domingo, 8 de dezembro de 2024

O QUE UM APRENDIZ ESPERA DE SEUS MESTRES

O QUE UM APRENDIZ ESPERA DE SEUS MESTRES

LuCaS


Entrar para a Maçonaria envolve preencher formulários, tirar retratos, obter certidões e ter sua vida minuciosamente investigada. Isso representa a primeira etapa a ser superada. Sendo aceito, a iniciação ocorre. Uma vez neófito, vislumbra-se um mundo novo, onde a observação, a curiosidade e a leitura reflexiva são fundamentais para começar a desbastar a pedra bruta que somos nós mesmos.

O aprendiz é como uma criança que entra no mundo e começa seu aprendizado com o balbuciar das primeiras palavras e, mais adiante, na intensa observação e imitação do comportamento de seus pais.

Meus. Irmãos, o aprendiz tem como mãe sua loja e como pai, seus mestres. Começa então uma longa jornada onde, a cada dia, lições de vida e fagulhas filosóficas lhe são transmitidas durante a abertura, transcorrer e fechamento dos trabalhos. Nos primeiros meses, o aprendiz começa a criar "calo nas mãos" e percebe que desbastar a pedra bruta é uma tarefa desconfortável que exige esforço físico e mental considerável. Neste momento, a ajuda providencial dos mestres da loja é essencial para evitar que o desânimo e a descrença se instalem, ensinando-lhe a posição correta do corpo e o modo mais eficaz de usar o cinzel e o maço. Sem isso, o aprendiz começará a conviver com a dúvida e a contestação, resultantes da falta de postura maçônica de alguns membros da loja, quer na ritualística, quer na aplicação pessoal. Ou seja: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

O aprendiz vê em seus mestres o modelo "daquele mestre" que segue o ritual; pois imagina que estes já estão completamente polidos, já transpuseram os mais altos degraus da escada de Jacó e, quem sabe, muitos já navegam em águas profundas dos oceanos filosóficos.

Sabemos que a maçonaria é uma instituição secular com suas origens na névoa dos tempos. Será que foram esses maçons do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” que preservaram todo esse manancial de sabedoria que chegou até nós? Certamente não! O G:.A:.D:.U:. encarregou-se de separar o trigo do joio, e somente aqueles maçons que suportaram e ainda suportam o peso do estandarte da maçonaria foram e serão os escolhidos para a perpetuação da Arte Real.

Os maçons de outrora eram detentores de conhecimentos eternos e praticavam uma maçonaria viva, onde os esplendores dessa ciência superavam os mais cépticos.

E agora? O que faremos nós, maçons modernos, para perpetuar este trabalho secular, sabendo que faltam homens da estirpe de um Pitágoras, de um Platão, de um Jacques De Molay e de um Gonçalves Ledo?

Meus. Irmãos, para isso acontecer, basta que cada um de nós seja maçom em toda a plenitude da palavra, praticando na loja e, principalmente, no mundo profano, a verdadeira maçonaria explícita em nossos rituais.

Se isso for feito, teremos uma maçonaria forte, idealista e sem contrastes, onde aqueles maçons do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” não encontrarão morada em nossas colunas, pois serão consumidos pela superior vibração da consciência de liberdade, do amor à pátria e do sentimento de fraternidade humana.

Por conseguinte, aquele aprendiz não terá mais desânimos nem descrenças, pois o bálsamo para o ferimento de suas mãos é o exemplo de seus mestres.

TFA

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