sábado, 26 de agosto de 2023

A INDUMENTÁRIA MAÇÔNICA


Por: LuCaS

INTRODUÇÃO

Indumentária, substantivo feminino, história do vestuário ou de hábitos relacionados com o traje em determinada época, local, cultura etc., conjunto de vestimentas usadas em determinada época ou por determinado povo, classe social, profissão etc., o que uma pessoa veste; roupa, indumento, induto, vestimenta, estas são algumas definições encontradas nos dicionários.

Basicamente, a uniformização da indumentária visa a harmonização do ambiente e das pessoas, gerando um clima psicológico favorável à integração e ao controle. As diversas organizações uniformizam as pessoas na busca da disciplina, do controle e da integração.

No caso da Maçonaria, a uniformização tem os mesmos benefícios já citados, além de naturalmente, os aspectos que se incluem e que dizem respeito ao uso da cor preta.

No “Ritual de Aprendiz – Rito Escocês Antigo e Aceito – 1928” adotado pela Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, no que se refere ao traje maçônico, lê-se: “O traje maçônico de costume é o terno preto, com gravata, sapato e meias, todos na cor preta, e camisa social de cor branca. Nas Sessões Magnas de iniciação é desejável ainda, o uso de luvas brancas. Em loja de Aprendiz Maçom, somente o Venerável Mestre, trará à cabeça um chapéu de feltro preto e mole; nas sessões econômicas será tolerado aos Mestre Maçons o uso do Balandrau”. E segue, “Nas sessões, todos os Irmãos deverão usar os aventais e insígnias dos Graus Simbólicos que possuírem. Oficiais usarão colares de fita de 10 cm de largura, terminando em ponta sobre o peito, com a joia do cargo. As luzes (Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes) usarão punhos de seda orlados de galão, tendo na face externa bordados, a joia do respectivo cargo. O Mestre de Cerimônias usará, quando conduzir alguém a algum lugar, um Bastão encimado com o emblema do seu cargo...”.

Alguns defendem que o traje maçônico correto é o terno escuro, de preferência preto ou azul-marinho, especialmente em Sessões Magnas, sendo tolerado o uso do Balandrau. Outros, defendem a ideia de que tanto em Sessões Magnas, quanto Econômicas, pode-se usar apenas o Balandrau.

Importante observar que, tanto do ponto de vista linguístico como do ponto de vista maçônico, preto e escuro não são sinônimos, conforme muitos querem. E, em assim sendo, toda indumentária que não seja preta, embora escura, não é maçonicamente adequada.

Segundo Castellani, o brasileiro, com a sua formação católica, de um passado recente, não se desligou, ainda, do “Traje de missa”. As instituições maçônicas dentro dessa mentalidade, ainda preconizam e algumas exigem até em Sessões Econômicas ou Administrativas, o traje formal completo e, ainda por cima preto, onde branca é só a camisa.

Devemos levar em consideração, também, que o traje masculino sofreu e sofre variações, através dos tempos, inclusive de povo para povo.

A comodidade que oferece ao usuário fez com que o Balandrau se difundisse rapidamente.

Em algumas partes do mundo, principalmente em regiões quentes dos Estados Unidos, os maçons vão às Sessões até em mangas de camisa.

O presente trabalho terá seu enfoque voltado para, roupa, Indumentária Maçônica e para alguns elementos referentes a ela.

A ROUPA E O PODER

As roupas têm uma linguagem própria, que não correspondem à linguagem verbal. Elas têm permitido, há séculos, a comunicação entre os humanos, sempre mudando o seu significado, tendo a faculdade de transmitir informação a respeito de quem somos, qual o papel social que ocupamos.

A possível necessidade do homem colocar algum coisa sobre o corpo é atribuído aos aspectos de pudor, do adorno e da proteção. Embora desconhecidas as razões, nos tempos primitivos, as soluções adotadas pelo homem foram cobrir o corpo com pelos, peles e plumas de animais, algumas fibras e cascas vegetais, para resistir às intempéries, picadas de insetos, etc.

Tanto as questões do pudor, do adorno e da proteção fazem parte do conteúdo da linguagem não-verbal do ato de cobrir o corpo.

Os historiadores se preocupam com a influência que a roupa exerce sobre a condição social, mostrando as diferenças existentes numa sociedade.

Segundo Gilda de Mello e Souza: “É sabido que a vestimenta se origina menos no pudor e na modéstia do que num velho truque de, através do ornamento, chamar a atenção sobre certas partes do corpo” e que “o homem só se desinteressou da vestimenta quando esta, devido à mudança profunda no curso da história deixou de ter importância excessiva na competição social”.

Indumentária são todos os enfeites, tatuagens, joias que se colocam sobre o corpo e, como pode ser evidenciado nas análises ao longo do tempo, será sempre um indicativo de diferenciador de classes.

As roupas têm o poder de enviar uma variedade de sinais, de quem as veste, como, por exemplo, uma pessoa de origem social modesta. Se elas têm um significado, esse é, antes de mais nada, pessoal, e exerce sobre nós uma magia. O vestir é também uma arte performática. A pessoa vestida é uma pessoa que interpretamos, as roupas servem segundo Elizabeth Wilson, para “estabilizar a identidade” ou ainda “a maneira com a qual nos vestimos pode aliviar o medo (de não sustentar a própria autonomia) ao estabilizar a nossa identidade individual”.

As roupas sempre têm um significado, é difícil imaginar uma roupa sem nenhum significado. Significados mudam, mas significados mais antigos permanecem com o passar do tempo. Como é colocado por Gilda de Mello e Souza (1987), a arte de vestir está intimamente associada aos princípios morais; ao mesmo tempo que traduz a necessidade do adorno, a roupa corresponde ao desejo de distinção social. A maior parte das leis suntuárias certifica a intenção de impedir as classes pobres de se vestirem como os nobres, visando monopolizar o poder e impedir a mobilidade entre as classes sociais.

Entre a aristocracia na Antiguidade, o costume de deixar roupas em testamento era uma afirmação do poder do doador e da dependência do donatário.

No século XIX, transformações radicais como o desenvolvimento das profissões liberais, a democracia, a emancipação das mulheres, a propagação dos esportes e as mudanças sociais fizeram com que o traje imóvel dos séculos anteriores desabrochasse na estrutura movediça que ainda vigora de hoje em dia.

Segundo a antropóloga Gilda de Castro, o vestuário é o ponto de partida na construção de identidade social ao transformar-se em referência objetiva quanto ao senso estético, princípios morais, sucesso profissional e autoestima. O Estado reconhece o vestuário como um conjunto de símbolos que indica proeminência do cargo e adesão institucional, porque define normas rígidas para o trabalho e para as solenidades para alguns servidores, especialmente magistrados, procuradores, diplomatas e militares. Oferece, inclusive, condições especiais na remuneração de tais servidores para suprir essa despesa, esperando confirmar sua autoridade diante de todos os cidadãos. Admite, portanto, que a roupa e respectivos complementos materializam poder, sucesso e seriedade, reforçando o respeito às instituições.

Também, as empresas têm interpretação semelhante, porque cobram “boa aparência” dos empregados que lidam com a clientela ou com os fornecedores.

A COR PRETA E SUA UTILIZAÇÃO NO VESTUÁRIO 

O prefixo latino para negro é niger. O vocábulo preto, originou-se do latim appectorare que significava “comprimir contra o peito” e, por sua vez, virou “apertar”, com o sentido de apertado, denso, espesso. O preto é a única cor que não tem cor, é o nada, é originária da mistura de todas as cores, conhecida na cultura ocidental como a cor da morte.

O negro é considerado uma cor paradoxal, pois ele tende a fazer um jogo duplo com o tempo, sendo usado em diferentes momentos, de diversas formas, para marcar indivíduos ou grupos, para diferenciar algumas religiões, os que estão de luto, mulheres dos homens, jovens de velhos, ricos de pobres, conforme mostra a história da evolução da indumentária, através dos tempos.

O significado da cor atribui- se à sua história. O preto teve inúmeros significados ao longo da história da humanidade, sendo o principal deles, o luto. O sentimento de tristeza, é associado sempre a uma roupa sóbria, ligando no imaginário popular a ideia de escuridão, noite e morte. Em muitas partes do mundo, a cor preta está associada aos afrodescendentes sendo que a palavra “negro” era usada para inferiorizar e identificar os povos africanos, indianos e todos os povos de pele escura.

Alguns significados da cor aparecem e se reforçam pelo uso no decorrer dos anos, como acontece com a cor negra que é extraordinária por sua “combinação de um poder simbólico e ótico”. De fato, essa cor tem um significado permanente e profundamente marcado associado às memórias das ocasiões em que foi usada. Foi no começo do século XIX, que o preto foi mais usado pelos homens como distinção entre os sexos (homens de preto, mulheres de branco), causando muita polêmica aos comentaristas da época ao alegarem que os homens estavam usando uma vestimenta da morte. A cor preta era

naturalmente associada com a roupa formal. No entanto, assim como é enfatizado por Harvey (2003): “O preto não perdeu sua gravidade ao se tornar uma cor elegante a ser usada em sociedade”.

Para Baudelaire, a explicação sobre o uso da casaca e do fraque pretos é política. Para ele, a casaca preta representa um uniforme da democracia.

Numa correspondência do Século XII entre membros do clero, encontramos argumentos em favor do uso da cor preta contra branca e vice-versa.

Um monge pode ser bom ou mau monge, usando preto ou branco (“o hábito não faz o monge”, diz o ditado popular), mas a cor tem seus significados: o branco representa a alegria e solenidades festivas, e é a cor do Cristo transfigurado. Já a cor negra, representa a humildade, penitência dor e luto. Os beneditinos eram conhecidos com “monges negros”, pelas suas vestimentas, uma vez que um dos deveres formais dos monges era vestir luto.

Nas igrejas ordinárias, o preto sempre foi usado nas missas dos mortos e nos dias de jejum penitencial.

Fora da igreja, poucas pessoas usavam o preto. No entanto, nos séculos seguintes, o negro era usado pelos médicos, os homens da lei e os advogados, mercadores, cavaleiros e escudeiros, não apenas o clero. O judaísmo e o protestantismo também fizeram uso da cor preta.

O preto era pouco usado pelos príncipes no início do século XV, à exceção nos dias de festa. Porém, o monarca Felipe, o Bom, duque de Borgonha, após o assassinato de seu pai (João Sem Medo) pelos franceses, usou preto como luto pela primeira vez e não o tirou mais. O preto usado dessa forma por ele, simboliza ao mesmo tempo, um misto de vingança e poder, uma vez que ele vingou a morte de seu pai matando muita gente, antes de confrontar e matar o assassino de seu pai.

A partir daí, o negro começou a adquirir, na moda, o valor que simbolizou posteriormente e (que tem ainda hoje), carregando em sua elegância, as sugestões concomitantes de importância e sofisticação.

Em Veneza, como nas outras Cidades-Estados italianas, a população gostava de imaginar-se em uma Nova Roma. Todos os homens notáveis, a partir dos 25 anos, vestiam no inverno ou no verão, dentro ou fora de casa, uma longa veste preta chamada de “toga”, aparentando todos serem doutores em lei. Eles vestiram o preto antes dos reis, tinham o preto como uniforme dos homens notáveis e poderosos dentro da sociedade.

Além dos advogados, outros profissionais como médicos, professores e os membros do clero, as conhecidas “profissões educadas”, vestiam o negro na Europa do século XVI. Na virada do século XVII, todos os estudantes de Direito ingleses, advogados e conselheiros do Rei, vestiam roupas talares, “togas”, pretas.

Os médicos usavam roupas talares pretas nos séculos XVI, XVII e XVIII sendo considerado como o reflexo da alta dignidade do conhecimento. Embora o preto dos médicos não tivesse o mesmo significado do preto usado pelos agentes funerários, ele tinha o intuito de ser a cor daqueles que se colocavam à frente dos mistérios da luta contra a morte. Até o século XIX os médicos ainda vestiam o preto, caracterizando a erudição, a elegância e a seriedade.

O PORQUE DO PRETO EM NOSSO TRAJE

Como sabemos, não existe “cor” Preta, e sim uma ausência de cor que forma o preto. Também podemos dizer que o Branco não é uma cor; este é composto por um conjunto de cores primárias.

Cor é Energia e Luz, segundo Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Johann Kepler, que formularam teorias a respeito das cores, em tratados mundialmente conhecidos. O olho humano está limitado para perceber as emissões luminosas compreendidas entre 400 e 700 nanômetros. Dentro da luz visível temos dois extremos: Vermelho – com 718,5 nanômetros e a Violeta com 393,4 a 486,1 nanômetros.

Podemos observar que o Violeta é a cor de mais baixa frequência dentro do espectro visível. Entretanto, como o Preto é a ausência de cor ele não está nesta escala. Mas sendo o Violeta a cor que mais se aproxima do Preto, e sendo o Violeta a cor de menor comprimento de onda, conclui-se que o Preto é ausência de cor, pois absorve todas as outras cores.

O PRETO COMO ABSORVENTE DE RADIAÇÕES

Várias são as ciências e filosofias que estudam as radiações físicas ou espirituais. Fisicamente temos um exemplo prático: os tanques de combustíveis de uma refinaria, quando acondicionam gases metano, propano e outros, que não podem ser aquecidos, são pintados na cor branca ou prata, pois esta reflete a luz solar evitando o aquecimento. Ao contrário, existem fluídos que para manterem a viscosidade suficiente para serem transportados, como o óleo lubrificante, necessitam manter uma temperatura mínima. Nestes casos, os tanques são pintados de preto para absorverem calor da radiação solar.

No campo da Astronomia, temos os chamados buracos negros. De todas as teorias formuladas até hoje, temos uma única certeza: trata-se de uma região negra onde toda a forma de radiação, independentemente de sua frequência é absorvida.

Do lado Esotérico temos várias fontes que empregam as cores como radiações benéficas. Mesmo no reino vegetal e animal, cada qual tem a sua vibração e cada vibração com a sua cor. Tudo isso ficou provado com o invento da máquina Kirlian, com o qual podemos obter fotografias das “auras” das pessoas, plantas e objetos. Essas auras são dotadas de tons e cores.

Hoje temos a Cromoterapia, que utiliza de luzes de várias cores para “curar”. Muito utilizada na era de ouro da Grécia e no antigo Egito (Babilônia), Índia e China. Hoje sabemos que a cor pode curar, acalmar ou irritar, dependendo da sua frequência.

No Espiritismo de Kardec sempre se utilizaram os passes magnéticos, que também são medidos em frequência. Portanto, podemos afirmar que os passes magnéticos também emitem cor. Da mesma maneira que atuam as cores no processo de cromoterapia, os passes atuam nos Chacras ou Centros de força.

A COR PRETA NA RITUALÍSTICA

Em nossas reuniões, dentro do Templo, muitas são as vibrações emanadas de todos os nossos Irmãos, sejam eles Oficiais ou não. Principalmente durante a abertura do Livro da Lei temos a formação da Abóbada, estabelecendo-se, nesse momento, a

Egrégora. Este é um momento em que todos nós emitimos radiações, e ao usarmos a veste preta, estaremos absorvendo todas essas energias, reativando os nossos chacras.

Se examinarmos a ritualística, em uma Iniciação, por que o candidato não está nem nu nem vestido? Entre outras razões, é para que tenha seus chacras totalmente expostos para que emita e receba vibrações. Como está com os olhos vendados, sua percepção estará mais aguçada em todos os sentidos. Receberá todas as impressões sonoras, sentirá odores e nossas vibrações.

Nossa Bolsa de Proposta, tem seu interior negro. Assim, nada do que ali for depositado “sairá”, somente nosso Venerável Mestre tem conhecimento do seu conteúdo, em primeira instância.

BALANDRAU

 Como já foi mencionado no capítulo introdutório, o presente trabalho tem seu enfoque voltado para Indumentária Maçônica e para alguns elementos referentes a ela. Com fins descritivos, torna-se necessário, antes de fazermos as análises sobre o assunto ser discorrido, Balandrau, apresentar alguns possíveis significados de um termo, que embora não sendo maçônico, será, aqui, usado para ilustrar nosso assunto em questão.

Portanto, a seguir, será mencionada uma breve série de significações desse objeto usado como indumentária, a TOGA: substantivo feminino, manto de lã, depois de linho e comprido, que servia de vestimenta nacional masculino aos romanos. Era uma peça, muito grande, de pano que se pregueava e que os candidatos às magistraturas traziam branqueadas com giz, as crianças e os magistrados bordados de púrpura e os triunfadores e imperadores, inteiramente púrpura. Modernamente, vestimenta de magistrado, advogado ou professor.

Toga viril, é a toga que os rapazes romanos passavam a usar a partir dos 17 anos, quando atingiam a maioridade abandonando a praetexta. A toga viril era branca, sem adornos nem tintura e poderia ser usada por qualquer cidadão romano em idade adulta (a noção de adolescente em Roma diverge da atual. Uma vez que se vestia esta toga, já eram cidadãos capazes de exercer os cargos da república e posteriormente do império, assim como para o serviço militar). O rito de passagem da infância para a idade adulta era presidida pela deusa “Juventas”. Antes deste momento os jovens usavam a toga praetexta, de cor púrpura, reservada às crianças e aos magistrados.

 TOGA: túnica talar preta, que os magistrados judiciais, os membros do Ministério Público e os advogados vestem quando no exercício de suas funções, perante juízes ou tribunais. Diz-se, especialmente, da beca usada pelos juízes. Por extensão, a própria magistratura judiciária. Segundo usança do século passado, a toga dos juízes tinha uma faixa branca e a dos promotores de justiça uma vermelha. O mesmo que beca. (Dic. de Tecnologia Jurídica- Pedro Nunes- 12ª Edição-1990)

BECA: veste talar preta, que os magistrados judiciais, os membros do Ministério público e advogados usam, quando no exercício solene de suas funções principalmente nas sessões dos tribunais de justiça e do júri.

O emprego do termo toga depende do ambiente em que foi utilizado. Porém, tanto no âmbito jurídico quanto no universo da moda, as definições sobre o uso da toga são referentes a propósitos semelhantes e apresentam características sinônimas. As distintas denominações atribuídas à toga (como garnacha ou beca) também não influenciam suas características básicas e primordiais.

Como exemplo de uma indumentária que surgiu nos primórdios da civilização, atravessou os tempos e permaneceu até à contemporaneidade, com algumas mudanças na cor, na forma, na quantidade de tecido, conservando porém o mesmo significado, temos a toga.

O uso da toga era propício para aparecer em público, diante dos tribunais e usada somente em tempo de paz.

No início de quando começou a ser utilizada, a toga tratava-se de um manto de lã, passando, posteriormente, a ser confeccionada em linho comprido e largo, que servia de vestimenta nacional masculina aos romanos, sendo uma peça característica da Roma Antiga, e de uso exclusivo do cidadão romano que pertencesse à classe alta, especialmente pelos Senadores e na cor branca. As togas que os romanos usavam no começo do Império eram simples e, guardadas as devidas proporções, equivalem a uma espécie de terno hoje em dia, que servia para diferenciar os romanos.

Por sua vez, os romanos a herdaram dos etruscos. Inicialmente apresentava uma forma retangular e curta. Posteriormente passou a ser semicircular, o que proporcionou um grande aumento de seu tamanho. Assim, tornou-se de difícil uso, necessitando, por esse motivo, principalmente para os romanos mais ricos, de um escravo para ajudar na tarefa de vesti-la. Existiu, para cada função, vários tipos de togas, sofrendo mudanças ao longo do Império, mas sempre resguardando o seu simbolismo, ou seja, o de diferenciador de classe social, nas relações de poder entre os grupos componentes da sociedade romana. Para os romanos, o sentido da toga se relacionava à memória dos seus ancestrais, pois era uma vestimenta própria dos oradores, dos magistrados, dos senadores.

A toga cândida era de um branco imaculado, usada pelos candidatos a cargos públicos. A toga sórdida ou pulla era a usada pelos pobres e pelo réu, quando se apresentava nos tribunais (servindo neste caso, para inspirar sentimentos de piedade). A toga trabea era usada na cor púrpura, durante os atos rituais pelos sacerdotes augures ou adivinhos.

A toga negra simbolizava o luto, o fim. A cor preta originária da tradição romana era também usada nas cerimônias solenes e magistraturas.

Cabe ressaltar que veste “talar” não significa roupa preta, mas sim roupa comprida até os tornozelos.

Em virtude de toda a sofisticação sofrida pela peça, a toga deixou de ser vestida diariamente, passando a partir do Século II a. C. a ser trajada somente pelos homens e sobre a túnica. Os primeiros romanos usavam a toga no campo. Eles faziam com ela uma volta em torno do corpo, o que sustentava a toga e deixavam seus braços livres.

Durante o Século XVII, a toga chegou a ser usada por homens de mais idade e proeminência. À medida que a moda se alterava, ela também se transformava, sem perder o seu significado. Foi abandonada ainda naquele século como indumentária pública, sobrevivendo como roupa ritual da religião e do Direito.

Geralmente é comum as pessoas julgarem a importância e o status das outras, com base no que estão vestindo. Ficou claro que uma peça do vestuário, ao longo da história da humanidade, agiu como um diferenciador de classe social, simbolizando um poder que emana da necessidade de como a sociedade quer ser vista e identificada e qual a imagem que ela faz de si mesma. A túnica e a beca prestaram relevante papel na história da roupa.

A toga, com o nome de beca, sempre na cor preta e utilizada pelos magistrados, membros do Ministério Público e advogados, no exercício de suas funções nos tribunais, tornou-se mais conhecida e notável nos tempos modernos. Também é muito divulgada por ser largamente usada pelos formandos, professores, diretores e reitores nas solenidades de formatura dos cursos de graduação.

Após esse breve comentário sobre a veste talar denominada Toga, passaremos a comentar, brevemente, o Balandrau, tão polemizado no meio maçônico, cuja etimologia vem do latim medieval balandrana, que designa a antiga vestimenta com capuz e mangas largas, abotoada na frente; e designa também, certo tipo de roupa usada por membros de confrarias, geralmente em cerimonias religiosas.

Embora alguns autores insistam em afirmar que o balandrau não é veste maçônica, o seu uso, na realidade remonta a primeira das associações de ofício organizadas (Maçonaria Operativa), a dos “Collegia Fabrorum”, criada no século VI a.C., em Roma. Quando as legiões romanas saiam para as suas conquistas bélicas, os Collegiati acompanhavam os legionários para reconstruir o que fosse destruído pela ação guerreira, usando nesses deslocamentos uma túnica negra (Castellani).

Da mesma maneira, os membros das confrarias operativas dos Franco-Maçons medievais (Séc. XIV e XV), quando viajavam pela Europa Ocidental, usavam o balandrau negro. Segundo outros autores, o uso do balandrau teve início nas funções do Primeiro Experto, durante os trabalhos de iniciação em que atendia o profano na Câmara de Reflexões (José Castellani). Para outros, como Jaime Pusch e Rizzardo Da Camino, o balandrau foi inicialmente restritivo à Câmara do Meio, no Grau de Mestre de alguns ritos, mas que depois foi aceito nos outros graus.

Kennyo Ismail, por sua vez, discorda categoricamente do nosso Irmão Castellani, quanto à origem do Balandrau. Transcrevemos, a seguir as palavras do Irmão Kennyo: “Com todo o respeito ao saudoso Irmão Castellani e suas obras, que tanto acrescentaram para a literatura e cultura maçônica brasileira, permita-nos discordar de tal afirmação. Nos parece que se trata de teoria feita de forma inversa, ou seja, apenas para justificar um costume arraigado, ao invés de buscar sua origem. Afinal de contas, não existe qualquer indício de que os membros do Collegia Fabrorum ou mesmo os maçons operativos medievais realmente utilizavam balandrau. Em que se baseia essa afirmação? A impressão é de que apenas se afirmou o uso pelos membros da maçonaria operativa para justificar o uso pelos maçons especulativos, sem qualquer fundamento histórico para ilustrar tal teoria.

Em verdade, a origem do balandrau na maçonaria é outra. Podemos dizer que herdamos o balandrau de uma instituição “prima”: A Carbonária.

Analisando a “Carta de Bolonha” e tantos outros documentos existentes do segundo milênio, vê-se claramente que já no século XI a maçonaria operativa era dividida entre os que trabalhavam com “pedra” e os que trabalhavam com “madeira”. Em resumo,

os que trabalhavam com “pedra”, que eram maiores em número e em serviços, eram os maçons operativos, dos quais somos os legítimos herdeiros. Enquanto que a Carbonária surgiu como herdeira daqueles que trabalhavam na madeira.

A Carbonária se fazia presente de forma intensa na Itália, França e Portugal, e era governada pelo General francês Joaquim Murat, cunhado de Napoleão Bonaparte e tido como rei de Nápoles. Os carbonários eram conhecidos pelo uso de uma túnica preta com a imagem do punhal de São Constantino bordada no peito esquerdo – Sim, um balandrau.

Joaquim Murat tratou de iniciar na Carbonária seu filho, “príncipe” Charles Lucien Murat. Em 1815, o príncipe Murat teve que se exilar por conta do assassinato de seu pai, vivendo então na Áustria, Veneza e por último nos Estados Unidos. Só conseguiu retornar à França em 1848. Em 1852, Murat assumiu como Grão-Mestre do Grande Oriente da França, cargo em que permaneceu até 1862.

Nesses 10 anos como Grão-Mestre, Lucien Murat realizou uma grande revolução no Grande Oriente da França, o qual cresceu como nunca em número de Lojas e notoriedade. Foi também nesse período que vários traços da antiga Carbonária foram implementados na maçonaria francesa, entre eles o uso do balandrau. Os maçons do Grande Oriente do Brasil, que tão estreitos laços possuíam e tanta influência sofriam da maçonaria francesa, a qual havia sempre servido de exemplo e fonte dos Ritos então praticados no Brasil – Escocês, Adonhiramita e Moderno – logo também aderiram ao balandrau.

Porém, em janeiro de 1862, o rei Napoleão III declara o Marechal Bernard Pierre Magnan, um profano, como Grão-Mestre do Grande Oriente da França. O Marechal Magnan é iniciado e elevado até ao grau 33 do Rito Escocês em apenas dois dias. Magnan desfaz muitas das mudanças promovidas por Lucien Murat. No entanto, o balandrau já havia caído nas graças dos irmãos brasileiros.

Uma das evidências que constata que o balandrau não teve origem no Collegia Fraborum ou na maçonaria operativa é de que é um traje totalmente desconhecido na maçonaria da Inglaterra, Irlanda, Escócia e Alemanha, países em que a maçonaria é tão antiga e originária das antigas Guildas quanto na Itália, França e Portugal, ao mesmo tempo em que esses primeiros não tiveram a presença da Carbonária em seus territórios, enquanto Itália, França e Portugal tiveram.

Com base em tais relatos e análises históricas, conclui-se que a afirmação de que o balandrau é uma herança da maçonaria operativa, apesar de valorizar simbolicamente o balandrau, é totalmente falsa. Fica evidente a influência que a Carbonária, através de Lucien Murat, exerceu sobre o Grande Oriente da França e, consequentemente, sobre a Maçonaria Brasileira, sendo o balandrau o mais visível indício disso.

Porém, não se deve deixar de concordar com o Irmão Castellani em uma coisa: a verdadeira vestimenta do maçom é o AVENTAL. Sem ele, o maçom não trabalha”. Encerro aqui a transcrição do trabalho “O BALANDRAU & A MAÇONARIA”.

Percebemos, através deste pequeno relato, que o balandrau está presente na história da Maçonaria desde o princípio, pois era uma forma de igualar os participantes e proteger suas identidades através do capuz, principalmente da perseguição da inquisição.

Hoje, a vestimenta é tolerada pelas altas autoridades das potências maçônicas e muitas lojas adotam o Balandrau como vestimenta oficial para as Sessões Ordinárias,

deixando o terno somente para as Sessões Magnas. Isto acontece muito nas cidades grandes, principalmente em função da distância casa-trabalho-loja maçônica. Outras lojas admitem o uso do balandrau somente para visitantes, desde que seja do mesmo Rito da Loja visitada.

COMENTÁRIOS FINAIS

Será que Castellani está realmente errado, e Kenniyo correto, contrariando a tese do ilustre e renomado escritor José Castellani?

Será que o errado seja o irmão Kenniyo, e o correto seja Castellani?

Será que ambos estão certos? Ou será que eles estão enganados quanto as suas afirmações sobre a origem do Balandrau na Maçonaria?

Ora, Castellani afirma que o uso do Balandrau, remonta a primeira das associações de ofício organizadas (Maçonaria Operativa), a dos “Collegia Fabrorum”, criada no século VI a.C., em Roma. Já, para Kenniyo, herdamos o balandrau de uma instituição “prima”, a Carbonária nascida na Itália, portanto, romana. Ambos são categóricos em afirmar que o uso do Balandrau, na Maçonaria, teve origem em instituições romanas, embora distintas entre si.

Longe de mim querer contrariar, ou contradizer tão ilustres escritores, mas, como pesquisador, fico a perguntar: será que eles se apoiaram em hipóteses falsas, desenvolvendo as teorias, também, falaciosas para provar suas teses?

Admitindo que o irmão Kennyo esteja certo ao afirmar que como Grão-Mestre, Lucien Murat implementou, na maçonaria francesa, o uso do balandrau, surge a pergunta: sendo a maçonaria especulativa, nos seus primórdios, um “clube” das elites cujos membros eram príncipes, duques, barões, filósofos, intelectuais, artistas renomados, enfim, da nobreza, adotaria uma roupa qualquer, despida de importância histórica ou simbolismos pela peça, para simbolizar a igualdade dos “sócios” durante as reuniões?

Talvez, seja coerente supor, por hipótese, que o Irmão Lucien Murat, que era príncipe, na intenção de a uniformizar a indumentária visando a harmonização do ambiente e das pessoas, gerando um clima psicológico favorável à integração e ao controle, adotou uma vestimenta talar masculina denominada TOGA, que era uma peça característica da Roma Antiga, e de uso exclusivo do cidadão romano que pertencesse à classe alta, especialmente pelos Senadores.

Também, não é de todo incoerente, supor que em tempos anteriores ao príncipe, a maçonaria tivesse adotado o uso da toga com as mesmas finalidades retro mencionadas, e que mais tarde, para proteger as identidades de seus membros, principalmente da perseguição da inquisição, acrescentou um capuz, que a partir de então, passou a ser identificada com o nome latino medieval “balandrana” ou balandrau, mas apenas quando usado o conjunto, isto é, vestimenta talar preta mais capuz.

Certamente que o assunto é uma questão aberta a novas investigações.

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SITES:

http://pt.wikipedia.org/wiki/preto - acesso em 23/4/2011

http://www.parana_online.com.br/canal/direito_e.../14529? – acesso em 29/07/2010

http://www.biblio.com.br/.../ruibarbosa/ruibarbosa_htm_ acesso em 29/07/2010

http://www.myfashionbubbles.com/profile/DenisePitta acesso em 04/03/2011

A movimentação Destro Centrica na visão de um aprendiz

Por Neemias Ximenes, Aprendiz Maçom, Obreiro regular da Loja Simbólica

Regeneração Campinense Nº 02, PB.  


“Melhor que ser maçom, é ser reconhecido como tal”.                                                                                      (Luiz Carlos Silva - LuCaS)


Desde que o mundo é mundo, o homem toma-se por perguntas como de

onde viemos e para onde iremos, e certamente essas perguntas ainda se

perpetuarão por muito tempo. O estudo dos astros para a tentativa de explicar de

onde viemos e para onde vamos é muito constante e comum na história da

humanidade, tendo em vista isso, o homem começou a venerar o sol ainda na

pré-história, notando que ele nascia no oriente e se põe no ocidente, o homem

começou a fazer seus planos na trajetória do sol para ficar a salvo de ameaças

selvagem. Após isso já no Egito antigo, temos conhecimento que aquele povo já

levantava-se templos para o deus sol, chamado por eles de Rá, também no Egito o

faraó Akhenaton antes conhecido como Amenófis IV, abandonou todo o panteão de

deuses egípcios para se dedicar exclusivamente ao deus sol intitulado por ele como

Aton; Akhenaton significa “aquele que louva o deus Aton”; ou seja, o caminhar do

sol e sua importância sempre foram levadas em considerações por todas as

sociedades.

Na maçonaria não seria diferente, embora não sejamos religião, estudamos a

movimentação do sol e nos baseamos nela ainda no ritual de aprendiz, e eu como

tal falarei um pouco do que venho aprendendo nesta árdua jornada de desbaste da

pedra bruta.

No REAA (Rito Escocês Antigo e Aceito) o aprendiz maçom sentado na

coluna do norte, simbolizada pela coluna dórica, a coluna de força, o aprendiz tem a

representação de estar no canto mais “escuro” do templo, quanto mais ao topo da

coluna mais “escuro” o aprendiz, que escuridão seria esta? a falta de conhecimento

sobre o ofício e sobre os meios de trabalho, o aprendiz é o primeiro a entrar no

templo (depois que autorizado) e o último a sair, pois ele precisa se esforçar mais

para aprender, embora nas corporações de ofício e antigas guildas os aprendizes

não podiam sair de suas oficinas e também não eram pagos, seu pagamento era o

aprendizado. Os aprendizes são ensinados como se portar no templo e como se

movimentar se assim for necessário. O aprendiz trabalha do meio dia à meia noite,

podendo assim simbolizar do zênite ao anoitecer quando só então o aprendiz pode

descansar para o outro dia de trabalho, o aprendiz pode notar também, que quando

ele estiver apto a elevar ao grau de companheiro, ele mudará de coluna

sentando-se então na coluna do sul, mudando assim também sua posição em

relação ao sol vindo do oriente (sabedoria). Todas as movimentações no templo são

feitas com o ombro direito voltada ao centro de forma circular, toda vez que algum

irmão precisa passar pela linha do delta, ele precisa fazer a saudação ao delta, a

menos que esteja portando um objeto, desta forma, todos os irmãos quando preciso

for mudar de lado em Loja precisam fazer esta “linha de movimentação”, não podem

por hipótese nenhuma “regredir”, ou seja não pode andar com o lado esquerdo do

corpo voltado ao centro como demonstrado na imagem a seguir.

Concluindo assim de que todo conhecimento em relação a movimentação em

loja na visão de um aprendiz maçom é dada pela trajetória que o sol faz na terra, em

relação às 24 horas do dia.

Referências bibliográficas:

Ritual de aprendiz rito escocês antigo e aceito - 1928

Matérias do National Geographic Portugal - disponíveis na internet

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A partição filosófica da Maçonaria: O Grande cisma de 1878


Considerar que o Cisma de 1878 foi um mero resultado administrativo de uma tomada de posição unívoca e uma opção retrógrada, conservadora ou ortodoxa de pensar e praticar a Maçonaria, é apenas uma das “razões” evocadas pelo argumentário de vários autores que sustentam a ilegalidade ou a ilegitimidade desse ato refundador da Maçonaria Universal, que marcou – e marca ainda nos nossos dias – a principal partição filosófica que anima dois sistemas maçónicos muito distintos de conceber e praticar a Maçonaria em todo o Mundo.

O Grand Orient de France teve, desde a sua criação em 1773 – e à semelhança de qualquer outra Obediência maçónica do Mundo – os seus próprios Estatutos. Herdados da original Grande Loja dos Franco-Maçons em França, fundada em 1738, estes Estatutos mantiveram o seu vigor administrativo durante cento e onze anos [1].

Em 1826, na esteira da Restauração, o GOF definia-se como «uma associação caritativa e filantrópica, fundada sobre o respeito das leis, da religião, do monarca e de tudo o que é objeto de veneração pública.» (Dachez, 2003). Em 1839 o primeiro artigo dos Estatutos tinha a seguinte redacção: «O objeto da Ordem dos Franco-Maçons é o exercício da benevolência, o estudo da moralidade universal, das ciências e das artes e bem assim a prática de todas as virtudes.» (Groussier, 1931).

Dez anos volvidos, em 1849, o GOF aprova a sua primeira Constituição, uma designação mais usada pelas suas congéneres europeias e americanas, que vem substituir os Estatutos fundacionais. O primeiro artigo dos Estatutos de 1839 foi, no entanto, revisto: ainda que não tenha regressado qualquer referência “ao monarca” ou a qualquer outra figura de estado, ele é aditivado com uma carga teísta sem precedentes, muito em linha com o texto constitucional saído da união da Maçonaria inglesa em 1813:

«A Franco-Maçonaria, uma instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressiva [2], é baseada na existência de Deus e na imortalidade da alma; o seu objetivo é o exercício da caridade, o estudo da moralidade universal, das ciências e das artes e bem assim a prática de todas as virtudes. O seu lema foi sempre: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.».

(Groussier, 1931)

Ainda que a última frase seja absolutamente falsa – este lema só foi acrescentado, pela primeira vez, neste mesmo texto constitucional – a revisão do primeiro artigo é, sobretudo, uma contundente afirmação interna e visa aplacar os excessos revolucionários e beligerantes de algumas Lojas parisienses, na sequência da “Revolução de Fevereiro” de 1848. Alinhada com o carácter vincadamente teísta da Maçonaria anglo-saxónica, é a versão oficial que vigorará nos conturbados trinta anos que se seguem. Este alinhamento permitiu, por exemplo, que vários Maçons franceses fossem fraternalmente recebidos nas Lojas inglesas e que, sob os seus auspícios, encontrassem condições favoráveis de exílio no Reino Unido durante a revolução e o período repressivo que se seguiu.

Este alinhamento da Constituição do GOF com a concepção anglo-saxónica da Maçonaria não visou qualquer alteração ao status quo da relação institucional entre as duas Obediências. De facto, as relações entre a UGLE e o GOF nunca foram próximas, muito provavelmente desde a origem da Obediência francesa, se atendermos ao facto de que, na sua génese, em 1738, está a forma “rebelde” com que Maçons ingleses, apoiantes da causa stuartista e exilados, cortaram relações com a sua Grande Loja Mãe, depois de negada a sua intenção de formar uma Grande Loja Provincial inglesa em França. Apesar do reconhecimento tácito da sua existência, enquanto Obediência maçónica independente, a verdade é que nem a primeira Grande Loja de Londres e Westminster nem a consequente UGLE alguma vez formalizaram este reconhecimento. Por outro lado, não é conhecido qualquer pedido de «reconhecimento do direito de soberania e jurisdição» por parte do GOF, sobretudo depois da cisão interna de 1773 e da existência de outra potência maçónica em França, desde então – a Grand Loge de France – facto que poderia ter suscitado a necessidade de clarificação [3]. Não há vestígios de troca de correspondência nem nunca houve nomeação de “garantes de amizade” ou de representantes entre as duas instituições (Gould, 1886).

Daqui se pode inferir que, num curto período de vinte e nove anos – numa história que levava cento e quarenta anos de existência ininterrupta – a atividade maçónica do GOF se alterou de tal modo que a manutenção do frágil equilíbrio das suas relações maçónicas internacionais se tornou inviável, desde logo com a UGLE, mas não só.

Ao contrário do que sustentam muitos autores maçónicos da via adogmática ou liberal, os acontecimentos que levaram à resolução de 1878 não se deveram a um qualquer retrocesso filosófico ou espiritual da concepção maçónica anglo-saxónica, nem de uma revisão “ortodoxa”, “retrógrada” ou “conservadora” dos fundamentos da Maçonaria moderna por parte da UGLE, desde logo porque esses fundamentos foram sendo plasmados e reproduzidos nos vários documentos jurisprudenciais do próprio GOF, como vimos.

Também é de duvidosa seriedade defender que a resolução de 1878 é baseada numa leitura muito restrita do célebre «Artigo I: A respeito de Deus e da Religião» de «Os Deveres de um Franco-Maçon» postulados por James Anderson (1679-1739), em 1723. Roça até os limites da honestidade intelectual pretender interpretar esse texto setecentista à luz de conceitos actuais e, numa intrincada contextualização contemporânea, nele descortinar valores de tolerância, humanismo, universalismo e pluralismo, inexistentes e impossíveis no primeiro quartel de Séc. XVIII, mormente num mosaico político-religioso tão extremado como então era o britânico.

É importante referir que, as “Constituições” que J. T. Désaguliers (1683-1744) e J. Anderson produziram “para uso das Lojas” se revestiam de uma urgência ainda mais premente: a apresentação desta “associação secreta” ao Rei, primeiro juiz do reino e chefe da igreja oficial do estado, a quem incumbia o aval da existência jurídica formal da Maçonaria junto dos poderes públicos.

É ainda absolutamente falso que a verdadeira questão da discórdia tivesse sido a diferente interpretação que as Obediências passaram a fazer – e apenas nesta data concreta? – do Grande Arquitecto do Universo. Como veremos, a questão nunca esteve na interpretação da figuração simbólica do Ser Supremo. A questão esteve sempre, está e estará no direito à iniciação maçónica ser exclusivamente reservado aos crentes (quaisquer que sejam as religiões que professem ou “com que mais se identifiquem”), nunca aos ateus ou aos agnósticos, grupo que merece, nas Constituições de 1723, uma adjetivação de agressividade particular, que também só deve ser lida à luz da contextualização da época.

A Maçonaria é herdeira das manifestações imemoriais do esoterismo ocidental e tem, como tal, dois pilares filosóficos fundamentais: o hermetismo e a gnose, sobre os quais alicerça toda a teia simbólica iniciática que partilha, juntamente com um quadro de valores morais, com as várias doutrinas religiosas teístas, sendo o valor mais fundamental a participação do Homem no Plano Superior e a relação direta e pessoal que este estabelece com Deus, o Grande Geómetra. É por via da consciencialização desta relação entre o Homem e o seu Criador que se estabelece, para todo o verdadeiro Maçom, uma definitiva obrigação, profundamente moral e verdadeiramente ecuménica: «Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo».

O contrário disto relegaria a Maçonaria, como relegou, para um clube de debate social e de intervenção política, onde o símbolo é substituído pela sua revelação, onde a iniciação perde o seu valor intrínseco de (re)ligação do plano material com o plano sagrado e adquire uma nova significação de alinhamento político, filosófico e cultural. Nesta Maçonaria o Homem não é um elemento de uma Cadeia de União Universal, com um epicentro superior e sagrado que o mantém unido aos seus Irmãos “on the level”. Nesta Maçonaria o Homem é o epicentro desta Cadeia de União, tanto quanto lhe permitir o seu livre-arbítrio individual, a sua eloquência e a sua racionalidade, quase sempre medidos em comparação ou em competição com os seus Irmãos. O que está em causa é toda a concepção de Maçonaria que está bem “(re)velada” nos dois lemas muito distintos que ilustram estas Obediências: «Brotherly Love – Relief – Truth» usado pela Maçonaria anglo-saxónica, revela um código de conduta de inspiração moral e, do outro lado, «Liberté, Égalité, Fraternité», espelha um conjunto de valores de uma determinada concepção sociopolítica, adquirida num determinado momento da sua história.

Se há alguma ilação que se pode retirar da leitura integral do texto de Anderson é que o Grande Arquiteto do Universo é Deus e, sobretudo, o único Deus que os Maçons ingleses podiam então conhecer e sobre o qual podiam escrever abertamente e que é o Deus da Bíblia do Rei Jaime, ponto fulcral da concepção anglicana episcopaliana do cristianismo trinitário, corolário negociado, doseado e decantado das tradições católica, luterana e calvinista, “encomendado” a Thomas Cranmer (1489-1556), seu principal artífice. A única “tolerância” admitida era, por essa altura, para com a variante presbiteriana escocesa e, em doses puramente secretas e exclusivamente maçónicas, com o catolicismo irlandês. Ora, é precisamente por causa deste apertado crivo religioso em Inglaterra que as Constituições abrem sabiamente o leque para «quaisquer que sejam as Denominações ou Crenças que os possam distinguir», mas obriga a uma Crença e essa tem que poder ser reconhecida. Incluir, como parte integrante do termo «quaisquer», a ausência do conceito ou a descrença é que não nos parece lícito.

Neste contexto, o “estúpido ateu” e o “libertino irreligioso”, a quem Anderson pretende vedar a iniciação maçónica, encontram perfeita consonância com a posição de um dos mais destacados membros da Maçonaria de então, ele que foi também um dos grandes vultos da Royal Society, Sir Isaac Newton (1643-1727): «A oposição à religião chama-se ateísmo quando é professada e idolatria quando é praticada. O ateísmo é tão insensato e tão odioso à humanidade que nunca houve muitas pessoas que o ensinassem.» [4].

A hipocrisia da defesa do “espírito inicial das Constituições de Anderson” como argumento, que o GOF diz querer manter puro, é posta em evidência pelas demais disposições inequívocas dessas mesmas Constituições que o GOF escolhe omitir, nomeadamente a que proíbe toda e qualquer discussão religiosa nas Lojas maçónicas (Art.º IV – “Of behaviour”). Nesse âmbito, nem sequer se compreende a existência de Lojas que defendem e se batem pela laicidade tout court e que promovem a iniciação maçónica de conhecidos defensores do anticlericalismo radical como Émile Littré (1801-1881) e Jules Ferry (1832-1893), entre outros. Também escolhe omitir as mesmas disposições constitucionais que vedam a discussão política e partidária no seio das Lojas, não havendo, pois, qualquer razão que justifique, sobretudo após o fim do IIº Império, a profunda partidarização da maioria das Lojas de Paris (Les Disciples du Progrés, Le Libre Examen, etc.), a sua participação direta em vários eventos revolucionários (n’A Comuna de Paris, por exemplo), o seu apoio declarado a partidos políticos radicais e aos Maçons seus representantes como Frédéric Desmons (1832-1910), Émile Combes (1835-1921), Jules Vallès (1832-1885) ou Élisée Reclus (1830-1905).

Alain Graesel sumariza bem o ambiente da Maçonaria francesa depois d’A Comuna de Paris:

«Après cette révolution parisienne (…) la maçonnerie allait, pour longtemps, occuper en France le premier rang du combat républicain. Sens distinction d’obédiences, sa mutation morale et politique s’était résolument accomplie.»

(Graesel, 2014, p.32).

Esta sim, é a verdadeira razão que traduz uma escolha consciente de auto-exclusão do que, até aqui, vinha sendo a construção da Maçonaria, vertida na “Moção n.º IX”. Por outro lado, a reação da UGLE espelha também um sentimento de uma certa saturação face a um conjunto de medidas internas e externas que o GOF foi tomando, algumas delas muito antes da Constituição de 1834, mas que atentavam contra a Maçonaria dita tradicional, sentimento esse que se foi exacerbando no mundo anglo-saxónico, a partir de 1813. Deste conjunto fazem parte:

  • A adopção do antigo ritual da Grande Loja de Londres e Westminster, que o GOF identificou como “moderno e progressista” e que adoptou entusiasticamente nas suas Lojas, logo em 1773. Se este ritual, único até 1756, foi usado por todas as Lojas do Mundo na sua fórmula traduzida mais pura (e nesse sentido é legitimamente apelidado de ritual “moderno”), ele só passou a configurar um Rito Maçónico propriamente dito com a criação francesa de um sistema de Graus Superiores, em 1786. A versão revista pelo Régulateur du Maçon, de 1801, tornou o Rito bem mais “francês” e bem mais “adaptado” para se tornar no “Rito oficial” do GOF, reforçado que foi no seu âmbito iluminista e no seu carácter “cívico”. Para além deste uso generalizado de um “ritual irregular”, o GOF decidira acrescentar, em 1865, mais uma linha ao primeiro artigo da sua Constituição: «Considera a liberdade de consciência como um direito próprio de cada Homem e não exclui ninguém pelas suas crenças.» [5];
  • O regresso ao seio do GOF, com algum vigor – e não apenas ao nível teórico da sua discussão – da “Maçonaria de Adopção”, um sistema maçónico misto, que admite a iniciação maçónica feminina. O “Rito de Adopção” havia sido formalmente inscrito no GOF em 1774, data da sua regulamentação, mas fora proibido e perseguido pelo GOF imperial de Jean-Jacques Régis de Cambacérès (1753-1824);
  • Acto de União entre as duas potências maçónicas, a Grande Loja de França e o Grande Oriente da França, ocorrido em 1799, deu origem a uma única e hegemónica potência maçónica que confederou todos os Maçons e todos os Corpos Rituais dos Ritos então praticados, numa dimensão impressionante e com uma dependência umbilical do poder político. No auge do Império o GOF dominava cerca de 1200 Lojas, um universo que facilmente ascendia a 25.000 Maçons. Em vésperas da Assembleia Geral de 1877, a realidade maçónica em França apresenta, pelo contrário, um confuso emaranhado de Grandes Lojas, Supremos Conselhos e outros Corpos Rituais, alianças e desavenças maçónicas e políticas, em sentido contrário ao que se estava a tentar preparar em todo o Mundo: a reorganização e a clarificação da Maçonaria;
  • O repúdio dos landmarks e a rejeição do sistema de reconhecimento extraterritorial da Maçonariamuito embora atribua a si próprio o mesmo direito discricionário, exercido com critérios de rigor duvidosos, através da concessão de cartas patentes a Lojas, Grandes Lojas e Corpos Rituais de Graus Superiores, prática que ainda hoje mantém [6];

São estas as linhas fundamentais que opõem a UGLE e o GOF e que conferem ao teor da “Moção n.º IX”, apresentada à Assembleia Geral do GOF, em Setembro de 1877, uma adjetivação máxima de discórdia, a “gota-de-água”. Relembremos o texto do primeiro artigo da Constituição do GOF, com as alterações que lhe foram dadas em 1854 e 1865:

«A Maçonaria tem por princípios a existência de Deus, a imortalidade da alma e a solidariedade humana. Considera a liberdade de consciência como um direito próprio de cada homem e não exclui ninguém pelas suas crenças».

Em absoluto alinhamento com o “agnosticismo filosófico” de Auguste Comte e respondendo ao sentimento laico generalizado da Obediência, uma Loja apresenta ao Convent uma proposta de alteração do Artigo, que foi registada na Acta como “Moção IX”:

«A Maçonaria tem por princípios a absoluta liberdade de consciência e a solidariedade humana. Considera a liberdade de consciência como um direito próprio de cada homem e não exclui ninguém pelas suas crenças».

No relatório final, Frédéric Desmons, Grande Orador do GOF e secretário da Assembleia Geral não tem outra hipótese senão concluir: «Considerando que a Maçonaria não é uma religião e que, consequentemente, não tem que afirmar doutrinas ou dogmas na sua Constituição, [a Assembleia Geral] aprova a Moção IX.» (Bernheim, 2011) [7].

A 5 de Dezembro de 1877 a UGLE nomeia uma comissão encarregue de preparar a resposta à famosa “Moção IX”. A 22 de Fevereiro de 1878 a comissão apresenta o texto com as suas conclusões e a 6 de Março de 1878 a UGLE vota a resolução, que inclui o não menos famoso segundo parágrafo, que preferimos apresentar na versão original, sem qualquer deformação que possa advir da sua tradução [8]:

«That the Grand Lodge, whilst always anxious to receive in the most fraternal spirit the Brethren of any Foreign Grand Lodge whose proceedings are conducted according to the Ancient Landmarks of the Order, of which a belief in T.G.A.O.T.U. is the first and most important, cannot recognise as “true and genuine” Brethren any who have been initiated in Lodges which either deny or ignore that belief.».

As relações formais entre as Maçonarias dos dois países só seriam estabelecidas em 1913, com o reconhecimento da nova Grande Loge Nationale Indépendante et Régulière pour la France et les Colonies Françaises (GLNIR), criada em 5 de Novembro desse ano. Édouard de Ribaucourt (1865-1936) será o seu principal obreiro e primeiro Grão-Mestre [9].

A partir destes eventos, a Maçonaria passa a adquirir duas versões muito distintas, que têm tradução nos seus rituais, na sua organização interna e nas suas formas de reconhecimento internacional: A Maçonaria Regular, que se rege pelos antigos usos e costumes, pelos landmarks imutáveis da Ordem, pelo seu compromisso teísta e pela jurisprudência maçónica, depositada em vários órgãos colegiais internacionais e, do outro lado, a Maçonaria Liberal ou Adogmática, que se bate pela intervenção cívica e política da defesa dos valores da liberdade, igualdade e fraternidade, do homem e dos estados, com base nos ideais republicanos, socialistas e laicos, confederada em algumas organizações internacionais que recusam, em teoria, qualquer forma de regulação do reconhecimento internacional.

Tiago Sousa e Silva, M M  R L Conde de Paraty, nº 155 (GLLP / GLRP)

Notas

[1] «Statuts et règlements généraux de l’ordre maçonnique en France».

[2] O termo gerou muita polémica: há, ainda hoje, quem defenda ter sido um erro de transcrição e que a palavra correta seria progressista, um termo corrente já na altura.

[3] O «Direito de soberania e jurisdição» é o objeto de facto do chamado “reconhecimento” entre as potências maçónicas regulares. Estas reconhecem este direito e não a mera existência de uma Obediência ou da existência de relações institucionais a qualquer nível.

[4] «A short scheme of the True Religion», in Memoirs of the Life, Writtings and Discoveries of Sir Isaac Newton, David Brewster, Edinburgh, 1853.

[5] Tradução de António Ribeiro, in (Kalbach, 2011, p.15).

[6] O repúdio dos Landmarks deve ser lido num contexto mais abrangente da recusa de participação do GOF no movimento internacional que, entretanto, se organizava em torno das questões da Lei e da Jurisprudência maçónicas e que definiria o conceito de Maçonaria Regular. Deste movimento destaca-se o americano Albert G. Mackey, cujas obras enformam e sustentam esta grande reforma da Maçonaria Universal.

[7] Muitos autores conferem a autoria da Moção IX a Desmons e não apenas a redacção das conclusões da Assembleia na Acta que lhe coube redigir e assinar.

[8] Apesar deste mesmo parágrafo ter sido referenciado por Robert Freke Gould, no terceiro volume da sua obra «The history of Freemasonry», em 1886, o texto integral da resolução da UGLE pode ser consultado no ensaio de Oswald Wirth, «Qui est régulier? – Le pur maçonnisme sous le regime des Grandes Loges inauguré en 1717», Editions du Symbolisme, Paris, 1938.

[9] Modificará a sua designação em 1946 para Grande Loge National Française (GLNF), que mantém os acordos de mútuo reconhecimento com as principais Obediências Regulares de todo o Mundo. Será esta a Grande Loja-Mãe da Grande Loja Regular de Portugal, que consagrará a 15 de Julho de 1991.

Bibliografia

  • Barnheim, Alain, «My aproach to masonic history», in Pietre-Stones Review of Freemasonry, (freemasons-fremasonry.com), 2011.
  • Dachez, Roger, «Histoire de la franc-maçonnerie française», P.U.F., Paris, 2003.
  • Gould, Robert F., «History of Freemasonry: Its Antiquities, Symbols, Constitutions, Customs, Etc.» Jack, Londres, 1883-7.
  • Groussier, Arthur, Constitution du Grand Orient de France par la Grande Loge Nationale 1773, Gloton, Paris, 1931.
  • Kalbach, Robert, «O Grande Arquitecto do Universo, do símbolo à fratura», Campo da Comunicação, Lisboa 2012.

 


ARQUITETURA DO TEMPLO DE APRENDIZ NO R. E. A. A. SEGUNDO THEOBALDO VAROLI FILHO

 

1. O TEMPLO DE APRENDIZ E SEU SIMBOLISMO - A Maçonaria Simbólica ou Azul é constituída de três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre. O Simbolismo é governado por instituições independentes e soberanas, denominadas Grandes Orientes ou Grandes Lojas. Estes corpos maçônicos congregam lojas maçônicas de determinadas regiões. Os graus acima do 3° são dirigidos pelos Corpos Maçônicos de cada Rito, sem interferência no Simbolismo. Porém, as lojas simbólicas, devem seguir a doutrina essencial e os métodos de cada Rito. Além disso, maçom que não pertença ou não permaneça no Simbolismo não pode pertencer a graus acima do 3°. Os graus superiores ao 3° constituem complementos e aperfeiçoamentos da ciência maçônica adquirida nos graus simbólicos.

Rigorosamente, cada grau maçônico tem o seu Templo. Como seria muito dispendioso construir um edifício maçônico dotado de compartimentos para todos os graus, usam-se determinados cenários num mesmo recinto, mediante cortinados de várias cores e diversos ornamentos.

 O edifício de uma Loja pode chamar-se Palácio Maçônico ou Oriente do lugar, bairro ou cidade. Nos saguões das estações rodoviárias e ferroviárias e nos aeroportos, quando for permitido, as Lojas de cada Oriente devem expor um cartaz que mencione o endereço da Oficina, escrito em vários idiomas, se possível.

Dá-se o nome de Templo Maçônico ao lugar principal em que os maçons trabalham. Esse lugar deve ser entendido, de modo simbólico apenas, como uma faixa entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Os trópicos são assinalados pelas duas colunas vestibulares do Templo de Salomão. JAQUIM e BOAZ (I-Reis, 7/21 e Crônicas ou Paralipômenos, II, 3/17). Embora essas colunas erguidas por Hiram ficassem no Oriente, como os dois, Obeliscos principais dos antigos templos egípcios; a Maçonaria, para facilitar uma síntese de conhecimentos, as coloca à entrada de seus Templos, isto é, no Ocidente e para simbolizar que no local existe um Oriente Maçônico. Internam-se as duas colunas no recinto secreto somente quando, por economia, se fazem adaptações numa sala, mais para, simular um átrio entre as duas colunas é a Porta. Em templo construído de modo apropriado, a internação das duas colunas é inadmissível. As duas colunas se não for possível colocá-las à entrada do átrio, como é de rigor, devem ladear a Porta e esta, por sua vez, feita no estilo salomônico, deve ser de quatro folhas, possuir um pequeno postigo e abranger, se possível, quase toda a extensão divisória do Ocidente. Abrem-se apenas as duas folhas centrais da porta, geralmente (I - Reis, 6/2 e 3 e II – Crônicas, 3/3 e 4). A Porta do Templo Maçônico existe, não para imitar propriamente o Templo de Salomão, mas para cobrir os trabalhos maçônicos, que são secretos e não podem ser vistos nem ouvidos fora do recinto (I/Reis, 6/7).

Entende-se a Loja como um parlamento ou congresso instalado no Templo de Salomão. Ensina-se, no Rito Escocês Antigo e Aceito, que essa tradição se origina principalmente dos Templários. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, fundada em 1118, passou a reger-se pelos estatutos projetados por São Bernardo. Nesses estatutos mencionou-se que símbolo principal da Ordem e de seus Cavaleiros, inclusive os das Cruzadas, era Templo de Salomão, padrão das obras perfeitas dedicadas a Deus e expressão lata da doutrina de Abraão, pacífica entre judeus, cristãos e muçulmanos. Essa ideia já preconizava um fator de fraternidade, cujo maior exemplo foi de São João de Jerusalém, ou São João Esmoler ou Hospitaleiro, lendária figura de um príncipe de Chipre, que, ao tempo das Cruzadas, renunciara aos seus direitos de sucessor ao trono, para socorrer feridos, fundar um hospital e praticar a caridade.

2. EXTENSÃO SIMBÓLICA DE UMA LOJA - Simbolicamente, Templo Maçônico é Cósmico ou Universal ou Ordem e Universo (na Grécia, "kosmos" era tudo isso). Assim, uma Loja pousa sobre uma faixa retangular representativa de qualquer parte da superfície da Terra, cujo centro é do planeta, cuja altura é Zênite, cujo comprimento é do Oriente ao Ocidente e cuja largura é de Norte a Sul, sem limites, como o Universo, a Eternidade e a Caridade Maçônica.

3. DIMENSÕES MATERIAIS OU TERRENAS DE UM TEMPLO MAÇÔNICO - Atendendo-se exclusivamente a medidas simbólicas e não aos limites externos do Templo de Salomão, a área de um Templo Maçônico, abrangendo o recinto de trabalho secreto e o Átrio, deve ser de comprimento igual, ao triplo da largura, de modo a formar três quadrados perfeitos; o Oriente, o Meio e, o Ocidente. O Átrio deve ser igual à metade do quadrado do Ocidente, eis que, entre ele e o quadrado do Oriente, deve haver uma extensão de quadrado e meio, retangular. (1 - Reis, 6/2 e 3 e II - Crônicas, 3/3 e 4).

Nem todas as Lojas podem dispor de terrenos adequados a essas áreas. Além disso, quando há frentes reduzidas, deve-se evitar que o Templo se transforme num corredor. Toleram-se, pois, medidas aproximadas ou disfarçadas, ou substituídas pelo Pavimento Mosaico, mas nunca se dispensa o formato de um quadrilongo ou paralelepípedo retangular.

Existem, ainda, as medidas chamadas sublimes ou doiradas, fundadas em pretextos pitagóricos e ocultistas e, principalmente, no padrão usado na Idade Média, pelos Maçons Operativos construtores das Catedrais. Tais medidas são baseadas na proporção de 1 de largura por 1,618 de comprimento, mas nesse caso o Oriente tem de ser apenas retangular de largura, para que o restante do recinto fique exatamente com a área de um quadrado perfeito. Essas medidas devem ser evitadas no Rito Escocês Antigo e Aceito, de tradições templárias.

4.- AS COLUNAS PRINCIPAIS – Devem ficar no Átrio, à entrada deste ou junto às paredes Norte e Sul, ladeando a Porta do Templo. Atualmente se recomenda que as duas colunas, sempre de cor de bronze, e nunca das cores vermelha e branca, da Magia medieval, tenham as características mencionadas na Bíblia (I Reis, 7/15 a 22 e Crônicas, 2°, 3/15 e 4/12 e 13). As duas colunas, babilônicas e, por conseguinte, desproporcionais, podem ser feitas também de gesso pintado, de plástico ou de madeira bronzeada, embora se entendam simbolicamente ocas. Seus motivos principais são egípcios, eis que os construtores fenícios também empregavam estilos mistos ou sincréticos. Daí as bases das colunas, sempre arredondadas, devem ser largas até certo ponto do fuste. Este vai-se estreitando um pouco até o capitel, que termina em forma de açucena, dentro e em torno da qual se colocam as redes e as romãs, estas em número de três, no mínimo. Dois globos podem encimar as colunas: a Terra e a Esfera Celeste. Na base das colunas esculpem-se folhas de papiro, ou lotos, estes, para lembrarem a universalidade e aquelas a simbolizarem o material em que se escreve para sempre e com o qual Ísis, a Grande Viúva, construiu um barco à procura dos despojos de seu marido e irmão Osíris, o que vem a ser uma configuração da eterna busca do transcendental.

Para evitar confusões resultantes de inversão da posição das colunas, recomenda-se que no fuste das mesmas não se coloquem as iniciais J e B, nem em língua pátria, nem em caracteres hebraicos. No Rito Escocês Antigo e Aceito a coluna Jaquim ou "J" deve ficar à direita de quem entra no Templo, isto é, no lado Sul. A coluna Boaz ou "B" deve ficar ao Norte, formando um par com a outra.

É condenável esculpir as duas colunas nos estilos gregos, inclusive o coríntio, que não existia nos tempos de Salomão, eis que veio a definir se na era alexandrina: O modo errado resultou de enganosas interpretações derivadas de filósofos neoplatônicos e alexandrinos da Idade Média, principalmente, dos cabalistas medievais que desejavam fundir as ideias da Cabala com a filosofia grega.

5. CARACTERÍSTICAS ARQUITETÔNICAS E FUNCIONAIS DE UM TEMPLO MAÇÔNICO - Desde que se respeitem as regras do Simbolismo Maçônico, nada impede que um Templo e seus compartimentos sejam construídos e ornamentados de acordo com a Arte sempre atualizada e os requisitos mais modernos

 Assim, as antigas velas podem ser substituídas por lâmpadas elétricas, salvo quando o rito, em certas práticas, exigir o velho costume. Todo o sistema elétrico de iluminação deve ficar sob o comando de um painel, ao cuidado do Irmão Arquiteto ou de outro Obreiro, de maneira que as luzes se apaguem ou se acendam nos lugares devidos e conforme o ritual. 

Por sua vez, a decoração deve ser entregue a artistas especializados. Não há apegar-se a mitos, como o de não se admitirem janelas num Templo Maçônico. Basta fazer com que as aberturas não permitam que do exterior se veja o recinto, ou algo se escute dos trabalhos sigilosos. Permitem-se cúpulas altas e fenestradas, de janelas oblíquas, que aproveitem a luz do Sol poente e nascente, como no Templo de Salomão. Vitrais na Abóbada e no alto das paredes podem representar a Esfera Celeste. Um vitral circular, no alto do teto, facilita a representação das Constelações e a pintura dos Signos Zodiacais, ao redor.

As paredes e o teto do Templo de Aprendiz devem ser azuis-celestes e estrelados rigorosamente de acordo com o Mapa Celeste, como se apresenta no padrão das cosmografias. Para se cumprir uma tradição do escocismo deve permitir-se que a decoração, e não a cor seja dominantemente vermelha e restrinja-se aos cortinados, à tapeçaria em geral, às almofadas e a certos ornamentos. As Lojas que ainda mantêm a cor vermelha nas paredes devem conservar a pintura tradicional.

Estrelar o teto do Templo é apenas uma lembrança dessa maneira de decorar adotada no antigo e majestoso Templo de Luxor, dos egípcios. Paredes e teto simplesmente azuis-celestes satisfazem o ritualismo maçônico, desde que se representem na Loja o Sol e a Lua e, entre estes dois astros, a Estrela Flamígera. É essa a verdadeira posição dos três símbolos, embora se admitam variações.

Também se pode decorar o céu da Loja assim: no centro do teto, três estrelas da constelação Órion; das mesmas ao nordeste, às Plêiades, as Híadas e Aldebaran e; na posição adequada, Regulus, de Leão; ao norte, a Ursa Maior; a nordeste, Arcturus (vermelha); a leste, a Espiga, da Virgem; a oeste, Antares; ao sul, Fomal-Haut; os planetas Júpiter e Vênus, respectivamente, no Oriente e no Ocidente; Mercúrio, perto do Sol e Saturno, próximo a Órion. O Sol se deslumbra no Oriente, com a claridade da Aurora. É o Dia. Ao passo que a Lua, no Ocidente, num fundo escuro e ornado de nuvens discretas, dispersas e calmas, representa a Noite. É aproveitável também a ideia de se projetarem estrelas, planetas e satélites no teto da Loja, por meio de aparelhos refletores.

A Maçonaria Oculta chama de Estrelas Principais, as três de Órion, as cinco Híadas e as sete das Plêiades. Aldebaran, Arcturus, Regulus, Antares e Formal-Haut são denominadas Estrelas-Reais. 

Também se usa pintar o Hemisfério Celeste correspondente ao local, ou toda a Esfera Celeste, no padrão cosmográfico. No Brasil é tradição aparecer principalmente o Cruzeiro do Sul.

As estrelas podem também ser esculpidas ou representadas por pequenas lâmpadas ou pontos luminosos. 

6. O PAVIMENTO MOSAICO - Rigorosamente e como exige a Maçonaria Clássica, é todo o chão do Templo, inclusive o do Átrio. Os antigos rituais do escocismo ora o mencionavam, ora não. No escocismo, ele é o ladrilhado branco e preto, mas em diagonal e não como um tabuleiro de xadrez. Os ladrilhos devem ser de tamanho que proporcione a medida dos Passos Regulares, que no Rito geralmente são seguidos com os pés em Esquadro abertos para a frente, isto é, da maneira mais natural. Entre outros significados que serão explicados em Instruções, o Pavimento é o caminho de Pedras Lavradas em que se firmam os passos daqueles que se livram das trevas, e de um mar de lama (Bíblia, Salmos, 40/2 ou, na Vulgata, 39/2).

O Pavimento é Mosaico, não por se assemelhar a uma figura de pedras justapostas, como as obras assim chamadas, mas pelo fato de existir uma lenda pela qual Moisés teria assentado pedrinhas coloridas no chão da Tenda que abrigava o Tabernáculo (Pavimento Mosaico, de Moisés ou judaico).

Quando não se puder revestir todo o chão da Loja com ladrilhos brancos e pretos (ou madeira clara e escura), procura-se assoalhar da mesma maneira a faixa de passagem entre o Oriente e a Porta do Templo. O uso de tapetes não é conveniente, a menos que a Loja seja obrigada a funcionar em recintos adaptados.

7. A ORLA DENTEADA - Contorna todo o Pavimento Mosaico e não deve interromper-se, razão pela qual deve ser como uma guarnição junto às paredes e ao longo da Porta do Templo. Em não sendo possível tal disposição, ela deve figurar no alto das paredes, à altura da Corda de Nós.

8. A GRADE DO ORIENTE - É uma balaustrada ou um pequeno muro que separa o Quadrado do Oriente, distinguindo-o do resto do recinto. Deve ser interrompida num espaço igual ao da faixa de passagem central e, para não encobrir a Orla Denteada, deve ser lateralmente um tanto separada das paredes Norte e Sul. Pode ser ladeada de colunas proporcionais, diferentes daquelas que já estão representadas na Loja, isso para completar as cinco ordens clássicas: Dórica, Jônica, Coríntia, Compósita e Toscana.

9. O ORIENTE E O TRONO - É de bom gosto construir o fundo do Oriente com uma parede curva e projetada sobre o lado extremo do Quadrado. Isso realça do Trono de Salomão, no qual tem assento exclusivamente o Venerável ou o Grão-Mestre, sem exceção, O Trono fica sob majestoso dossel, cujo alto nunca deve ser como um pálio ou um toldo de cobertura, mas um discreto ornamento, como uma coroa cortada ao meio e da qual pendam cortinas de veludo vermelho, de tal forma dispostas que não cheguem a cobrir o Retábulo ou Painel do Oriente. Todo o dossel, com seus cortinados, pode ser uma escultura de gesso ou de argamassa devidamente suportada. Se não for possível a colocação da Estrela Flamígera no alto e no meio do Templo, entre o Sol do Oriente e a Lua do Ocidente, o emblema deve ficar no alto da pequena cobertura do dossel, ostensivamente e no lugar onde; de um modo geral, figuram o Compasso e o Esquadro cruzados em torno da letra "G".

Atrás do Trono e junto à parede está o Retábulo ou Painel do Oriente, de fundo azul-celeste emoldurado de vermelha e dourado, como os ornatos do dossel, e ladeada de duas meias-colunas, ou Salomônicas (espiraladas), ou, preferivelmente, jônicas (Sabedoria). O fundo também pode ser liso e moderno, com as figuras pintadas ou incrustadas na mesma superfície da parede. O Triângulo Radiante, equilátero e de base horizontal, como o imaginou Xenócrates e outros para representar a Divindade, deve ser a figura central e luminosa, se possível. Para que jamais seja encoberto pela pessoa do Venerável (mesmo de pé), deve ser numa altura conveniente, entre o Sol (Osíris, Atividade, Sabedoria etc.) e a Lua (Ísis, Passividade, Amor, Reflexivo etc.), o astro-rei do lado do Orador da Loja e o satélite do lado do Secretário. Se o Templo foi construído quando o Orador se sentava ao Sul (o que estava mais certo), deixa-se a configuração.

No interior do Triângulo Radiante ou Delta Sagrado há um Olho Esquerdo - O Olho Onividente, a Verdade d'Aquele que É, Foi e Será. O símbolo também lembra Horus, o filho da Viúva Ísis, aconselhado por seu pai Osíris a lutar pela Verdade, contra o Mal (Set ou Tifão). É permitido, porém, substituir o Olho Que Tudo Vê pela figura da Estrela Flamígera, com a letra “G”, no centro, ou, simplesmente, pela letra IOD, do Tetragrama hebraico, ou, mesmo, pelas quatro letras IOD-HÉ-YAU-HÉ gravadas à maneira hebraica, inversamente ao modo ocidental.

O Oriente de um Templo Escocês deve ser mais alto. Sobe-se a ele por quatro degraus à entrada da Grade, ou por um só degrau. Porém, essa regra não é mais obrigatória, diante da arquitetura maçônica funcional e moderna, que tem apresentado Templos de um só plano muito mais bonitos. O importante e indispensável é que o Trono do Oriente esteja sobre um plano de três degraus. Por outro lado, é absolutamente rigoroso que a Cátedra do Trono seja isolada e distinta das demais, que a circundam, ainda que possam ficar num mesmo plano. Para melhor efeito a parte da mesa destinada ao Venerável deve ser mais alta do que as partes laterais, tudo na devida proporção.

10. PEDRA, CEDRO DO LÍBANO e OURO - São representações que jamais podem faltar num Templo do Simbolismo Escocês, para o qual, esotericamente, a Pedra representa Estabilidade, o Cedro a Vitalidade e o ouro a Espiritualidade. Releva-se que o Templo de Salomão continha esses três elementos principais, que a Maçonaria substituiu simbolicamente por Pedras Lavradas ou Mármore, Madeiras de Lei e ornatos dourados.

11.  MOBILIÁRIO E OUTROS ORNAMENTOS DE UMA LOJA DE APRENDIZ-MAÇOM - Em que pese à tradição, em Loja Maçônica usam-se cadeiras confortáveis para todos, e não mais os incômodos bancos de Aprendiz e Companheiro, de antigamente. Também já está em desuso construir o Oriente, o Norte e o Sul em planos mais altos. Basta que se suba ao Trono do Oriente por três degraus, ao altar do 1° Vigilante por dois degraus e ao do 2° Vigilante por um só degrau. Convém que o Trono e esses dois altares estejam sobre planos circulares ou semicirculares, com degraus do mesmo formato e com todo o conjunto (de Cátedra, Mesas e estrados) devidamente separado, para facilitar a circulação dos Obreiros.

A Loja é governada por um Triângulo de Três Mestres ("tres faciunt collegíum"): o Venerável Mestre, o 1° Vigilante e o 2° Vigilante, que ocupam, respectivamente, o Trono, o altar norte - ocidental, ao lado da faixa de passagem, e o altar situado no Sul, no meio dos Obreiros e de frente para o Equador, isto é, num Meridiano imaginário ou Meio-Dia. Os três titulares são portadores do Malhete, símbolo de autoridade democrática e evolução do antigo cetro real. 

A mesa do Venerável pode ser comum, retangular ou mais elevada no meio, e pode possuir um complemento frontal de forma prismático - triangular, a apontar para o Ocidente, o que dispensa o chamado Altar de Juramentos. Mesa (altar-mor) e Cátedra ficam sob o dossel. A Cátedra é de espaldar alto, esculpido de motivos maçônicos na cabeceira (Esquadro e Compasso entrelaçados, etc.). Pode-se ladear o espaldar com duas molduras salomônicas ou jônicas, o que empresta mais simbolismo ao conjunto. A mesa pode ostentar na face frontal o Esquadro, que é a joia do Venerável. Diante da face frontal sul da mesa, verticalmente e fixado num pequeno cavalete preso ao último degrau do Trono, coloca-se um quadro que contém a Carta Constitutiva da Loja e, no lado norte, igualmente disposta, coloca-se a Prancheta, gravada com as Paralelas Cruzadas e o X de ângulos opostos pelo vértice, expressões do limitado e do infinito, que servem à composição do Alfabeto Maçônico. Sobre a mesa deve haver sempre, além do Malhete, a Espada Flamígera (de lâmina, serpeante ou de fogo, prevista no Gênesis ou Bêrezith, 2/24), e, mais, o material de escrita, um volume dos rituais simbólicos e outro de todas as leis e regulamentos maçônicos vigentes. Se a mesa não possuir molduras de meias, colunas jônicas (Sabedoria), sobre ela pode estar pousada uma miniatura correspondente. É de bom gosto e muito simbólico ostentar ao norte do trono uma estátua de Minerva, cuja imagem também pode ser pintada à moda acadêmica ou por filamentos, em local conveniente da parede oriental. Se a mesa servir de altar de Compromissos ou de Juramentos, como tem servido originalmente, devem estar sobre ela um Livro da Lei Sagradas (Bíblia, ou o Código Moral da religião do iniciado), o Esquadro e o Compasso. Tal disposição deve ser adotada para aqueles cuja crença não admita a genuflexão, embora esta, no Rito Escocês 'constitua uma tradição haurida dos Cavaleiros do Templo, ao serem consagrados.

Para as ocasionais genuflexões (somente em iniciações), coloca-se no Oriente, diante do altar do Venerável, mais um pequeno móvel de superfície triangular, quadrada ou circular, de mais ou menos 60 cm. de altura. Trata se do Altar de Juramentos, já consagrado pelo uso e como complemento do altar frente ao Trono. Pode-se assentar a parte útil sobre uma coluna jônica, baixa, o que dispensa o mesmo ornamento na mesa do Venerável. Convém, entretanto, que esse altar contenha uma parte frontal ou face, ostensiva, na qual figurem o Círculo Entre Paralelas Tangenciais e Verticais e a Escada de Jacó, como os símbolos ascendentes das Três Virtudes: Fé, Esperança e Caridade, (Cruz Grega. Âncora e uma Lâmpada antiga, de bico, ou um Cálice ou Graal de comunhão e Amor ao Próximo). No topo da Escada há uma Estrela de Sete Pontas. O Círculo entre Paralelas verticais sugere que o Sol não transpõe os Trópicos, lembrando ao Maçom que a Consciência religiosa de cada Irmão é inviolável. Lembra também a antiquíssima tradição de se comemorarem os inícios do Verão e do Inverno, em festas que as Corporações medievais inclusive a dos Pedreiros Livres, passaram a realizar nas datas de S. João Batista (24 de junho) e São João Evangelista (27 de dezembro). As grandes reuniões maçônicas são feitas nessas datas. Há lembrar, mais, que por Loja de São João deve entender-se uma tríade pelos dois santos e mais o já citado São João de Jerusalém (excluído da liturgia católica). Não há qualquer configuração religiosa nessa tríade. O motivo maçônico é puramente histórico. Quanto às Paralelas, representam, além dos trópicos de Câncer e de Capricórnio, Moisés, que instituiu o Governo da Lei e não dos homens, e. Salomão, o Pacífico e Sábio, construtor do Templo que evoluiu da Tenda. No escocismo, principalmente, as paralelas representam João, o Batista e Precursor, e João, o Evangelista, Seguidor e Pregador. Num Templo Maçônico falam todos os símbolos e todas as partes.

O Círculo entre Paralelas e a Escada de Jacó podem ser esculpidos na face frontal da mesa do Venerável, se for plana a superfície. Ou podem ser discretamente pintados no Retábulo. Ainda, podem constar de um Painel Alegórico, Semelhante ao de Harris (do século passado).

Os altares do Venerável e dos Vigilantes levam cada qual um candelabro tríplice, cujos focos ou lâmpadas se colocam à maneira de três pontos ou vértices de um Triângulo Equilátero. Os candelabros podem ser postiços e cambiáveis e colocados livremente em posições que impeçam incômodos à visão dos titulares e dos circunstantes; razão pela qual eles podem ser colocados atrás das Cátedras ou um pouco abaixo da face frontal de cada mesa, com os focos de intensidade luminosa bem fraca. Cada altar como todas as mesas de ofício, deve ter também um quebra-luz baixo que ilumine apenas a superfície útil do móvel e não difunda luz quando o Templo represente as Trevas. As Cátedras se assemelham.

A joia do 1º Vigilante é o Nível Maçônico, que tem a forma de um Esquadro ou ângulo reto superior, de cujo vértice pende um Prumo a cair no ponto meio de uma hipotenusa mediana. O instrumento é Esquadro, Nível e Prumo ao mesmo tempo, e nunca deve ser substituído por nível de bolha de ar. A joia pode ser esculpida na face ostensiva da mesa e, se esta for prismático - triangular, nas duas faces dianteiras. Importante é que haja a Coluna Dórica (Força, Poder) representada sobre a mesa ou nas quinas, ou à frente, baixa, a substituir o suporte da Pedra Bruta. Esta joia fixa deve ser acompanhada de um Maço, ovoide ou cilíndrico, de madeira e de um Cinzel ou escopo de ferro. Ao lado do titular, se já não existir a figura correspondente na parede do Norte, costuma-se colocar uma estátua de Hércules (Força), mas de maneira estética, ostensiva e não prejudicial à circulação dos Obreiros. Além disso, o 1º Vigilante tem ao seu lado o "Lugar Seguro", no qual se recolhem os instrumentos de trabalho da Oficina. Esse lugar pode ser de g vetas da mesa, se esta for ampla, ou de gavetas disfarçadas nos degraus dos dois estrados, ou de um pequeno armário lateral, a noroeste.

A joia do 2º Vigilante é o Prumo, que também é representado nas faces da mesa ou altar respectivo, no qual se inserem ou 'se acrescentam também, configurações da Coluna Coríntia (Beleza), se esta não estiver sobre a mesa, ou não servir de suporte à Pedra Cúbica ou ao Silhar (Pedra Cúbica Piramidal). Esta 2ª joia fixa deve ser acompanhada de um esmeril de pedra. A superfície em que se apoia simula pó de pedra, de mármore, ou areia colada. Uma estátua de Vênus ou de Apolo ladeia o Altar, se a figura já não estiver representada na parede do Sul.

São chamadas joias fixas e irremovíveis a. Pedra Bruta; Cúbica e a Prancheta, as quais, a rigor e se possível, devem ser cobertas, nas sessões brancas, com panos quadrados, de pano, vermelho e, nas sessões fúnebres, com panos pretos ou de crepe.

O Esquadro (Venerável), o Nível (1º Vigilante), e o Prumo (2º Vigilante) – são chamados joias Móveis, eis que se transmitem aos sucessores dos titulares.

Também ocupam mesas e respectivas cátedras o Orador, ao norte do Oriente e próximo à Grade e o Secretário, à frente dele e a sudeste, ambos nos limites da faixa longitudinal de passagem; por sua vez, aquém da Grade, ao Norte e ao Sul respectivamente e pouco distante do Orador e do Secretário, apenas s parados do Oriente, ficam os altares ou mesas do Tesoureiro e do Chanceler.

A mesa do Orador é esculpida na face frontal com vários motivos que lembrem a Lei e a Justiça, o símbolo das Doze Tábuas romanas ou do Decálogo hebraico, ou uma "rota" babilônica (Octada-Sol) que lembre as leis concedidas a Hamurabi, ou a Dungi. Uma balança por cima de um livro aberto é o mais comum. Sobre a mesa do Orador, além do material de escrita; devem ficar um volume completo das leis maçônicas vigentes, inclusive as do Regulamento da Oficina, um volume de rituais e uma coletânea dos Atos e Decretos do Grão-Mestre.

A mesa do Secretário deve ter o emblema do ofício - duas penas sobre um livro, ou num baixo-relevo, a figura do deus Nebo - o escriba do Universo, ou uma reprodução do Escrivão Egípcio.

A mesa do Tesoureiro ostenta duas Chaves Cruzadas ou uma chave sobre um cofre. Por sua vez, a mesa do Chanceler é esculpida frontalmente, e a figura é um Timbre ou Selo.

Não há obrigatoriedade de se colocarem castiçais de um só foco nas mesas do Orador, do Secretário, do Tesoureiro e do Chanceler. Um quebra-luz baixo é quanto basta.

As Três Grandes Luzes Emblemáticas - Livro da Lei Sagrada, Esquadro e Compasso - devem ficar sobre o Altar de Juramentos.

O Mestre de Cerimônias e os Diáconos usam bastões de madeira escura natural. Para o primeiro, o topo do bastão é ornado com o Esquadro e Compasso entrelaçados em torno da letra “G”, e com uma régua logo abaixo do emblema. Os dois últimos usa bastões ornados no. Topo com a Pomba Mensageira ou um par de asas mercurianas. Há variações. A direita de cada titular deve haver um suporte para cada bastão. No Rito Escocês as emblemas são doirados.

Rodeia a alta das paredes do Templo uma Corda de 81 Nós (equidistantes) natural ou esculpida, com o nó central no alto do Trono ou do dossel e quarenta nós de cada lado espalhados na direção nordeste-norte e sudeste-sul, até que as extremas terminem, ladeando a Parta, por duas Borlas. No Oriente também se adaptam à Corda, nos cantos, duas outras Borlas. Quando há somente duas Borlas, uma representa a Prudência e a outra a Justiça. Quando há Quatro Borlas; as do Oriente são a Prudência e a Justiça e as do Ocidente são a Temperança e a Coragem.

Além da Corda, pode percorrer as Paredes do Templo, até se fechar no Alto da Parta, uma Cadeia de União a lembrar a corrente de ferro com que os Pedreiros Operativos firmavam as paliçadas ou tapumes dos "canteiros”. Tanto a Corda de Nós, como a Cadeia têm significados esotéricos semelhantes, inclusive o da união dos maçons espalhados pelos quatro cantas da Terra.

Se os signos do Zodíaco já não estiverem representados em torno da abóbada do Templo, podem configurar-se por doze meias colunas, nas paredes, ou seis ao Norte e outras seis ao. Sul, ou como a descreverem um "U", com a curva no Oriente e as pontas no Ocidente, ou, ainda, duas no Ocidente, quatro ao Norte, quatro ao Sul e duas no Oriente. A comodidade e os espaços exigem, porém, que elas não sejam colocadas no fundo do Oriente. A ordem dos signos é feita à maneira de quem escreve um "U" do Norte ao Oriente e do. Oriente ao Sul. Segue a posição aparente ou real dos signos, mas é importante que Câncer fique ao Norte e Capricórnio ao Sul, acompanhando a linha dos Trópicos. As meias colunas podem ser compósitas, para se diferenciarem das demais existentes no Templo, onde se configuram sempre as cinco ordens arquitetônicas.

No Oriente há dois mastros munidos de carretilhas corrediças ou de um orifício. Superior a do Norte, verde-amarela, serve para a Bandeira Brasileira. O do Sul serve para o Estandarte da Oficina, que é levantada pelo respectivo oficial, ou recolhida, simultaneamente à declaração de que a Loja está aberta ou fechada.

É de uso maçônico brasileiro erguer o. Pavilhão Nacional em Sessões Magnas, mas a verdade é que essa prática não tem aceitação universal, embora o maçom cultive o Amor a Pátria. Para honrar a Bandeira, basta aos maçons erguê-la, com solenidade de acordo com as normas legais, à frente do Edifício Maçônico e durante o dia. Permite-se, porém, que o Pavilhão Nacional ingresse no Templo, como o último a entrar e o primeiro a sair, o que se faz com as solenidades previstas nos rituais. Porém, isso deve praticar-se exclusivamente em Sessões Brancas e comemorativas de Datas Nacionais e, excepcionalmente quando se consagra um Templo novo, ocasião em que o Pavilhão, já no seu mastro e arriado, é levantado lentamente, ao som do Hino Nacional, para permanecer assim até que se realize a primeira sessão regular da Loja.

Não é lícito pendurar estandartes nas paredes da Oficina.

Bem a sudoeste da Loja deve haver um móvel com uma jarra Judaica e uma miniatura do Mar de Bronze (I - Reis, 7/25 e II - Crônicas, 4/15). As mãos do iniciando em certa oportunidade, são lavadas nesse mar, que muitas lojas substituem por uma bacia artística. O mar pode ser de gesso e pintado de bronze.

Bem a noroeste deve haver uma espécie de altar de Perfumes, que é levado ao meio do Templo quando este é inaugurado, mas que também pode servir para a simbólica purificação pelo fogo. Permite-se que ele seja munido de filamentos e resistências elétricas, para produzir calor razoável, como um aquecedor, mas de modo que não se danifique com a queima de incenso e outros ingredientes.

Um Tapete Alegórico de cada grau simbólico, de forma retangular (proporção 1x1,618), e de modo, a deixar espaço em todo o seu redor, deve ser colocado sobre o Equador da Loja e a partir da posição do 2º Vigilante, mas isso deve ser feito pelo 2° Diácono, de passagem, quando se declara aberta a Loja. Fechada a Loja, O Tapete é coberto ou retirado, simultaneamente à declaração de fechamento.

O Tapete pode ser substituído por um quadro deitado ou pendurado num cavalete.

É em torno desse Painel que os Obreiros fazem a Circunvolução, na forma indicada nos rituais. Importante é que os desenhos sejam emoldurados pela Orla Denteada, com as Quatro Borlas nos cantos, e nos pontos-médios dos lados, com as iniciais dos Quatro Pontos Cardeais.

12. O ÁTRIO - É o compartimento vestibular do Templo. É nele que se colocam as duas colunas “J” e “B”, como manda a regra mais acertada. O seu chão é também branco e preto, mas pode ser como um tabuleiro de xadrez. Pisos de madeira, dispostos em quadrados claros e escuros, satisfazem à exigência.

O Átrio dá para os demais compartimentos ou corredores do Edifício Maçônico, sendo possível; deve ter uma porta ao Sul, a qual dá para uma Escada Caracol que vai para a Câmara do Meio, no andar superior (lI - Reis, 6/8).

Embora o Átrio, deva ser vazio, é costume colocar no seu recinto um dispositivo de guardar as Espadas ou Gládios Maçônicos e os bastões denominados “estrelas".

Por via de regra a espada maçônica deve ter o elmo cruciforme, com o cabo roliço e ornado do Esquadro e Compasso com a letra “G”, e os dois ramos terminados com as “volutas” da coluna jônica. A lâmina tem dois gumes, mas não deve cortar. Uma saliência mediano longitudinal percorre as duas faces da lâmina, esta sempre muito bem niquelada ou Cromada. Infelizmente; os maçons não têm usado bainha e cinta, o que é de rigor. Por isso, é mais comum que o Arquiteto coloque as espadas nos espaldares das cadeiras situadas no meio do Templo. No Rito Escocês a bainha da espada é dourada, ou de couro preto ou plástico, e fica ao lado esquerdo do corpo do Obreiro. Espadas devem sempre ser empunhadas na mão direita. Por outro lado, é proibido fazer sinais com elas.

Chamam-se "estrelas" os bastões de cor azul-celeste e de altura aproximada de 1,90 m., com um foco luminoso no topo, ou uma estrela brilhante, de cinco pontas. Ainda se, usam velas, para os focos, mas a prática moderna não deve ser essa a melhor é ajustar uma estrela, ou colocar no topo do bastão o dispositivo de uma lanterna fina de pilha seca e de maneira que a lâmpada fique livre.

As estrelas servem às comissões de recepção, em certos casos e conforme o ritual.

Certas recepções são feitas com "abóbada de aço", formada de espadas cruzadas no alto. É proibido, nesse caso, bater ou vibrar as espadas, como nos falsos costumes de algumas lojas desavisadas.

13. A SALA DOS PASSOS PERDIDOS - Além de outros compartimentos destinados aos próprios misteres sociais, o Edifício Maçônico tem uma sala de recepção, denominada Sala dos Passos Perdidos, mobiliada e de paredes decoradas de quadros ou galerias de retratos de maçons ilustres ou dos que se sucederam no Governo de uma Loja. A sala, além das cadeiras de espera, deve ter uma mesa ampla, sobre a qual devem estar, antes das sessões, o Livro de Presença dos Irmãos do Quadro e o Livro de Visitantes.

14. O SALÃO DE BANQUETES - Junto a uma discreta cozinha e de portas sempre fechadas, sem prejuízo da necessária ventilação pode haver nos Edifícios Maçônicos um salão de banquetes, para os ágapes tradicionais ou ritualísticos. A mesa, longa deve ter- a forma de "U" e, em certos casos, de um "T”. Convém que essas disposições sejam formadas por mesinhas justapostas. Um ritual regula os banquetes.

15. AS CÂMARAS DE REFLEXÕES - São pequenos compartimentos do subsolo, ou ao lado do Átrio, se não se puder construí-los adequadamente. São pintados de preto por dentro e lembram masmorras. As paredes internas podem ser de pedras escuras: No interior, há uma mesa e uma cadeira e, no chão vários pés direitos de alpargatas, sandálias de tiras e solas finas; ou chinelos. Sobre a mesa, uma só vela acesa, num castiçal (salvo se houver um moderno foco de luz negra), uma ampulheta de areia (Tempo), duas taças, com as respectivas inscrições AMARGO e DOCE, um crânio humano com duas tíbias e um alfanje (Morte), uma imitação de pão de trigo, cortado (nutrimento do Corpo), uma jarra de água (nutrimento dó espírito, purificação), como respectivo copo, além do material de escrita e os impressos do testamento. No fundo escuro, com figuras e letras, pintadas com tintas fosforescentes, ou levemente luminosas, há um conjunto bem à frente da mesa, assim composto, de cima para baixo: a – um galo que canta (despertar, novo dia, ressurreição de quem morre para a vida profana), com a cabeça da ave à esquerda do observador; b) debaixo dessa figura, mais dois significados da mesma - as palavras VIGILÂNCIA e PERSEVERANÇA; c) - logo abaixo, a figura da Morte, com o seu alfanje e, sob a figura esta inscrição bem visível: LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ E QUE AO PÓ VOLTARAS; d) - por último, as seguintes advertências: 

Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te.

Se queres bem empregar a tua vida, pensa na Morte.

Se temes que se descubram os teus defeitos, não estás bem entre nós.

Se és apegado às distinções mundanas, retira-te; nós aqui não as conhecemos.

Se fores dissimulado, serás descoberto.

Se tens medo, não vás adiante. 

Os objetos simbólicos que ficam sobre a mesa também podem ser substituídos pelas respectivas imagens acrescentadas à pintura do conjunto descrito.

É dispensável a expressão V. I. T. R. I. O. L, no alto.

(Quando o Experto estiver na Câmara com o candidato à iniciação, deverá aconselhá-lo, sem dar-lhe qualquer explicação, que preste a máxima atenção às figuras e às inscrições e ao ambiente, para que possa externar as suas impressões quando interrogado oportunamente. Pedirá ao candidato, mais, que escreva o seu testamento).

Bibliografia: 

VAROLI, Theobaldo Filho – RITUAL E INSTRUÇÕES DE APRENDIZ MAÇOM DO REAA – Editora A Gazeta – São Paulo - 1974.

LOJA MÃE

  LOJA MÃE (PALESTRA)   Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Ofici...