lojas de Talhadores de Pedra. Atualmente o número desses
manuscritos, conhecidos e reconhecidos como autênticos, já se aproxima dos 140,
dentre os quais, destacam-se: o Poema Regius, de 1390, também chamado de
“Documento “Halliwell”; o Manuscrito de Cooke, de 1410; os Estatutos de Schaw,
de 1598; o Manuscrito de Inigo Jones, de 1607; o Manuscrito de Kilwinning, de
1665; o Manuscrito de Aitchison Haven, de 1666; e o Manuscrito de Melrose, de
1674.
As Old Charges,
por sua importância histórica, serviram para estabelecer a existência, na
Inglaterra, de uma Maçonaria organizada antes da fundação da Grande Loja de
Londres, embora com finalidades diferentes das que são hoje por nós conhecidas,
tendo, por isto mesmo, influído de modo marcante para a organização da
Maçonaria Especulativa.
Como vimos, as Old
Charges não podem, como afirmam alguns, ser consideradas como “constituições
maçônicas não escritas”.
A Constituição de
Anderson
A primeira edição
do “Livro das Constituições” — a mais célebre — além de uma dedicatória do
Irmão Desaguliers, contém:
1. Uma curta
história da arte de construir, retirada das tradições da corporação;
2. Os antigos
deveres ou leis fundamentais (Old Charges);
3. As obrigações
antigas reunidas pelo Irmão Payne ou Regulamentos Gerais de 1721; e,
4. A aprovação do
livro, que terminou com quatro cantos maçônicos.
A Constituição de
Anderson, considerada o principal documento e a base legal da Maçonaria
Especulativa e na qual se arrimam as demais Constituições Maçônicas, sofreu, ao
longo da história, várias revisões: em 1738, em 1756, em 1767, em 1776, em
1784, em 1815. Sobre a Constituição de 1815, diz nos Nicola Aslan:
Enquanto
as Maçonarias latinas só reconhecem como únicas legítimas e genuínas as Constituições
maçônicas de 1723, a Maçonaria inglesa, após emenda-las várias vezes, baseia-se,
atualmente, nas Constituições de 1815, elaboradas depois da reunião das
duas Grandes Lojas, que separavam o mundo maçônico inglês, e nas quais os
religiosos “Antigos” fizeram incluir preceitos completamente diferentes dos de
1723 (NICOLA ASLAN, N.D., p.174).
Em razão do
exposto, há de se questionar:
1. Por que as
Constituições da maioria das Potências Maçônicas Brasileiras ignoram a
existência de outros Landmarks já que, mesmo não fazendo nenhuma referência
sobre a compilação por ela reconhecida, admite, tacitamente, existir apenas os
Landmarks enunciados por Mackey?
2. Quando as
Constituições dessas Potências Maçônicas falam em Old Charges a que documento
ou documentos estão querendo se referir? Ao “Poema Regius”? Ao “Manuscrito de
Cooke”? A que manuscrito especificamente? Ou querem se referir à Parte II da
Constituição de Anderson que dispõe sobre as antigas leis fundamentais?
3. Será que é por
isso que, muitos quando se referem à maçonaria, torcem o nariz e dizem que essa
é uma instituição que cheira a naftalina?
Primeiros passos
em direção à maçonaria inclusiva
Na época da
Maçonaria Operativa, não havia discussões na Europa. Era-se cristão ou judeu e
ponto final. A religião entrava na vida de cada indivíduo, não através de uma
busca racional, mas como uma caraterística essencial. E a religião era o que os
responsáveis da Igreja diziam que era. Analisar questões teológicas era encargo
de muito poucos dentre os pouquíssimos que sabiam ler e escrever. A grande
massa dos Povos tinha a religião do Estado onde se encontrava ou do senhor a
quem servia. Não era, sequer, uma questão de escolha. Era de sobrevivência,
literalmente falando. Não se punha, pois, a questão de se ser deísta, teísta ou
gnóstico. O conceito de deísmo nem sequer existia. Todos eram teístas, porque
todos eram crentes. E quem não fosse, calava e fingia sê-lo, se queria
continuar integrado na sociedade, vivo e com boa saúde (BANDEIRA, 2009).
Na Europa medieval,
havia, apenas, duas opções religiosas: o cristianismo e o judaísmo – o primeiro
subdividiu-se em duas correntes, uma sob a ordem do papa de Roma –; depois, com
a Reforma Luterana, o protestantismo, sendo o catolicismo amplamente
maioritário.
Todos os maçons
eram, por definição, crentes de fé cristã. A Maçonaria Operativa, como
instituição eminentemente profissional, não se diferenciava do restante das
instituições oficiais existentes. E todos eram cristãos e, portanto, teístas.
Nem se concebia que pudesse ser diferente!
Com o tempo e o
desenvolvimento da sociedade, essa situação foi sendo paulatinamente alterada.
A partir de finais
do século XVI, gradualmente as Lojas maçônicas operativas começaram a admitir
elementos não integrantes da profissão de construtores em pedra. Foram senhores
que mandavam construir igrejas e contratavam e pagavam, para esse efeito, os oficiais
construtores, exercendo sobre estes manifesta influência econômica, que
demonstravam interesse em compartilhar dos segredos da Arte Real da construção,
foram influentes cavalheiros ou nobres que assumiam o papel de protetores das
corporações de maçons, enfim, pouco a pouco foram sendo aceitos indivíduos não
construtores nas Lojas. E as Lojas passaram a ser locais de congregação de
maçons livres e aceitos. Maçons livres, os oficiais construtores que não
dependiam de senhores, que eram livres de trabalhar e exercer o seu ofício onde
quisessem e pudessem. Maçons aceitos, aqueles que, não sendo oficiais
construtores, tinham sido aceitos no seio das Lojas (BANDEIRA, 2009).
Os maçons aceitos
foram, aos poucos, se sobrepondo aos maçons livres, tanto em número, quanto no gerenciamento
dos destinos das Lojas, escolhendo os trabalhos de Loja, e os ensinamentos a imprimir.
Aos poucos, porém, em pouco mais de um século, a Maçonaria que era essencialmente
de operários trabalhadores nas artes da construção em pedras, madeiras e
alvenaria transformou-se de Operativa em Especulativa, de simples agremiação de
construtores, em instituição de livre discussão, de aperfeiçoamento moral, de
especulação filosófica e não mais apenas de mera aprendizagem profissional.
Por esses tempos
acontece o movimento iluminista, a emergência do racionalismo, a popularização
das ideias de Kant, de Locke, e muitos outros. A "Royal Society",
sociedade dedicada ao avanço e divulgação das ciências é constituída e muitos
dos seus fundadores e elementos impulsionadores são maçons aceitos.
A Grã Bretanha
dessa época histórica vivenciou tempos de profundos e dolorosos conflitos
políticos e religiosos. "Stuarts" contra "Oranges" e depois
"Hanovers", católicos contra anglicanos, jacobinos contra realistas. Lutas
ferozes e sangrentas, prisões e decapitações, que em nada ficaram a dever à
mais famosa das Revoluções, a Revolução Francesa; foram os resultados da
ambição desenfreada pelo poder. Mas, nem tudo restou em malefícios, pois,
resultou no fim do Estado Confessional. O Homem podia já pensar sobre os
fundamentos da sua crença. E o fez.
A postura de cada
um em face do Divino já não dependia exclusivamente da aceitação da Revelação
das Escrituras e dos ensinamentos dos profetas e ministros religiosos. Kant
indicou o caminho, e muitos foram progressivamente percorrendo a vereda da
descoberta do divino através da Razão. Já não havia apenas o caminho exclusivo
da Fé para a Crença. Outro também se abriu, o caminho da Razão. Já não havia só
teísmo, também apareceu e autonomizou-se o deísmo. Através do seu desassossego
intelectual, os maçons aceitos não se limitaram a "colonizar" a
Maçonaria Operativa e a transformá-la em Maçonaria Especulativa. Também, na
Maçonaria introduziram os princípios e o conceito do deísmo. Sobre uma
pré-existente Maçonaria teísta, construíram uma Maçonaria deísta, abrindo o
leque para cidadãos livres e de bons costumes, não importando a sua crença
professada e foi um importante passo em direção à inclusão Maçônica (BANDEIRA,
2009).
Mas, infelizmente,
a nossa história é repleta de avanços e retrocessos, avançam-se alguns passos e
outro tantos de passos são dados para traz. É que, na Proclamação de
Estrasburgo, o Grande Oriente de França (GOdF) e o Grande Oriente da Bélgica,
embora suavizando a sua posição relativa à crença em Deus e em sua revelação,
mantêm vivos os princípios que levaram estas duas Potências à “SUMMA DIVISIO”
em 1877, que separou em definitivo a nossa Ordem em duas: uma
"regular", e outra "irregular". Uma, que mantém o dogma da
crença no Grande Arquiteto do Universo e outra que, em nome da Constituição de
Anderson, aceita em suas Lojas até ateus e irreligiosos.
Desde o final do
sec. XVIII e, sobretudo, no começo do sec. XIX, por influência dos filósofos
iluministas houve uma natural tendência para o ateísmo: "Do cristianismo
ao deísmo, do deísmo à neutralidade, da neutralidade ao laicismo, do laicismo
ao ateísmo declarado". Foi esta escalada descendente que aconteceu em
algumas Potências maçônicas da Europa e da América Latina, no séc. XIX,
sobretudo no Grande Oriente de França, líder incontestável deste movimento que
desembocou na mudança da sua Constituição em 1877. Em realidade, foi o
resultado da ação de uma facção minoritária, mas ativa que, mesmo sendo
minoria, conseguiu impor suas ideias à maioria acomodada.
Este processo
começou pela infiltração nas lojas do GOdF das ideias dos Iluminados da
Baviera, seguidos dos Filadelfos e dos Carbonários, guiados pelos irreligiosos
e ateus, como por exemplo Littré e Proudhon, que eram ateus, e que a partir de
determinado momento, conseguiram impor as suas ideias. Estes e outros seus
semelhantes acabaram arrastando o GOdF para fora da Tradição da Ordem, quando
eliminou de sua Constituição, em 1877, no seu artigo primeiro, a exigência na
fé em Deus e na imortalidade da alma, bem como, a nova redação do art. 1º da
Constituição do GOdF, assim modificada: “A Maçonaria não exclui ninguém por
suas crenças. A Maçonaria, instituição essencialmente filantrópica, filosófica
e progressista, tem por finalidade a busca da verdade, o estudo da moral
universal, das ciências e das artes e o exercício da beneficência. Tem por
princípio a liberdade absoluta de consciência e a solidariedade humana. Tem por
divisa: liberdade, igualdade, fraternidade”. As Grandes Lojas Unidas da
Inglaterra, Escócia e Irlanda, e todas as demais Obediências a elas aderentes,
romperam relações com o GOdF, e permanecem rompidas até a atualidade, apesar
das várias tentativas do mesmo Grande Oriente de França em restabelecê-las,
como por exemplo em 1961, como demonstrado na Declaração de Estrasburgo (SILVA, 2014).
Digno de citação,
no sentido de inclusão é a Maçonaria Prince Hall (maçonaria dos negros), cujos
comentários são dispensados.
Segundo Diego Denardi (2021), importante é ressaltar que na
Maçonaria regular, felizmente, a regra de exclusão de deficientes físicos,
atualmente em voga, ainda, na América Latina e outras jurisdições, não é nem de
longe universal: a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja do Maine e a
Grande Loja Regular da Bélgica, para citar apenas três, não apresentam
restrições à Iniciação de profanos com deficiências físicas. Para essas
potências, as pessoas com deficiências podem tornar-se maçons, desde que, a
deficiência não o impeça de participar das reuniões; Paraplégicos têm-se
tornado maçons, assim como cegos, surdos e outros com várias deficiências.
Pequenas modificações devem ser feitas nos rituais (por exemplo: empregar
linguagem de sinais, modificando pontos em que o candidato fica em pé se é
usuário de cadeira de rodas). A Grande Loja da Escócia dispõe de Rituais em
Braille dos três graus simbólicos.
A iniciação de
pessoas com deficiências não torna uma potência irregular. Somente através da
pesquisa, estudo e conhecimento, chegaremos por fim ao resultado que certamente
será o fim do preconceito e a permissão às Lojas de poderem elas próprias
decidirem quem é elegível para a iniciação na Maçonaria.
Maçonaria para
mulheres
O assunto das
mulheres e a Maçonaria é complexo e sem uma explicação fácil. Tradicionalmente,
apenas os homens podem ser Maçons na Maçonaria Regular. Muitas Grandes Lojas
não admitem mulheres porque acreditam que isso quebraria os antigos Landmarks
Maçônicos. No entanto, existem muitos órgãos Maçônicos não convencionais que
admitem homens e mulheres ou exclusivamente mulheres.
A Grande Loja
Unida da Inglaterra (UGLE), e outras, concordam com esta tradição regular
(incluindo a Grande Loja Provincial de Nottinghamshire), não reconhecendo
formalmente qualquer corpo Maçônico que aceite mulheres. A UGLE declarou em
1998 que duas jurisdições femininas Inglesas são regulares na prática, a The
Order of Women Freemasons (OWF) e a The Honorable Fraternity of Ancient
Freemasons (HFAH), exceto pela sua inclusão de mulheres, e indicou que, embora
não formalmente reconhecidos, estes órgãos podem ser considerados parte da
Maçonaria, quando se descreve a Maçonaria em geral.
O site da Honorável Fraternidade dos Antigos Maçons (HFAF), nos
informa que essa Ordem Maçônica foi fundada em 1913 e a adesão está aberta a
mulheres de qualquer raça ou religião, que são capazes de professar uma crença
em um Ser Supremo... tem muitas lojas no Reino Unido, incluindo a Ilha de Man,
e até Carlisle no norte e sul para Bournemouth e oeste para os Cotswolds. Também,
foram procuradas para abrir lojas no Brasil. Estão trabalhando em
conjunto com a Grande Loja Unida da Inglaterra, para promover a Maçonaria
Universidades (HFAF, 2020)
Já, o site da “Ordem das Mulheres Maçons” (OWF) nos informa é a maior
e mais antiga organização maçônica para mulheres na Inglaterra e trabalha nos
moldes da Maçonaria masculina regular. Sendo fundada em 1908, tem cerca de
4.000 membros agrupados em mais de 300 Craft Lodges operando no Reino Unido e
no exterior. Embora a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) reconhecido, em um
comunicado emitido em 1999, a regularidade e a sinceridade da maçonaria
feminina, não a reconhece oficialmente e seus membros não podem participar de reuniões
conjuntamente. Muitas de suas lojas se reúnem em templos de propriedade da
Ordem dos homens e as relações informais são cordiais e cooperativas. Da mesma
forma, há um acordo recíproco estendido aos membros da UGLE que realizam suas
reuniões nas instalações da OWF (A ORDEM DAS MULHERES MAÇONS).
Uma notícia
colhida em 17 de julho de 2018 nos dá conta que as mulheres transexuais podem
permanecer como maçons se já o eram como homens, disse a Grande Loja Unida de
Inglaterra. Expulsar maçons que façam a transição é considerado “discriminação
ilegal”, advertiu a Grande Loja Unida da Inglaterra. Assim, usar a transição de
um maçom como razão para excluí-lo de uma loja exclusivamente masculina é
“discriminação ilegal e, portanto, nunca poderá constituir uma causa
suficiente”. As mulheres que fizerem a transição para se tornarem homens também
deverão ser autorizadas a aderir, isto é, ter suas iniciações autorizadas ou
permitidas. Independentemente da identidade de gênero, os 200.000 membros do
UGLE ainda serão formalmente referidos como “irmãos”, diz o documento.
Informalmente eles deverão ser chamados “pelo nome e título que tiverem
escolhido” (UGLE, 2018).
Num documento
emitido para 7.000 lojas em todo o país diz: “Se um maçom que é membro da UGLE
deseja mudar de gênero e se tornar uma mulher, esperamos que receba o apoio
total dos seus irmãos”.
Dado o papel
fulcral que a United Grand Lodge of England desempenha na Maçonaria Regular,
será interessante ver como é que esta orientação vai repercutir por todo o
mundo.
Artigo de
Jean-Philippe Schreiber datado de 24/09/2020 nos dá conta de que o Grande
Oriente da Bélgica (GOB), principal obediência maçônica do país deu um passo
fundamental na sua história de quase dois séculos, quando a em Assembleia Geral
adotou, em 16 de Fevereiro de 2020, e por grande maioria, uma reforma dos seus
estatutos e regulamentos que, entre outras modificações, agora permitirá que as
lojas filiadas a esta obediência liberal e adogmática integrem mulheres nos seus
quadros.
Maçonaria
Executiva
Em determinada
época existiu, o que se pode considerar, uma maçonaria Primitiva, a qual evoluiu
para uma maçonaria Operativa, que transformou-se em maçonaria Especulativa, e
agora, estamos assistindo uma mudança de época e com ela, ainda em estudos,
está surgindo a ideia de uma maçonaria Executiva – proativa e inclusiva –, que é
aquela que quebrando paradigmas, paulatinamente, venha substituir a maçonaria
hoje praticada – a maçonaria especulativa. Em outras palavras, está acontecendo
uma mudança de época histórica, isto é, a época da maçonaria Especulativa está
com os dias contados, cedendo lugar à época da maçonaria Executiva; semelhante
à borboleta que passa por diversas metamorfoses, mudando de forma, mas
conservando-se em essência, a mesma. Nessa “nova” maçonaria proativa, de
conceitos bastantes inclusivistas, teríamos Lojas atuando junto à sociedade no
sentido de implementar um processo de transformação e integração, tanto social,
quanto político, gerando consensos globais sobre o pensamento e a ação
maçônica, defendendo a liberdade, a democracia, os direitos humanos, a justiça,
a verdade, a paz, a solidariedade, a ecologia, a união entre os povos e fraternidade
em todos os níveis; discutindo os problemas que afetam a sociedade local e, enfim,
realizando o trabalho secular da maçonaria; – os detalhes desse processo de
transformação devem constituir assunto para outro momento (SILVA, 2023).
(Re)Construção do Espaço
de Inclusão
Tratando-se a
Maçonaria de uma associação de homens esclarecidos, a mesma poderá contribuir
na atualidade para a finalidade a que sempre se propôs: a felicidade do gênero
humano. Tal objetivo deverá ser desprovido de interesses políticos, filosóficos
ou religiosos. Pois “trata-se de uma associação de homens esclarecidos, não
tendo outra preocupação se não a felicidade do gênero humano – fora de toda a
preocupação religiosa e política – excluindo apenas o ser sem virtude”. (D’ASSAC, 1984).
De acordo com a GLSP (2017), “A Maçonaria é uma aliança de Homens que
se unem para trabalhar em comum para o aperfeiçoamento intelectual, moral e
espiritual da Humanidade – e dentro desta não há classes sociais – há graus de
conhecimento, funções executivas e funções jurisdicionais. Este caminho de
aperfeiçoamento é realizado com base num comprometimento ancorado no desejo e
no amor à Verdade. Assim, a Maçonaria é uma escola de virtude e sabedoria, que
opera através de um sistema de moral velada pela alegoria e ilustrada por
símbolos, e que não tem por base um mandamento que nos tenha sido dado (…), mas
baseia-se em fatos precisos e leis de ordem natural, sobre os quais não há
dúvidas”.
Deste modo, ela se
afirma como uma “Família Universal”, em que ser maçom é pertencer a esta
família a qual se dedica à construção do Templo de Verdade. Para Silva, 2008,
um dos principais elementos que caracteriza a família, é acolhimento dos seus parentes
e, portanto, a maçonaria tida como uma família universal significa, também,
“Acolhimento” de seus membros e, acolher é incluir. Infelizmente, frequentemente,
no nosso cotidiano observando de forma direta ou em relatos, convivemos com
acontecimentos marcados, não pelo acolhimento e construção, mas sim, pela
rejeição, exclusão e divisão e pela destruição.
Um dos grandes
desafios da atualidade, é a necessidade de encontrar novas soluções para
estabelecer uma sociedade mais inclusiva e solidária. É inerente a todos, o
dever de se implicar e acompanhar as mudanças em curso no mundo e procurar
estar afinado com o seu diapasão, isto é, com base no que Immanuel Kant definiu
como imperativo categórico: o dever de cada um agir conforme os princípios e os
valores que considere serem benéficos caso sejam seguidos por qualquer outro
indivíduo.
– Coexistimos, mas
muitas vezes afastamo-nos uns dos outros e quando isso acontece, também nos
afastamos do mundo. Frequentemente vivemos em conflito com a ordem natural das
coisas e em desacordo com a nossa dimensão biológica. Nós, por natureza, temos
necessidade de explicar o que é o mundo e dessa necessidade nasceu a ciência
moderna. Temos igualmente necessidade de compreender quem somos e quem é o
outro, questões que nos conduzem para domínios subjetivos, como sejam:
sentimentos, emoções, valores e intuição.
– A essência de
uma comunidade de “irmãos” é a inclusão do outro. Neste sentido, face aos
desafios contemporâneos da construção de sociedades mais inclusivas e
solidárias, de que forma a Maçonaria pode oferecer um contributo singular neste
desafio? Uma das possíveis respostas poderá ser enunciada da seguinte forma: é
preciso refletir para reconstruir. Perante uma cultura em que o Homem é, simultaneamente,
produtor, produto e subproduto de uma sociedade mercantilizada, é preciso
questionar, entender e transformar.
– Na nossa cultura
predomina o pensamento linear, a lógica binária. Este modo de pensar pode fazer
acreditar que há sempre polos antagônicos entre os quais é preciso escolher. A
possibilidade de escolher é um dos fundamentos da liberdade e da democracia,
valores grandemente exaltados pela Maçonaria, todavia, esta não é aquela
escolha binária – ou é preto ou é branco – que limita as possibilidades de
exercer a individualidade, a criatividade e a consciência crítica (SILVA, 2008).
Uma cultura em que
predomina o pensamento linear / a lógica binária, cria mentes prisioneiras das
polaridades, como sejam: ou virtude ou vício; ou bem ou mal; ou Norte ou Sul,
ou Oriente, ou Ocidente. Um pensamento fortemente formatado nesta lógica
binária dificulta a nossa percepção da diversidade e da complexidade do mundo,
conduzindo a uma deficiente comunicação entre as pessoas, geradora de uma
lógica de exclusão.
É certo que o
modelo binário / linear permite criar resultados práticos e significativos para
a melhoria da vida humana, como sejam as que se aplicam as situações mecânicas,
instrumentais e operacionais (MARTINS, 2022, p. 73).
– O que torna
problemático naquele modelo, não é sua existência nem as aplicações práticas
que cria, mas sim o fato dele ser visto como quase único, exclusivo. Importa,
assim, complementar aquele modelo de pensamento binário, com um modelo de
pensar de forma abrangente / holístico, isto é, pensar o todo sem deixar de
lado as partes. A este propósito, o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662)
referiu-se do seguinte modo: "Considero impossível conhecer as partes sem
conhecer o todo, bem como conhecer o todo sem conhecer as partes em particular"
(SILVA, 2022, p. 102-103).
– O lema “Bem
Pensar, Bem Dizer, Bem Fazer” não nos deve indicar uma realidade sobre a qual
fazemos uma escolha limitada, estreita e fragmentada entre dois polos opostos,
mas sim uma escolha ilimitada, aberta à reflexão, à ponderação, capaz de
conduzir à formação do homem livre e integral, capaz de pensar o mundo na sua
natureza complexa. Para isso, precisamos de uma educação que nos conduza a um
equilíbrio entre um modelo de pensamento objetivo e lógico – indispensável para
que lidemos com as situações concretas, objetivas e quantitativas do cotidiano–
e um modelo de pensamento de natureza subjetiva, que inclui os sentimentos, as
emoções e a intuição. É neste sentido que os termos "acolhimento" e
"complementaridade" são deveras importantes nos trabalhos maçônicos,
os quais têm por base a construção da verdadeira fraternidade entre os irmãos,
capaz de ser transportada para a vida profana de cada um (MARTINS, 2022, p.
73).
– Dos problemas
que a Maçonaria enfrenta hoje, podemos atribuir à sua infidelidade à Verdade
que cura e purifica, bem como à constante presença num pensamento marcadamente
concreto quanto à sua essência. Neste ponto, os ensinamentos da Maçonaria são
basilares, pois a sabedoria e virtude não servem para engrandecer o maçom, mas
para o conduzir ao Templo da Verdade. E sabemos que não há religião superior à
Verdade, logo o mesmo não tem necessidade de ter uma religião
institucionalizada. Segundo Luís de Matos na sua reflexão sobre o Templo da
Verdade, o mesmo refere que:
O Templo da
Verdade é o local metafísico onde a percepção da verdade desaparece, a
distorção causada pela verdade individual cessa e Verdade Indivisível, como ela
É, brilha em todo o seu esplendor, inconfundível, indiscutível, inefável. Para
ensinar a sabedoria e a virtude, a Maçonaria trabalha num Templo. As reuniões
decorrem à porta fechada, em Loja, num espaço sagrado e protegido, no qual
estão visíveis os símbolos e emblemas de cada grau. A palavra “templo” etimologicamente
provém do latim, templum que significa “lugar reservado”, ou “lugar à parte”,
lugar separado dos lugares comuns. Para ensinar a sabedoria e a virtude, a
Maçonaria usa o véu dos símbolos em seus templos. Os símbolos são as regras da
linguagem metafísica, do código linguístico partilhado por todos os seus
estudantes (MATOS, 2010, p. 26-27).
Acordamos que a
Maçonaria no século XXI não deve ser a mesma Maçonaria que foi vivida no século
XVIII, apesar daquela que hoje projetamos só poder ser sólida se estiver bem firme
nos fundamentos de todo o seu passado, porque também o seu passado assentava
nos fundamentos da Maçonaria de ofício primitiva (MATOS, 2010). Para Scawn Eyer
a própria franco-maçonaria antecedeu o Cristianismo, mas foi a matriz cristã
que deu um significado mais profundo à própria Maçonaria (HACKETT, 2014; EYER, 2016).
Para entender o
papel da Maçonaria na contemporaneidade é preciso partir da base do modelo
mental por meio do qual construímos o nosso mundo. Em geral adota-se um modelo
que privilegia as partes isoladas, em prejuízo das relações como um todo. Uma
sociedade regida por um sistema de pensamento que privilegia a divisão, o
afastamento, a falta de inclusão é uma sociedade de desconhecidos, de
estranhos. O desconhecimento produz a desconfiança, e esta alimenta o medo e é
por ele realimentada.
Se temos medo de
entrar em contato com nossos sentimentos, emoções e subjetividades, acabamos
adotando uma visão de mundo em que tudo nos parece externo, objetivo. É como se
não compartilhássemos o mesmo mundo com as pessoas com as quais lidamos no
cotidiano.
– Para pôr em
prática os objetivos sociais da Maçonaria que pretendemos inclusiva é preciso
adotar-se não apenas o modelo binário, nem apenas o modelo sistêmico, que
embora, mais interativo, se divorcia do modelo binário linear; deve-se,
portanto, adotar-se o modelo proposto por Silva (2008), isto é, o modelo
Complexo que envolve e adota os dois modelos anteriores do pensamento. Trata-se,
todavia, de uma mudança ampla e profunda, que não pode ser feita por meio de
iniciativas superficiais e de curto prazo.
Melhor dizendo, o
pensamento binário é uma forma de pensamento dicotômico que separa o
inseparável. A conveniência de uma visão dicotômica da realidade se consolidou
como uma “regra” histórica para modelar a interpretação da realidade e a
transformação do mundo. Há cerca de 500 anos, Maquiavel separou o “político” do
“moral”; Galileu separou a “realidade material quantificável” da “experiência
sensorial intangível”; Descartes separou a “mente” da “matéria”; Bacon separou
a “ciência” da “sociedade”; Hobbes separou o “poder” do “povo” e Smith separou
o “econômico” do “político”. Este falso dualismo influenciou a forma de pensar
e, portanto, a forma de agir de todas as gerações posteriores a estes
pensadores. A humanidade, hoje, está confusa frente à proliferação das falsas
dicotomias criadas por esta forma de pensar que, por conveniência política ou
por inocência intelectual, exige dos “construtores sociais” um posicionamento
frente a estes falsos dilemas. Isso tanto drena energia social como gera
oposições desnecessárias dentro e entre grupos sociais, enquanto os promotores
desse tipo de pensamento se beneficiam da confusão criada.
Trata-se,
portanto, de um padrão que exclui em vez de incluir, que separa em vez de
juntar, que fala de “ações”, não de “interações”, que fala de “vivência” e
“sobrevivência” em vez de “convivência”. Em especial, é um modelo que
privilegia as partes isoladas, em prejuízo das relações.
Já o pensamento
sistêmico permite pensar o modo como as partes se relacionam entre si para
formar o todo. O modelo linear lida com os fenômenos em termos de causa-efeito
(causalidade simples). O pensamento sistêmico permite ir além da causalidade
simples, possibilita a compreensão das relações e interações no interior de
cada sistema e entre sistemas diferentes.
Nosso cérebro está
preparado para os dois modelos mentais, isto é, está programado também para
relacionamentos e não apenas para a divisão e a fragmentação. Deve haver,
portanto, um equilíbrio entre o modo de pensar fragmentador e o modo abrangente
de pensar.
O pensamento
complexo, por sua vez, é um modo de pensar que procura ligar dois sistemas de
pensamento que estão separados por nossa cultura. É um modo de pensar
acolhedor, de integração. É por essa razão que ele constitui a base teórica da
Maçonaria que pensamos, para enfrentar os desafios do mundo atual. O objetivo
do pensamento complexo é permitir que lidemos de modo adequado com a
complexidade. Esta pode ser definida como a condição natural de todas as coisas
e processos do Universo, no qual tudo está ligado a tudo e tudo depende de
tudo, “assim como está em cima, assim está em baixo”. É imperioso lembrar que
uma das proposições morais da maçonaria é que o bem das gerações futuras deve
ter primazia sobre o bem dos presentes, e isso não se consegue sem que haja
inclusão e acolhimento (SILVA, 2022, p. 108).
Inclusão, Solidariedade,
Moral e Ética Social
A Maçonaria se diz
universal, e suas lojas espalham-se pela terra sem preocupação de fronteiras e
de raças.
O colonialismo europeu
justificou sua dominação sobre ouros povos, hierarquizando grupos humanos: uns brancos,
cristãos, anglo-saxões, eram classificados como superiores; outros negros,
índios e mestiços, eram julgados inferiores. Já modernidade foi criada sob a premissa
do universalismo para estabelecer o monopólio cultural europeu. Questionam-se ambos,
pois, o racismo ignora o “desenvolvimento das diferenças” e inviabiliza “as
diferenças do desenvolvimento” enquanto, o universalismo ignora a “natureza do
lugar” e inviabiliza o “lugar da natureza”, criando vulnerabilidades onde pessoas
e seus lugares são distintos.
Propondo-se a
Maçonaria realizar a universalidade, a fraternidade e a tolerância, coloca-se
logo de saída a questão de saber como tal objetivo será possível se ela abarca
várias obediências e ritos. Assim como algumas obediências rejeitam as mulheres
e irmãos pelas suas opções políticas, religiosas, filosóficas ou por
pertencerem a outras famílias maçônicas. Há quem diga que “a Ordem é a que pode
realizar a universalidade e as Obediências que atraiçoam a Ordem” (MARTINS
& NOGUEIRA-SIMÕES, 2022).
De fato, em cada
país e com o decorrer dos séculos, foram promulgados diversos e numerosos
estatutos, contudo, isso não obsta a que a Maçonaria possua determinado número
de princípios básicos, aceitos por todos os indivíduos que a compõem em todas
as partes do globo. Tal condição possibilita a aceitação, a fraternidade
universal dos maçons, a sua condição de grande família no seio da Humanidade,
que centralize o pensamento e a ação da Ordem. Inclusivamente, pode falar-se de
um conjunto de caraterísticas institucionais comuns a todas as famílias
maçônicas que permite a sua identificação (LÁZARO, 1996).
– A sua
universalidade se firma no princípio de que todos os homens são iguais perante
uma entidade a que denomina de Grande Arquiteto do Universo, sendo que todos os
templos dos Francos-maçons são consagrados à humanidade, à tolerância, à união
mais íntima, à amizade mais perfeita e ilimitada e à fraternidade incondicional
(GRANDE LOJA MISTA DO RITO DE MEMPHIS-MISRAIM, 2017).
– O enunciado da
universalidade da Maçonaria está ancorado a uma construção política e jurídica,
cujo início da produção remonta ao século XV e, principalmente, ao século XVII.
À época do Iluminismo, não existia uma afirmação consagrada dos direitos
humanos, válidos para todos de maneira universal, mas apenas direitos de âmbito
regional ou nacional, pensados para alguns humanos de maneira específica, como
foi o caso dos direitos do homem, integrantes da Declaração Francesa de
Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 (GRUBBA &
STAFFEN, 2017).
Apesar de a “Declaração
Universal dos Direitos Humanos de 1948” ter declarado o caráter universal dos
direitos humanos, desde o seu surgimento se discute a aplicabilidade daqueles
direitos. Argumentos relativistas, localistas ou de direitos culturais, foram
se afirmando contrários à ideia de uma possível ou necessária universalidade
dos direitos humanos. Deste modo, consideravam ser o universalismo, uma
“tentativa cultural ocidental de imposição imperialista de uma única forma de
se estar no mundo com dignidade” (GRUBBA & STAFFEN, 2017).
Segundo Grubba
& Staffen (2017) os defensores do relativismo cultural sustentam que cada
cultura possui uma visão acerca dos direitos fundamentais e que não há uma
moral universal, em razão do pluralismo de culturas existentes no mundo. Esses
discursos questionam a premissa universalista, considerando que a tentativa de
universalização dos direitos, de maneira a priori, é incompatível com os demais
modos de vida cultural não-ocidentais e não capitalistas. Em contrapartida, os
universalistas defendem que o pluralismo cultural não pode servir para encobrir
violações aos direitos humanos.
Para Pottumati (2014), a defesa ao multiculturalismo seria
uma pré-condição para uma relação equilibrada, que além de reforçar a ligação
entre a legitimidade local e a competência global, igualmente representaria uma
política contra hegemônica de direitos humanos. O universalismo busca abarcar
os localismos culturais e proteger o direito à diferença, inclusive o respeito
aos direitos humanos, quando há uma tentativa de imposição culturalista no que
concerne à escolha de religião ou crença. E, ainda, podemos igualmente
considerar não ser, o universalismo, uma tentativa de imperialismo cultural,
mas, pelo contrário, a tentativa de impedir possíveis imperialismos culturais.
É importante
considerar que este diálogo entre universalistas e relativistas não deva
ocorrer apenas no meio acadêmico, mas, também no seio de estruturas políticas,
econômicas e socioculturais.
– Os Trabalhos Maçônicos
são espaços de debate e criação de valor pela Arte de acolher o
multiculturalismo como condição do universalismo humano, pelo que –
independentemente de vínculos culturais, religiosos ou políticos – os valores
que objetivam a proteção da dignidade humana, são a fraternidade. Assim, apesar
das características individuais, ideias ou peculiaridades dos maçons, os mesmos
desenvolvem os seus trabalhos sempre com a exigência humanista permanente e
igualmente compartilhada por todos os elementos que compõem tal Ordem, com base
nos valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Este humanismo é alcançável
pela tolerância, que é uma das grandes virtudes da Ordem, melhor dizendo, pela
tolerância ativa, que implica aceitar a diversidade do outro para que ele
aceite a nossa própria sensibilidade, e também criar plataformas de
entendimento, através de valores éticos comuns, herança irrenunciável da
Maçonaria universal (MARTINS, 2022).
– Existem traços
que permitem considerar que a Maçonaria alberga três grandes correntes de
pensamento: corrente espiritualista, social e esotérica. Na primeira corrente,
assume-se que o sagrado é consubstancial da humanidade, o qual se busca o
“homem primordial”, que mediante a tradição maçônica, tenta que cada maçom seja
mediador da sua própria projeção para o universal e pureza original. A corrente
social dá ênfase à atividade humana, em que tais elementos participam nesta
família de pensamento e procuram participar em todas as atividades da vida
social e política – privilegiando a espiritualidade ao invés do materialismo.
Por fim, a última corrente privilegia a busca de “poderes” psicológicos e
paralógicos através de ritos e iniciações específicas, valores, conhecimentos e
práticas esotéricas (BANNEL, 2006; EYER, 2016).
Na realidade a
Maçonaria é portadora de um conceito do mundo, baseado num sistema de
representação e organização potencialmente universal. Pois “o mundo moderno não
se limita a um país, uma república, uma monarquia específica, mas tende para a
construção de um templo universal, horizonte inalcançável, mas sempre presente
na mente dos utópicos que somos” (BANNEL, 2006).
Essencialmente, a
sua orientação foca e analisa novos desafios da modernidade, para trabalhar na
evolução das mentes e dos comportamentos, tanto individuais como sociais, e
propor valores e ideais sem conotações ou manipulações históricas ou
ideológicas. Quanto aos valores propostos pela mesma, o primeiro corresponde à
liberdade de pensamento, ou seja, aquela que deve resistir a todas as forças
que moldam a sociedade. Assim “a Verdade” e a “Luz” que buscam os maçons são
uma forma de assumir a liberdade universal, sempre que o sentido profundo
integre esses valores morais que permite os seus elementos combinar a razão, a
fraternidade, o livre arbítrio e o caminho pessoal. E o segundo valor proposto
é a exigência moral, pois ela tende para a universalidade (MARTINS, 2022).
Considerações
Finais
Uma das principais
preocupações da Maçonaria deve ser a rejeição do espírito de fatalismo passivo
que se manifesta nas pessoas quando as dificuldades do trabalho a realizar
parecem ser maiores do que as possibilidades de enfrentá-lo com sucesso. A
história do mundo mostra ao longo do seu curso como a vontade e o otimismo é a
lança e o escudo invencíveis na luta para alcançar suas maiores conquistas.
Cada um dos
membros das Colunas dos Templos da Ordem deve iluminar o seu espírito com a
convicção de que o homem é todo-poderoso quando o objetivo para o qual tendem
os seus esforços é o bem-estar de toda a humanidade.
A Maçonaria
encontra justificação na sua fé de que o homem pode progredir permanentemente
no seu caminho para a perfeição. A apatia conformista não deve encontrar lugar
dentro da Ordem, pois tiraria toda a razão de ser.
– Segundo a
teologia cristã, as três virtudes que permitem ao homem chegar a Deus são a fé,
a esperança e a caridade. A Maçonaria acrescenta uma quarta virtude, a da
razão, através da qual as três anteriores transformam a sua estrutura
dogmática, adquirindo uma nova dimensão que torna bom o homem que as possui,
não por imposição, mas por convicção.
– A Maçonaria
fornece o nível e o fio de prumo com os quais é possível influenciar o homem de
hoje e condicionar as gerações futuras a obterem o equilíbrio que evita as
distorções causadas pela doença do poder colonizador e impositor. Seus efeitos
perniciosos só podem ser neutralizados com sabedoria, força e beleza, que
confiram superioridade aos valores intelectuais, regulação ao poder alcançado e
qualificação ética e moral aos objetivos.
– Assim como o Homo
sapiens é um ser em fuga da sua condição animal em busca do humano, o
Maçom, Homo intellectus, deve fugir da inércia e da servidão voluntária,
para ser o verdadeiro arquiteto e construtor dessa Maçonaria inclusiva que
buscamos.
Muitas vitórias já
foram conquistadas, e outras tantas virão, mas, não sem muita luta,
perseverança e coragem para quebrar paradigmas. Visto que “Tudo tem o seu tempo
determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (BÍBLIA,
ECLESIASTES 3:1, p. 594).
Nesse momento de
mudança de época histórica da maçonaria, devemos aproveitar para implementar
uma época de mudanças que sejam capazes de tornar essa nossa Ordem uma
Maçonaria acolhedora, que sendo inclusiva é, portanto, digna de ser chamada de Família
Universal.
Ações simples,
despretensiosas, aparentemente insignificantes, são, na verdade, pontos de
partida para domínios mais amplos. Elas têm a propriedade de aos poucos
convencer, mudar modos de pensar e transformar. Sua ação é quase imperceptível,
mas sua constância e efeito cumulativo representam uma abertura para que as
pessoas, mesmo lentamente, se acostumem, resistam menos, tornem-se menos
conservadoras e mais inclusivistas, com braços e corações abertos para acolher
e serem, também, acolhidos.
– Acreditamos,
enfim, que numa Maçonaria que se prenda universal, perde em importância saber quantos
landmarks, se 3, 25 ou 54 a serem adotados como cláusulas pétreas nas constituições
maçônicas da atualidade e futuras. Mas, relevante e imprescindível é que Grande
Lojas e Grande Orientes façam alterações em suas Constituições e Regulamentos Gerais,
retirando desses documentos todas as cláusulas exclusivistas.
– Para os não
iniciados em seus mistérios, importante é que como Ordem Iniciática, a
maçonaria pode e deve manter segredo sobre suas cerimônias litúrgicas e rituais,
bem como os modos de comunicação de graus e doutrinas, e sem perder sua
essência, abrir suas portas para pessoas civilmente emancipas, honestas, de
bons costumes, sem distinção de gênero ou preferência sexual. Veja-se o exemplo
do Grande Oriente da Bélgica (GOB) já citado.
– Não faz nenhum
sentido essa divisão, criada, de Maçonaria Regular e Maçonaria Irregular. Tão
pouco que uma determinada Grande Loja dite regras de regularidade para outras
Grande Lojas ou Grande Orientes de todas partes do mundo.
– Documentos tais
como as Old Charges, Constituição de Anderson etc. podem e até devem ser citados
nas novas Constituições, mas apenas como documentos históricos.
– Para que se
tenha uma maçonaria atrativa, proativa, inclusivista, que provoque desejos de
participação, evitando-se que as pessoas digam que essa é uma instituição que
cheira a naftalina, deve-se implementar os conceitos da Maçonaria Executiva,
ainda em estudos e debates. Haverá um momento que coexistirão maçons especulativos
e maçons executivos – se é que não já esteja acontecendo –, e que aos poucos e
sempre afinados com as aspirações dos seus membros, em particular, e com a
sociedade em geral, os maçons executivos, por serem dinâmicos
substituirão, por completo a forma de se fazer maçonaria, passando da
contemplação, que leva à estagnação, à ação aglutinativa que induz à inclusão. Entretanto,
não basta mudar o nome e permanecer com as mesmas atitudes e modos de pensar e
agir, é necessária a mudança nas atitudes, caso contrário estaremos trocando
seis por meia dúzia.
Concluímos com a
frase de Luiz Carlos Silva (2022) na qual ele diz “É quase um lugar comum,
dizer que de pequenas ações podem surgir grandes mudanças. Tem sido assim ao
longa da história dos humanos e suas comunidades e não há que duvidar que assim
será em relação à Maçonaria inclusiva que buscamos. É só perseverar”.
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[1] O
autor é maçom regular, cadastro nº 5050, membro emérito da ARLS “Regeneração
Campinense, nº 02”, Oriente de Campina Grande,
Estado da Paraíba, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba;
Mestre Maçom Instalado, Grau 33º do R.E.A.A.; Past Venerável Mestre da Loja de
Estudos e Pesquisas Maçônicas “Renascença nº 1,
Oriente de Campina Grande, PB. e-mail: lcsilva304@gmail.com
