Grau
32 - O acampamento
LuCaS
Introdução
O acampamento do Grau 32 é meticulosamente organizado em torno de um eneágono, dentro do qual se inscrevem um heptágono, um pentágono, um triângulo, um círculo e, no centro deste último, uma cruz em forma de X. Essa hierarquia geométrica, que cresce de fora para dentro, simboliza os distintos níveis de evolução e desenvolvimento.
Cada forma desempenha um papel fundamental na representação dessa jornada. O eneágono, com seus nove lados, estabelece a base sólida da estrutura, evocando integridade e plenitude. No interior, o heptágono, com sete lados, reflete a busca pela perfeição espiritual e o mistério do conhecimento. O pentágono, com cinco lados, traduz a harmonia e a proteção necessárias ao progresso. Mais adiante, o triângulo, com seus três lados, encapsula equilíbrio e estabilidade. No centro de tudo, o círculo simboliza a totalidade, a unidade e a realização última do propósito. Finalmente, dentro do círculo, a cruz em forma de X marca a convergência dos esforços e aprendizados acumulados ao longo da jornada.
A Maçonaria, como filosofia livre de dogmas, reverencia a verdade e serve à luz, exaltando a fraternidade universal e a construção de um caráter elevado. A verdadeira Loja Maçônica, enquanto Escola de Mistérios, conduz seus candidatos por um caminho de autoconhecimento e aprimoramento, preparando-os para compreender os enigmas da existência.
Assim, a estrutura simbólica do acampamento do Grau 32 reflete uma progressão evolutiva e espiritual, destacando o movimento constante rumo à perfeição e à expansão da consciência. Seu design inspira crescimento contínuo, convidando cada indivíduo a aprofundar sua jornada interior e a se aperfeiçoar constantemente..
O Acampamento

O
Acampamento dos Príncipes do Real Segredo compreende-se de uma grande muralha
em forma de eneágono. Em cada lado deste eneágono, vê-se uma tenda designada
por uma letra. Esta muralha destina-se aos Maçons do 1° ao 18°, isto é, aos
Graus Simbólicos, Inefáveis e Capitulares.
Iniciamos
pela 9ª Tenda, que ostenta uma flâmula e um pavilhão azuis. Aqui acampam, sob a
direção dos respectivos Veneráveis, os membros das Lojas Simbólicas. Os adeptos
dos três primeiros Graus ocupam-se de suas atividades ritualísticas: enquanto
os Aprendizes desbastam a pedra bruta para levantar as Colunas do peristilo, os
Companheiros aprendem sobre a multiplicação pela força da associação e o efeito
útil de seus esforços, e os Mestres esperam a ressurreição do arquiteto de
Salomão, cuja morte trágica simboliza, a seus olhos, o triunfo final da luz
sobre as trevas.
Em
seguida, temos a oitava tenda com bandeira verde escura, onde se encontram os
Mestres Secretos e os Mestres Perfeitos. Os adeptos do quarto Grau, ainda em
luto pela perda de Hiram, recebem a chave simbólica que lhes permitirá
encontrar e usar os segredos do Mestre. A partir do quinto Grau, os Maçons
reanimam-se e começam a luta contra os três assassinos. O Mestre Perfeito
reconhece que deve primeiro vencer a si próprio se quiser contribuir para a
regeneração do mundo profano.
A
sétima tenda ostenta as cores vermelha e verde, onde estão os Secretários
Íntimos e os Prebostes ou Juízes (sexto e sétimo Graus). No sexto Grau, é
ensinado que a Palavra e a Pena foram dadas ao homem para serem usadas em prol
da Justiça. No sétimo Grau, os Maçons aprendem que é preciso julgar os outros
como desejamos ser julgados.
Seguindo
para a sexta tenda, com bandeira vermelha e preta em losango, temos os
Intendentes dos Edifícios (oitavo Grau). Neste Grau, é ensinado que a
Maçonaria, doutrina da Liberdade, Paz e Justiça, repudia a guerra entre
classes, assim como entre nações.
Na
tenda de bandeira preta, a quinta, encontram-se os Cavaleiros Eleitos dos IX,
os Cavaleiros Eleitos dos XV e os Sublimes Cavaleiros Eleitos dos XII (nono,
décimo e décimo primeiro Graus). No nono Grau, um Cavaleiro Eleito dos IX vinga
a morte de um dos assassinos, aprendendo que ninguém tem o direito de fazer
justiça com as próprias mãos. No décimo Grau, a perseguição continua; os dois
assassinos restantes são capturados e entregues à Justiça do Grande Rei. Não há
asilo onde o criminoso possa escapar ao julgamento de sua consciência. No
décimo primeiro Grau, após a vingança do Mestre, a reconstituição dos
Cavaleiros Eleitos dos XV demonstra que, embora os homens passem, as
Instituições permanecem, especialmente as que atendem a uma necessidade social,
como a Maçonaria. Este é o fim do drama simbólico que começou no terceiro Grau
com a morte de Hiram.
A
quarta tenda, com bandeira preta e vermelha, abriga os Grão Mestres Arquitetos
e os Cavaleiros do Arco Real (décimo segundo e décimo terceiro Graus). A toda
grande obra é necessário um comando central. No décimo segundo Grau, Adonhiram
é designado Arquiteto do Templo e, sob sua habilidosa direção, os trabalhos
prosperam. Contudo, os Obreiros do Templo ainda desconhecem o nome divino
perdido desde o Dilúvio. No décimo terceiro Grau, três corajosos Maçons descem
numa caverna profunda em busca deste nome, simbolizando uma jornada ao interior
da consciência humana. Descobrem a Palavra Sagrada, mas sem compreenderem seu
significado, levam-na a Salomão, que instituí a Ordem do Real Machado em
homenagem a eles.
A
terceira tenda, com bandeira vermelha, é onde estão os Perfeitos e Sublimes
Maçons ou Grandes Eleitos (décimo quarto Grau), que guardaram o conhecimento do
Nome Místico após a destruição do Templo por Nabucodonosor. Chega-se à chamada
Loja de Perfeito, onde termina o simbolismo do primeiro Templo e a série dos
Graus hiramitas.
A
segunda tenda, com bandeira verde-claro, assinala o acampamento dos Cavaleiros
do Oriente ou da Espada (décimo quinto Grau). A Cavalaria não morreu, apenas se
transformou, e a Maçonaria é sua herdeira. Os Cavaleiros do Oriente relembram
as lutas para reconquistar a Judéia e os exilados repatriados por Zorobabel
após o Édito de Ciro.
A
primeira tenda, marcada por uma bandeira branca salpicada de carmim, abriga os
Príncipes de Jerusalém, os Cavaleiros do Oriente e do Ocidente, e os Cavaleiros
Rosa Cruzes (décimo sexto, décimo sétimo e décimo oitavo Graus). No décimo
sexto Grau, os Príncipes de Jerusalém reerguem a Cidade Santa e se preparam
para construir o segundo Templo. Neste Grau, aprende-se sobre a dificuldade de
restaurar o Santuário da Liberdade após sua destruição. O décimo sétimo Grau
relata como, após a destruição do segundo Templo, Clarimont encontrou o túmulo
do Mestre e as Colunas J. e B., que serão utilizadas na nova edificação do
Santuário. No décimo oitavo Grau, os Cavaleiros Rosa Cruzes, possuidores da
Nova Lei, reacendem o fogo sagrado e celebram a ressurreição da natureza em
memória de Jesus. Com isso, os Graus Capitulares se encerram; agora é hora de
abordar os Graus Filosóficos ou Místicos.
Para
isso, atravessareis o heptágono para visitar os lados exteriores do pentágono,
parando junto de cada Estandarte.
O
quinto Estandarte exibe a imagem da Arca da Aliança entre duas palmeiras e duas
tochas acesas. Aqui acampam os Grandes Pontífices (Décimo Nono Grau), Mestres
Ad-Vitam (Vigésimo Grau) e os Grão Mestres de todas as Lojas Simbólicas. Com o
Colégio dos Pontífices, guardiães das tradições sagradas do Latium, evocamos as
religiões municipais das antigas cidades, que confundiam o Culto da Divindade
com o da Pátria, mas que, baseadas na concepção estrita do Poder Divino,
desapareceram com o avanço do ideal universalista. No Vigésimo Grau, os Mestres
das Lojas Simbólicas ensinam, através da prática da disciplina Maçônica, a arte
de governar, que muitos políticos acreditam possuir por intuição, mas que, na
verdade, é adquirida pela experiência e pelo estudo. Além disso, revelam o
sentido das lendas universais, cujo exemplo mais perfeito se manifesta na morte
e na ressurreição de Osires.
O
quarto Estandarte traz a imagem de um boi. Aqui ficam os Noaquitas ou
Cavaleiros Prussianos e os Cavaleiros do Real Machado ou Príncipes do Líbano
(Vigésimo Primeiro e Vigésimo Segundo Graus). No Vigésimo Primeiro Grau, os
Noaquitas, descendentes de Noé, relembram a antiga lenda do Patriarca do
Dilúvio e da Arca, ensinada pelos padres caldeus em santuários de pirâmides de
degraus, sobre as margens do Eufrates e do Tigre, muito antes de ser
pronunciado o nome de Noé ou de Israel. No Vigésimo Segundo Grau, os Cavaleiros
do Real Machado, Príncipes do Líbano, herdeiros dos Drusos, se exercitam com o
machado, a serra e a plaina sobre os cedros do Líbano, demonstrando que toda
atividade produtiva é nobilitante e que a Lei do Trabalho, longe de ser um
castigo ou proscrição, é a condição primordial da vida e do progresso em todo o
universo.
O
terceiro Estandarte apresenta uma águia bicéfala ostentando uma coroa imperial,
segurando uma espada e um coração sangrando. É o acampamento dos Chefes do
Tabernáculo, dos Príncipes do Tabernáculo e dos Cavaleiros da Serpente de
Bronze (Vigésimo Terceiro, Vigésimo Quarto e Vigésimo Quinto Graus). No mundo,
dois Tabernáculos são célebres por originar cultos estritamente monoteístas: o
Tabernáculo de Jerusalém, onde os Profetas, reagindo contra o formalismo
sacerdotal, prepararam o advento de uma Religião universalista e
espiritualista; e o Tabernáculo de Meca, onde o destruidor da idolatria árabe
proclamou pela primeira vez a frase repetida até hoje pelos Muezzins de
minareto em minareto: "Deus é Deus e Maomé é seu profeta!" O Maçom é
inimigo das idolatrias; seu verdadeiro Tabernáculo é a consciência. Aí estão as
Tábuas da Maçonaria. O Vigésimo Quinto Grau remete ao Oriente, onde o dragão
lembra o animismo chinês, que Confúcio transmitiu em uma religião de moral
prática, digna de nossos Templos.
O
segundo Estandarte traz um coração incendiado e alado, coroado de louros. Aqui
acampam os Príncipes da Mercê ou Escoceses Trinitários, os Grandes Comendadores
do Templo e os Cavaleiros do Sol ou Príncipes Adeptos (Vigésimo Sexto, Vigésimo
Sétimo e Vigésimo Oitavo Graus). Os Príncipes da Mercê, ao girar a roda da Lei,
extraem da universalidade do sofrimento a Lei da solidariedade e o dever da
abnegação; a única forma de romper o ciclo doloroso do Karma, vencendo-o com o
altruísmo até o sacrifício de si mesmo, seguindo o exemplo de Buda. Ao lado
deles, os Grandes Comendadores do Templo defendem a ação constante do espírito
cavalheiresco a serviço de uma causa. Para eles, essa causa foi a libertação
dos lugares santificados pela Paixão de Jesus; para nós, é a libertação da
Humanidade, fertilizada pelo sangue dos mártires em todas as eras e raças. Os
Cavaleiros do Sol ou Príncipes Adeptos, iniciados através do hermetismo nos
mistérios da invencível Mitra, aprendem a escalar os sete degraus da Montanha
Santa, praticando a Lei do dever, segundo a divisa dos discípulos de Zoroastro:
"Bons Pensamentos, Boas Palavras, Boas Ações".
O
primeiro Estandarte mostra um leão deitado com uma chave na boca. Aqui se
reúnem os Grandes Cavaleiros de Santo André da Escócia ou Patriarcas das
Cruzadas e os Cavaleiros Kadosh (Vigésimo Nono e Trigésimo Graus). Iniciados
nos mistérios de uma igreja primitiva, no reino de João, os Grandes Cavaleiros
de Santo André da Escócia ou Patriarcas das Cruzadas proclamam a Lei do amor,
essência da Boa Nova, e ensinam a verdade filosófica oculta no símbolo da
energia feita Carne. Os Cavaleiros Kadosh, depositários da doutrina secreta dos
Templários, após subirem e descerem os degraus da Escada Dupla que leva ao
conhecimento do Homem e do Universo, renovam o Juramento de vingar De Molay,
lutando incessantemente, com as armas da Razão e da Liberdade, contra o absolutismo
político e religioso que vitimou a Ordem do Templo. A partir daqui, a maioria
dos Maçons está armada para o bom combate. Além, restam apenas Graus
administrativos e a síntese do Real Segredo.
No
interior do pentágono encontra-se um triângulo equilátero onde acampam os
Grandes Inspetores Comendadores e os Príncipes do Real Segredo, juntamente com
os Cavaleiros de Malta que se uniram à expedição. Em cada vértice do triângulo,
veem-se um corvo, uma pomba e um fênix, simbolizando respectivamente a
inteligência, a pureza e a imortalidade. No Grau 31, os Grandes Inspetores
Comendadores, evocando memórias não da cruel Inquisição papal, mas da Santa
Vêhme, que é uma das raízes da Maçonaria moderna, afirmam que a organização de
uma justiça adequada, imparcial e independente é essencial para as sociedades
humanas.
Atingimos
o pórtico da tenda ocupada pelos Príncipes do Real Segredo, que relembram a
essência e os objetivos da Maçonaria, compartilhando o último Arcano de que são
guardiões. Além deste ponto, encontramos apenas os Grandes Inspetores Gerais,
Grau 33, que dedicam toda a sua atividade e devoção à Ordem. Eles formam o
Estado-Maior do Exército Maçônico, do qual os mais dedicados e valentes dentre
vós serão promovidos. Esses Grandes Inspetores Gerais acampam ao redor da
circunferência do círculo inscrito no triângulo. No centro deste círculo, na
interseção dos braços da cruz de Santo André, ergue-se a tenda do Soberano
Grande Comendador.
Após
revisarmos os 33 Graus que formam a hierarquia do nosso Rito, não é preciso
desvendar o significado oculto de cada um individualmente; o essencial é
considerá-los em sua totalidade e na sua interconexão.
TFA