A Inveja e a Ânsia de Topo: Um Obstáculo à Lapidação da Pedra Bruta
Por:
LuCaS
Introdução
Na
tradição maçônica, o homem é concebido como uma pedra bruta que deve ser
lapidada rumo à perfeição moral e espiritual. Nesse processo, vícios como a
inveja e a ânsia de estar sempre acima dos demais surgem como forças que
obscurecem a Luz e impedem a construção do Templo da Humanidade. Este artigo
propõe uma análise desses sentimentos como patologias sociais e espirituais,
utilizando símbolos maçônicos e reflexões de autores clássicos para iluminar
sua crítica e apontar caminhos de superação.
A
Pedra Bruta e a Pedra Polida
A
inveja é o apego à pedra bruta não trabalhada: o indivíduo que não reconhece
sua própria missão e se perde em comparações destrutivas. A ânsia de topo é a
ilusão de que a pedra polida só tem valor se estiver acima das demais,
esquecendo que todas juntas formam o edifício. Como lembra Wirth (1990, p. 62):
“O maçom deve aprender a dominar suas paixões, pois somente assim poderá
colocar sua pedra no edifício comum.” Aristóteles (2001, p. 45) já
advertia: “A inveja é a dor causada pela boa fortuna dos outros.”
O
Esquadro e o Compasso
O
esquadro simboliza a retidão moral, e o compasso, a medida justa dos desejos. A
inveja é a quebra do esquadro: o olhar torto que distorce a realidade e julga o
irmão pelo que possui. A ânsia de topo é o compasso descontrolado: o desejo que
se expande sem limites e invade o espaço alheio. Pike (1871, p. 17) advertia: “A
força, desregulada ou mal regulada, não só se perde no vazio... deve ser
regulada pelo intelecto.”
A
Coluna e o Templo
Na
Loja, cada coluna sustenta o Templo. A inveja é a fissura que fragiliza a
coluna; a ânsia de topo é o peso excessivo que ameaça derrubar a estrutura.
Quando esses vícios dominam, o Templo da Humanidade se torna ruína. A
fraternidade só se mantém quando cada coluna cumpre sua função, sem rivalidade,
mas em cooperação. Nesse sentido, Pike (1871, p. 23) reforça: “O que fizemos
apenas por nós mesmos morre conosco; o que fizemos pelos outros e pelo mundo
permanece e é imortal.”
A
Luz e as Trevas
A
inveja é sombra que se opõe à Luz. É o véu que impede o iniciado de enxergar a
verdade e de reconhecer o valor do irmão. A ânsia de topo é treva que aprisiona
o olhar no ego, afastando-o da busca pela sabedoria. A verdadeira iniciação,
como lembra Wirth (1990, p. 75), “é a vitória sobre si mesmo.” Nietzsche
(2005, p. 88) acrescenta: “O homem invejoso é incapaz de criar; ele apenas
destrói o que não pode possuir.”
A
Crítica Cultural
A
sociedade contemporânea reforça esses vícios ao privilegiar status e
visibilidade. Debord (1997, p. 23) denuncia: “Na sociedade do espetáculo, o
ser é substituído pelo parecer.” Bauman (2001, p. 12) complementa: “Na
modernidade líquida, nada é sólido o suficiente para sustentar vínculos
duradouros.” Fromm (2002, p. 41) observa que: “O amor genuíno é a única
força capaz de superar a inveja, pois ele se volta para o outro sem desejo de
posse.”
Conclusão
A
inveja e a ânsia de topo são vícios que impedem a lapidação da pedra bruta e
comprometem a construção do Templo da Humanidade. Denunciá-los é um dever ético
e iniciático; superá-los é um compromisso com a Luz. O verdadeiro triunfo não
está em estar acima dos outros, mas em construir, junto com os irmãos, uma
sociedade justa e fraterna. Como sintetiza Pike (1871, p. 45): “Um novo
mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros.”
Referências
ARISTÓTELES.
Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2001.
BAUMAN,
Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
DEBORD,
Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
FROMM,
Erich. A arte de amar. Rio de Janeiro: LTC, 2002.
NIETZSCHE,
Friedrich. Humano, demasiado humano. São Paulo: Companhia das Letras,
2005.
PIKE,
Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of
Freemasonry. Charleston: Supreme Council, 1871.
WIRTH,
Oswald. O simbolismo maçônico. São Paulo: Pensamento, 1990.
Pike foi brilhante quando fez referência as palavras atribuídas a Jesus Cristo. Ótimo texto. Jivago de Azevedo Chaves
ResponderExcluirParabéns, Meu Irmão!!!
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