sábado, 16 de setembro de 2023

A Inteligência Artificial Aplicada À Pedagogia Maçônica

 A Inteligência Artificial Aplicada À Pedagogia Maçônica

 

Para desbloquear o vasto conhecimento que a Maçonaria detém, os recém-chegados a esta ordem mística são emparelhados com membros experientes.

Estes maçons estabelecidos, também conhecidos como Mestres, Instrutores, Preceptores e Tutores[1] Maçônicos, fornecem orientações preciosas ao longo da viagem do Iniciado da escuridão para a luz – uma expressão metafórica que simboliza a transformação do membro na Maçonaria.

Este protótipo visa uma transferência de conhecimentos de um para um, permitindo que os neófito – novatos – absorvam a sabedoria sobre os princípios da Maçonaria eloquentemente expostos pelos mais velhos na Arte Real.

Ora, a docência maçônica é dirigida exclusivamente para o ensino ou instrução de adultos e, para implementá-la, deve-se, inicialmente, buscar a metodologia apropriada. Esta, até então, nos é fornecida pela Andragogia, que pode ser definida como a “Ciência e a Arte de auxiliar seres humanos adultos a aprender”.

E como podemos ensinar um adulto?

Para que o adulto aprenda é necessário que participe na elaboração dos objetivos do ensino e que o conteúdo programático esteja de acordo com suas expectativas, experiências e interesses específicos. É preciso que reconheça a finalidade e a relevância do que está aprendendo e possa externar suas opiniões, realimentando o processo. Durante o trabalho, o instrutor, facilitador, tutor ou Mestre interage com o aluno ou tutorando (“adulto-maçom”) e estabelece-se um processo de mão dupla, no qual o aluno aprende para depois ensinar e o instrutor, ensina para aprender ainda mais, comprovando o antigo ditado: “Aprendendo, ensinarás. Ensinando, aprenderás”.

Voltando-nos, então, para o Programa de Docência Maçônica, podemos considerar que seu objetivo principal deve ser transmitir, individual e coletivamente, a doutrina, filosofia, legislação, liturgia e História da Maçonaria.

Deve ainda, integrar os “adultos-maçons” à sua Loja e, ao mesmo tempo, mostrar-lhes o que significa ser um Maçom.

Portanto, os tutores maçônicos, a quem foi conferida a nobre tarefa de promover os membros mais recentes da fraternidade, desvelam as mensagens codificadas nos rituais.

Estas relações evoluem ao longo do tempo, transformando-se de uma simples relação pedagogo aluno num laço profundo construído sobre experiências partilhadas, respeito mútuo e, acima de tudo, confiança.

No entanto, uma tutoria eficaz transcende a mera transferência de conhecimentos. Implica adaptar a experiência aos estilos de aprendizagem individuais, mediar a aplicação dos conhecimentos a cenários do mundo real e desenvolver a inteligência emocional.

A importância da orientação não pode ser demasiada no âmbito da Maçonaria. No entanto, os desafios inerentes, tais como, erro humano, julgamento subjetivo e parcialidade no processo tradicional de correspondência entre tutor e tutorado alocam enormes obstáculos. Pergunta-se, então, na atual era digital, em que a Inteligência Artificial (IA) está a transformar vários setores, poderá ser o fator de mudança de que a orientação da Maçonaria necessita? Vale a pena explorar esta perspectiva?

– Nascida de uma fusão de grandes volumes de dados, computação de alto desempenho e algoritmos avançados, a IA imita as funções cognitivas humanas, como a resolução de problemas, a percepção e a aprendizagem.

A IA pode ser dividida em aprendizagem automática e aprendizagem profunda, sendo que a primeira permite que os computadores aprendam a partir de dados e a segunda utiliza redes neuronais para a resolução de problemas complexos.

– Ora, a orientação nos domínios da Maçonaria não é simplesmente um protocolo; é a pedra angular da experiência maçônica. O objetivo da pedagogia maçônica tem duas vertentes. Em primeiro lugar, tem como objetivo orientar os novos Maçons, referidos como “Aprendizes”, através da sua jornada inicial dentro da fraternidade.

Em segundo lugar, colocar os neófitos em contato com membros experientes que atuam como tutores, instrutores ou preceptores que decifram e elucidam os significados por detrás de vários símbolos e rituais maçônicos.

– Para os neófitos, a orientação é como uma vela num quarto escuro. Mesmo as mentes mais brilhantes podem ter dificuldade em decodificar os mistérios maçônicos sem ajuda. Aqui, os tutores acendem a chama do conhecimento, guiando os seus tutorados através do complicado labirinto da sabedoria maçônica.

Ao colmatar lacunas na compreensão e ao desvendar as profundezas dos ensinamentos maçônicos, os instrutores formam maçons completos e estabelecem bases sólidas para o futuro da fraternidade.

– Apesar da nobre intenção, o processo de correspondência entre tutor e tutorado no seio da Maçonaria enfrenta frequentemente uma série de desafios. Digo sem medo de errar que é próximo de zero o número de instrutores ou, como queiram, tutores maçônicos que tenham conhecimento dos princípios da pedagogia e da didática.

Ora, Acontecimentos culturais, políticos e socioeconômicos moldam a visão de mundo e a forma de pensar, agir e se relacionar de pessoas que nascem e vivem em diferentes épocas e, no seio da maçonaria convivem gerações de épocas diferentes. 

Cada época é marcada por acontecimentos culturais, políticos, sociais e econômicos que impactam o contexto de vida, a visão de mundo e a forma de se relacionar das pessoas que nascem e vivem em determinado período. Você já deve ter ouvido falar de geração X, Y ou Millennials, Z, Baby Boomers e Alfa. Mas, sabe quem está incluído em cada uma?

Cada geração tem algumas características específicas e maneiras de pensar, agir, aprender e se comportar em diferentes ambientes. Conhecer esses traços pode ajudar a lidar melhor e de forma mais assertiva com as pessoas dos diferentes grupos geracionais.

O que são as gerações Baby Boomers, X, Y ou Millennials, Z e Alfa?

A divisão das gerações em “safras” começou quando as crianças nascidas nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964, ganharam a denominação de baby boomers, em alusão ao aumento do número de nascimentos depois do segundo conflito mundial. As demais denominações vieram na sequência. 

Não há consenso, mas a maioria das referências sobre o tema apresenta a seguinte classificação:

Baby Boomers: nascidos entre 1946 e 1964. 

Geração X: nascidos entre 1965 e 1980.

Geração Y ou Millennials: nascidos entre 1981 e 1996.

Geração Z: nascidos entre 1997 e 2010.

Geração Alfa: nascidos a partir de 2010.

Quais as principais características de cada geração?

Baby Boomers

São indivíduos que viveram as grandes transformações do pós-guerra. Em geral, criados com muita rigidez e disciplina, cresceram focados e obstinados e valorizam muito o trabalho, a família, a realização pessoal, a estabilidade financeira e a busca por melhores condições de vida.

Geração X

Sucedeu aos Baby Boomers. Essas pessoas vivenciaram a fase da Guerra Fria e sentiram as transformações provocadas por movimentos de grande impacto no cenário social e cultural, como Maio de 68, a onda hippie e a luta por direitos políticos e sociais.

No Brasil, as crianças nascidas nessa fase testemunharam a ditadura militar e seu declínio, o desenvolvimento industrial e o crescimento econômico. Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, as pessoas dessa geração dão valor ao diploma formal e à capacitação e estabilidade profissional.

Geração Y ou Millennials

Essa faixa presenciou a chegada do novo milênio ainda criança ou bem jovem. Considerada criativa e alinhada às causas sociais, não tem como prioridades o trabalho intenso, a formação de uma família e a busca por estabilidade na carreira, ao contrário das gerações anteriores.

Acostumados com a tecnologia, são multitarefas, impulsivos, competitivos, questionadores e desejam rápido crescimento profissional e financeiro.

Geração Z

Os indivíduos que nasceram a partir de 1997, alguns já entraram, outros estão entrando ou estão prestes a entrar no mercado de trabalho. Eles são nativos digitais, ou seja, convivem com o universo da internet, mídias sociais e recursos tecnológicos desde o nascimento. Além disso, são multifocais e aprendem de várias maneiras, usando múltiplas fontes e objetos de aprendizagem.

Costumam acompanhar os acontecimentos em tempo real, comunicam-se intensamente por meios digitais e estão sempre online. Em termos de comportamento, tendem a se engajar em questões ambientais, sociais e identitárias.

Geração Alfa

A exposição à tecnologia e a telas é ainda mais forte nessa geração. Com muitos estímulos e acostumados a usar meios digitais para se entreter e buscar informações, requerem uma educação mais dinâmica, ativa, multiplataforma e personalizada. 

Essas crianças e jovens têm como características a flexibilidade, a autonomia e um potencial maior para inovar e buscar soluções para problemas de forma colaborativa. Gostam de ser protagonistas, colocar a mão na massa e aprender com situações concretas.

Como cada geração aprende?

A Fatec-SP publicou em seu site um estudo que traz conclusões sobre como cada geração aprende. Vejamos os resultados.

Baby Boomers

Os integrantes dessa geração possuem raciocínio linear – ou seja, focam na aprendizagem com início, meio e fim, como se fosse a leitura de um livro. Por essa razão, preferem ler e seguir programas de ensino tradicionais. Outra característica apurada é que, como eles tiveram contato tardio com a internet, geralmente estabelecem uma relação de descoberta com as novas tecnologias. Por fim, dão grande importância ao treinamento, principalmente relacionado a tecnologias.

Geração X

Essas são pessoas que se adaptam rapidamente às tecnologias. Os integrantes da Geração X usam recursos tecnológicos, mas prezam o consumo de informação de forma híbrida – tanto online quanto offline. Ainda valorizam a flexibilidade e a aprendizagem colaborativa, com a partilha de conteúdos e o envolvimento de outras pessoas por meio de comentários.

Geração Y ou Millennials

Os Millennials estão acostumados com o grande fluxo de informações. Além disso, segundo o estudo da Fatec-SP, eles consomem informações com facilidade e rapidez. São pessoas que gostam de aprender informalmente e possuem raciocínio linear. Eles valorizam treinamentos e gostam de programas de capacitação.

Como muitas pessoas dessa geração já cresceram jogando videogames, a utilização de games e estratégias gamificadas são formas de aprendizagem que dão certo com elas. 

Geração Z

A Geração Z consome informação principalmente via smartphones. De acordo com a pesquisa da Fatec-SP, essas pessoas têm preferência por conteúdos em vídeo (curtos), fotos e jogos.

Elas aprendem de diferentes e variadas maneiras, pois são multifocais e convergem em diferentes plataformas. Uma diferença dessa geração para as anteriores é que ela apresenta raciocínio não-linear. Quando querem uma informação, buscam o conteúdo por si mesmos na internet – e dão preferência a vídeos.

O estudo da Fatec-SP indica como estratégias de educação para as pessoas dessa geração o Social Learning, por ser um método de aprendizado bastante informal, que deve atraí-los. Ele é baseado na troca de experiências e relacionamentos no ambiente de aprendizado ou trabalho. Outra indicação são as estratégias de realidade aumentada, realidade virtual, games e construção de conhecimento.

Geração Alfa

Essa é a geração que está ou estará na Educação Básica agora e nos próximos anos. São pessoas que consomem informação em diversos canais, como on demand, vídeos, realidade virtual e aumentada, jogos etc. Para esses jovens e crianças, a forma de aprendizado é mais horizontal. 

Uma curiosidade apresentada pela Fatec-SP é que, apesar de ser a geração com mais acesso a novas tecnologias entre as citadas, as pessoas que estão nela gostam da educação híbrida, com estratégias online e offline, que coloquem em prática situações do cotidiano. Assim como a Geração Z, o raciocínio dos Alfas é não-linear. Outra característica é que são pessoas que prezam o ensino personalizado, feito sob medida. 

Ponto importante para quem for traçar estratégias de aprendizado para essa geração: eles consideram cansativas as atividades de aprendizado mais tradicionais – como leitura de textos – e têm dificuldade de concentração.

O estudo da Fatec-SP assinala, ainda, que as tecnologias para a educação criadas especialmente para esse grupo devem favorecer os sentidos de audição, tato e visão ao mesmo tempo. Soluções mobile já fazem parte de sua rotina e são eficientes no aprendizado, mas podem não ser suficientes. É preciso trazer novidades para competir com tudo o que os distrai – afinal, essa geração é ávida por novas mídias e tecnologias. Portanto, soluções que fogem do convencional e estimulam diversos sentidos são ideais. 

Agora que já sabemos como cada geração aprende, continuemos nossa narrativa em que tentamos demonstrar por qual razão é importante promover a aprendizagem maçônica com o auxílio da IA.

O modelo tradicional de tutoria baseia-se predominantemente na correspondência mediada por humanos, que pode ser susceptível de preconceitos inconscientes, mal-entendidos ou erros. Por exemplo, os potenciais Mestres Instrutores podem ser selecionados com base na sua disponibilidade e não na sua compatibilidade com o tutorando, ou na sua desenvoltura pedagógica.

As potenciais consequências de uma relação mal ajustada podem ir desde um progresso reduzido na compreensão da Maçonaria por parte do neófito, até à desilusão e potencial abandono da fraternidade, coisa que assistimos com frequência. Para contornar estes obstáculos, é momento de a fraternidade considerar a possibilidade de trazer o poder transformador da IA para os seus programas de Docência.

– Atualmente, encontramo-nos no limiar de uma revolução tecnológica, à medida que a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma força em vários domínios. Os ventos deste renascimento tecnológico estão a soprar em direção à Maçonaria, uma fraternidade profundamente enraizada na tradição, mas não totalmente avessa à inovação.

– A tecnologia, especificamente a IA, moldou indelevelmente a sociedade nos últimos anos. Desde os cuidados de saúde e finanças ao entretenimento e educação, não há nenhum setor que não tenha sido tocado pela “mão” transformadora da IA.

Até o setor da educação assistiu à integração de ferramentas de IA para personalizar a aprendizagem, automatizar tarefas administrativas e prever o desempenho dos alunos. Estas diversas aplicações da IA testemunham a magnitude da influência que a IA exerce em todas as facetas da nossa sociedade.

– A IA na pedagogia é um conceito relativamente novo, mas tem um potencial inexplorado. Através da aprendizagem automática e da análise de dados, a IA pode ajudar a orquestrar processos de correspondência entre tutor e tutorado, tendo em conta variáveis como traços de personalidade, estilos de aprendizagem, interesses pessoais e até preferências de comunicação.

Imagine um algoritmo que avalia o estilo de aprendizagem de um tutorando, os seus interesses na Maçonaria, as suas aspirações pessoais, o seu ritmo de aprendizagem preferido e a sua compatibilidade com potenciais tutores. Atuando como um mestre casamenteiro, um sistema de IA poderia criar pares “tutor – tutorando” que beneficiassem verdadeiramente ambas as partes, alimentando uma tutoria produtiva.

– A utilização da IA no processo de tutoria traz vários benefícios. Em primeiro lugar, permite uma abordagem mais personalizada da tutoria.

Em segundo lugar, a análise objetiva fornecida pela IA reduz as probabilidades de parcialidade ou de erros de julgamentos que podem surgir na correspondência entre tutor e tutorado mediada por humanos.

Por último, um modelo de tutoria orientado por IA permite a integração de feedback e a aprendizagem contínua.

– Dito isto, a integração da IA no esquema tradicional da Maçonaria coloca os seus próprios desafios. O conceito pode encontrar resistência entre os membros que não se sentem confortáveis com o domínio digital ou aqueles que têm preocupações com a privacidade dos dados, fato abordado pelo Orador de uma Loja, por mim visitada recentemente.

Abordar estas questões torna-se fundamental para promover a confiança na orientação da IA. Em primeiro lugar, podem ser organizadas sessões de formação extensivas para aumentar a literacia digital entre os membros, e pode ser prestado apoio aos que estão inicialmente hesitantes.

Além disso, devem ser adotados protocolos rigorosos de privacidade dos dados para salvaguardar as informações dos membros. Devem ser implementadas medidas de segurança que respeitem as normas mais exigentes para garantir a proteção dos dados.

Cada novo Maçom é um indivíduo cheio de ambições, interesses e preferências de aprendizagem únicas. Alguns podem ser atraídos pela riqueza histórica; outros podem ser atraídos pelos aspectos filosóficos. Alguns podem avançar rapidamente através dos ensinamentos, enquanto outros podem adotar uma abordagem mais gradual.

Ter em conta estes diversos fatores é crucial para criar uma experiência de orientação que beneficie verdadeiramente o novo Maçon. Entregar esta tarefa colossal à IA pode aumentar a eficiência e a precisão da compreensão destas necessidades.

– O processo de correspondência entre tutores e tutorados tem sido tradicionalmente uma tarefa assustadora, repleta de complexidades e propensa a erros irreparáveis.

Adotar a IA não é simplesmente integrá-la no processo pedagógico; o seu sucesso tem de ser calculado e avaliado. Tal como acontece com qualquer nova iniciativa, a definição de Indicadores Chave de Desempenho (KPIs)[2] pode medir o sucesso da tutoria melhorada por IA.

Os indicadores podem incluir a taxa de satisfação dos novos maçons, a eficácia das relações entre tutor e tutorando e a melhoria da compreensão dos princípios maçônicos por parte dos candidatos.

O futuro da orientação maçônica está à beira de uma grande reforma tecnológica. Um futuro em que as percepções baseadas em dados, a tomada de decisões objetivas e a aprendizagem contínua prometem melhorar a experiência de orientação de cada Maçom.

– A IA deverá provocar uma mudança definitiva no panorama da orientação maçônica. Prevê-se que atue como um ponto de apoio, equilibrando a tradição com a inovação, a personalização com a objetividade.

Além disso, a capacidade da IA para se adaptar e melhorar ao longo do tempo abre a porta a um modelo de tutoria que se torna mais eficaz e eficiente a cada dia que passa. Um sistema de auto aperfeiçoamento que é personalizado de acordo com a própria essência da Maçonaria: crescimento pessoal e comunitário contínuo.

A aprendizagem é uma viagem que dura toda a vida, e a capacidade da IA para aprender e melhorar ao longo do tempo reflete a própria filosofia da Maçonaria.

– Os próprios maçons não são meros destinatários da mudança para a tutoria de IA – eles são contribuintes chave. Eles detêm o poder de moldar a forma como a IA deve ser incorporada na orientação maçônica.

– A adaptabilidade sempre foi um ponto forte da Maçonaria, permitindo-lhe preservar as suas tradições ao mesmo tempo que responde a contextos sociais em mudança. Aceitar a IA como uma ferramenta poderosa – uma ferramenta que melhora e não se intromete na força da orientação – é crucial nesta era digital.

Preparar-se para o futuro significa promover uma cultura de abertura à IA entre os maçons, assegurando-lhes a preservação da pureza maçônica mesmo no meio das mudanças tecnológicas. Implica também equipar os maçons com a compreensão e as competências necessárias para navegar e aproveitar as capacidades da IA.

Como tal, o futuro renascimento da orientação maçônica reside em traçar um caminho em que a IA e a fraternidade andem de mãos dadas – preservando tradições consagradas pelo tempo e abraçando o potencial infinito da tecnologia.

– O poder da IA não está na sua capacidade de substituir a intuição e a empatia humanas, mas sim na sua capacidade de melhorar e complementar as capacidades humanas.

A transformação da orientação maçônica necessita de vontade coletiva. Os maçons, tanto os tutores como os tutorados, devem adaptar-se a estes avanços e abraçar a influência da IA. Não se trata apenas de aceitar a mudança, mas de participar ativamente, como protagonistas, na sua modelação.

Através do envolvimento, da educação e do encorajamento, os maçons individuais podem contribuir para a criação de um modelo de tutoria baseado na IA que se alinhe com os valores fundamentais da Maçonaria.

Ao implementar a IA na orientação dos maçons, a fraternidade tem a oportunidade de rejuvenescer as suas práticas. Não só para manter, mas também para reforçar o seu legado, de acordo com a evolução da paisagem social.

– Irmãos, através de tentativas e erros, adaptação, feedback e iterações contínuas, podemos estabelecer uma nova era de práticas de orientação maçônica. Deem este passo importante com fé, confiança e curiosidade – explorem o potencial e moldem o futuro da pedagogia maçônica com IA.

T⸫F⸫A⸫

LuCaS



[1] Um tutor tem o papel de interpretar o conteúdo do curso e intermediar o processo de ensino dos professores e o processo de aprendizagem dos alunos. É o responsável por garantir que o aluno tenha total compreensão do conteúdo a ele apresentado.

[2] Do inglês, a sigla KPI significa Key Performance Indicator, ou seja, Indicador-Chave de Desempenho.

Site Consultado: https://beieducacao.com.br/geracoes-x-y-z-e-alfa-como-cada-uma-se-comporta-e-aprende/#:~:text=A%20divis%C3%A3o%20das%20gera%C3%A7%C3%B5es%20em,

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

A Grande Loja Unida da Inglaterra – UGLE – aceita mulheres transexuais que tenham sido iniciados como homens

A Grande Loja Unida da Inglaterra – UGLE – aceita mulheres transexuais que tenham sido iniciados como homens

As mulheres transexuais podem permanecer como maçons se já eram o como homens, disse a Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE).

Expulsar maçons que façam a transição é considerado “discriminação ilegal”, advertiu a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE).

Assim, usar a transição de um maçom como razão para excluí-lo de uma loja exclusivamente masculina é “discriminação ilegal e, portanto, nunca poderá constituir uma causa suficiente”.

As mulheres que fizerem a transição para se tornarem homens também deverão ser autorizadas a aderir, isto é, ter suas iniciações autorizadas ou permitidas. O documento de orientação diz que a mudança de sexo do maçom deve ser “tratada com a maior compaixão e sensibilidade”.

Independentemente da identidade de gênero, os 200.000 membros do UGLE ainda serão formalmente referidos como “irmãos”, diz o documento. Informalmente eles deverão ser chamados “pelo nome e título que tiverem escolhido”.

O documento emitido para 7.000 lojas em todo o país diz: “Se um maçom que é membro da UGLE deseja mudar de gênero e se tornar uma mulher, esperamos que receba o apoio total dos seus irmãos”.

Michael Baker, diretor de comunicações da UGLE, disse:

“Embora não tenha havido nenhum pedido geral de orientação sobre a problemática do gênero, questões sobre o assunto provavelmente tornar-se-ão cada vez mais comuns no futuro, e agora parece ser um momento oportuno para emitir orientações gerais aos nossos membros”

Um documento de perguntas frequentes anexado à orientação, explica que as lojas devem permitir que os membros que fizeram a transição para uma alternativa feminina trajem em conformidade, ou seja, possam usar uma saia e um top escuro elegantes.

Dado o papel fulcral que a United Grand Lodge of England desempenha na Maçonaria Regular, será interessante ver como é que esta orientação vai repercutir por todo o mundo.

Notícias sobre este assunto podem ser encontradas na BBC, no The Telegraph, no The Guardian, entre outros.

A seguir transcreve-se a “Gender Reassignment Policy”, que poderá ser lida na íntegra:

·         Escopo

Esta política estabelece a abordagem da UGLE às questões levantadas para a Maçonaria pela mudança de gênero.

O objetivo é ajudar a orientar as Lojas em suas tomadas de decisão. Não impõe regras vinculativas e, embora forneça algumas orientações gerais sobre a legislação acerca da discriminação, não constitui aconselhamento jurídico. Esta Política não tenta abordar todas as questões relacionadas com o gênero que podem surgir à medida que a mudança de gênero e a transição de gênero se tornam mais prevalentes numa sociedade em mudança e quando o fazem, terão de ser abordadas de acordo com os princípios maçônicos de legalidade, bondade e tolerância.

·         Geral

É importante que qualquer situação que envolva a mudança de gênero de um maçom seja tratada com a máxima compaixão e sensibilidade e que o indivíduo seja apoiado durante todo o processo.

Se um Maçom que é membro da UGLE deseja mudar de gênero e tornar-se mulher, esperamos que o Maçom receba o apoio total dos seus irmãos. A privacidade do indivíduo deve ser respeitada e normalmente não haverá exigência de informar o Grande Secretário Metropolitano, Provincial ou Distrital aplicável ou o Grande Secretário sobre esta mudança.

·         Pedidos de admissão

Um candidato à admissão na Maçonaria sob a jurisdição da UGLE deve ser um homem. Se uma pessoa que passou por uma mudança de sexo e se tornou homem se candidatar para se tornar maçom, então a sua candidatura deverá ser processada da mesma forma que para qualquer outro candidato do sexo masculino.

Qualquer candidato qualificado para admissão pode ser proposto para membro de uma loja privada de acordo com as disposições das Regras contidas no Livro das Constituições. Nenhum candidato deve ser submetido a perguntas sobre o seu gênero que possam incomodá-lo.

·         Associação continuada

Um maçom que após a iniciação deixa de ser homem não deixa de ser maçom. Esperamos que os maçons ajam com compaixão e sensibilidade para com os seus colegas maçons. Esperamos que nenhum Maçom se envolva em conduta indesejada relacionada com a real ou percebida reatribuição de gênero ou transição de gênero de outro Maçom. Tal conduta não seria apenas não maçônica, mas também ilegal se tivesse o objetivo ou o efeito de violar a dignidade ou de criar um ambiente intimidante, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo para a vítima.

·         Renúncia ao ofício

Uma “maçona” que se torna mulher não é obrigada a renunciar à Arte. Se uma pessoa renunciar à Arte, então ela e os seus dependentes poderão já não ser elegíveis para alguns dos benefícios fornecidos pelas instituições de caridade maçônicas agora ou no futuro.

·         Exclusão de uma Loja

Uma Loja pode votar para excluir qualquer membro por justa causa. Os seguintes motivos constituiriam discriminação ilegal e, portanto, nunca poderiam constituir causa suficiente:

a. O fato de um membro ter se tornado legalmente mulher;

b. Uma crença equivocada de que um membro se tornou legalmente uma mulher;

c. O fato de um membro estar em processo de transição de homem para mulher; ou

d. Uma crença equivocada de que um membro está em processo de transição de homem para mulher.

Da mesma forma, uma Loja não deve tentar persuadir um membro a renunciar à Loja ou discriminar um membro com base em qualquer um destes motivos. Uma Loja não deve, em nenhum momento, exigir que um membro prove que é legalmente um homem.

·         Alteração

A lei e o que é considerado a melhor prática nesta área estão a desenvolver-se rapidamente. Esta política pode ser alterada de tempos em tempos, portanto, certifique-se de estar se referindo à versão mais recente.

 

Data de aceitação: 17 de julho de 2018

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Os Símbolos nos Diplomas, Breve e Patentes do R.E.A.A.

 Os Símbolos nos Diplomas, Breve e Patentes do R.E.A.A.

Texto de: Balthazar Rebouças Feijó, 33, M.R.A.

Enviado por: LuCaS

Fotos: LuCaS

Segundo a Revista de Estudos Maçônicos – ASTRÉA(1), ANO LXXV – Nº 11 – Março 2002/ junho 2002, à medida que ascende em sua Carreira Maçônica, o Maçom estudioso e compenetrado escreve a história de sua evolução pessoal. Nada mais justo que ele tenha um sadio sentimento de realização e que se orgulhe de seus passos.

Ainda, de acordo com a mesma revista, os novos Diplomas, Breve e Patentes do Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A. da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, foram criados e impressos em papel especial com tinta de alta solidez à luz, dentro do espírito de transformá-los em fonte de motivação e recordação.

Portanto, todos os Diplomas, Breve e Patentes são encimados pela Águia Bicéfala, em púrpura, emblema do Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A. da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Os dizeres são quase idênticos, adotadas apenas as diferenças necessárias, e as cores e os símbolos empregados encarregam-se de criar a atmosfera peculiar de cada Grau.

Assim temos:

Diploma do Grau 4Mestre Secreto

No primeiro Grau das Lojas de Perfeição, a fita azul e a moldura preta recordam, respectivamente, a essência espiritual e a materialidade. Ao alto, o Olho do Universo simboliza o Sol, emblema do Grande Arquiteto, da Luz e da fonte de energia que mantém a vida. Logo abaixo, a letra Z está sobreposta a um ramo de louro, simbolizando a vitória, e o outro de oliveira, simbolizando a paz. Mais abaixo, vê-se a Chave, joia do Mestre Secreto, a qual, remete às grandes lições de respeito à confiança depositada e ao segredo revelado, através da discrição e da fidelidade.

Diploma do Grau 9Cavaleiro Eleito dos Nove

A faixa negra relembra o luto pela morte do G.M.H.A. e os grandes inimigos da humanidade – a ignorância, a intolerância e a superstição. Sobre ela, estão nove rosetas escarlates, representando os Eleitos sorteados, a quem Salomão encarregou de prender os assassinos de Hiram. A Estrela Flamejante dourada simboliza a luz que conduz à Verdade. Abaixo, na caverna que simboliza a nossa ignorância, essa mesma Luz, contida no brilho singelo de uma vela, afasta as trevas para iluminar a consciência.

A joia do Cavaleiro Eleito dos Nove é o punhal de punho dourado e lâmina prateada. Como venha a ser usado depende de quem vier a empunhá-lo – para armar a justiça ou perpetrar um crime. Por isso, a Maçonaria luta para esclarecer o povo, porque a tirania só se torna possível graça à ignorância das massas. O Cavaleiro Eleito dos Nove deve “ser bravo contra suas próprias fraquezas e ser bravo para defender a verdade”.

Diploma do Grau 14Perfeito e Sublime Maçom

A faixa do Perfeito e Sublime Maçom, último dos Graus Inefáveis, é carmesim (vermelho). Sobrepostos a ela estão: uma estrela prateada com uma palavra fenícia, por ser Tiro a terra de Hiram – que significa perfeição; e um ramo de acácia, lembrando que o Bem sobrevive ao Mal.

A joia é o compasso coroado sobre um arco de círculo, gravado com os numerais III, V, VII e IX, onde está inscrito o Sol. O compasso, aberto em 45°, representa a ciência e a espiritualidade. Está coroado para lembrar Hiram Abif, cuja sabedoria e habilidade o tornaram digno de se ombrear aos dois reis. Assim, lembra-nos o esforço para evoluir, dever de todo Maçom, ajudado pela Luz Divina representada pelo Sol – “Procurai e encontrareis”.

Todos nós sabemos que a perfeição é inatingível, mas é na sua procura que encontramos a recompensa, a terminação de nosso Templo Interior.

Diploma do Grau 15Cavaleiro do Oriente

Este é o primeiro dos Graus ditos Capitulares.

A faixa do Cavaleiro do Oriente, é verde, orlada de dourado, simboliza a imortalidade. O verde, neste Grau 15, simboliza a imortalidade da alma humana. Ao alto, uma cabeça, atravessada por duas espadas a advertir que a liberdade é ceifada tão logo a justiça seja abafada pelo interesse, pelo s vícios e pela iniquidade.

Na joia do Cavaleiro do Oriente, os três triângulos dourados, concêntricos, lembram as três virtudes que se opõem aos vícios e que constituem a divisa que a Maçonaria adotou para si - Liberdade, Igualdade e Fraternidade. As espadas dourados cruzadas, inscritas nos triângulos, representam aqui a determinação de lutar pela liberdade, a mesma determinação que levou os israelitas que retornavam do cativeiro à vitória na ponte de Gabara e à consequente liberdade, que resultou na reconstrução do Templo.

A trolha prateada simboliza a determinação em reconstruir o Templo. Com a trolha em uma das mãos e a espada na outra, o Cavaleiro do Oriente obedece aos fundamentos do Grau - "Defendei vossa liberdade e nunca cerceeis a liberdade de outrem ".

Breve do Grau 18Cavaleiro Rosa-Cruz

A faixa aqui está em diagonal. A parte em negro representa a Câmara da s Trevas co1n a cruz encarnada.

Outra parte encarnada, representa a face a ser usada na Câmara das Luz es . Da mesma forma, a joia do Cavaleiro Rosa-Cruz tem duas faces, uma para cada Câmara. Ambas têm um compasso coroado, aberto em 60º, sobre um quadrante de círculo.

Na joia para a Câmara das Trevas, uma águia, aqui símbolo da sabedoria e da inteligência, apoiada no quadrante, prepara-se para alçar voo. A cruz encarnada sobre ela representa a dor pela perda da Palavra.

Na joia para a Câmara das Luzes, sobre o quadrante, está um ninho e, nele, um pelicano que alimenta os filhotes com a carne do próprio peito, símbolo do devotamento e do auto sacrifício. Sobre ele, está a cruz encarnada, em cuja base encontra-se um ramo de acácia, recordando a imortalidade. No ponto de encontro das hastes da cruz, está a Rosa Mística, dedicada à deusa Aurora pelos antigos, símbolo da luz e da renovação da vida. Com isso, a cruz e os raios que dela emanam ganham o significado da aurora de uma nova lei, a “Lei do Amor”.

Para Albert Pike, o grande codificador do R.E.A.A., o compasso coroado "significa que, não obstante o alto posto atingido na Maçonaria pelo Cavaleiro Rosa-Cruz, a equanimidade e a imparcialidade devem, invariavelmente, guiar sua conduta".

Diploma do Grau 19Grande Pontífice

A fita é carmesim, orlada de branco. Sobre ela estão doze estrelas douradas, de rico simbolismo: as doze tribos de Israel, as doze portas da Jerusalém Celeste, os doze Apóstolos, os doze frutos da Árvore da Vida, que, mais exatamente, representam os doze signos do Zodíaco intelectual, as verdades que iluminam a Razão.

Na joia do Grau, uma placa ele ouro retangular; tem duas letras gregas, alfa (A) no anverso e ômega (ꭥ) no reverso, que correspondem às letras hebraicas aleph e tau. Em ambos os casos, a primeira e a última letra dos respectivos alfabetos, significando a totalidade, o início e o fim.

Abaixo, está a joia peitoral do Grande Sacerdote de Israel, com suas doze pedras, cada uma simbolizando uma das doze tribos e um dos atributos divinos.

Deve ser lembrado ainda que o termo pontífice vem do latim pontifex, “membro do colégio de sacerdotes encarregado da observância do culto dos romanos”. A eles se atribuía a construção das primeiras pontes, pons em latim, sobre o rio Tibre.

Diploma do Grau 22Cavaleiro do Real Machado

A fita tem as cores do arco-íris, símbolo da pureza e da aliança do homem com Deus. Este Grau está associado a Noé e a todos aqueles que trabalharam com a madeira dos cedros do Líbano sob a orientação Divina, cujas iniciais em hebraico estão nos dois lados do cabo do machado dourado, joia do Grau. São eles Adoniram, Ciro, Dario, Xerxes, Zorobabel e Ananias, de um lado; do outro lado, Sidônio, Noé, Sem, Cam, Japhet, Moisés, Bezelicl e Golias.

Disse Albert Pike que a Maçonaria procura enobrecer a vida cotidiana, enaltecendo as virtudes do homem que trabalha. Este é o objetivo do Cavaleiro do Real Machado: a Glorificação do Trabalho.

Porque é através do trabalho que é possível derrotar a serpente do ócio com suas três cabeças: a intemperança, a devassidão e o jogo. Laborare est orare trabalhar é o mesmo que rezar, diz a fórmula latina. A exaltação do trabalho pacífico c produtivo, "elemento indestrutível de todas as civilizações", está enfatizada na mesa redonda, significando igualdade, sobre a qual estão os planos desenrolados e os instrumentos matemáticos.

Diploma do Grau 28Cavaleiro do Sol

A fita é branca, sem ornamentos, além do olho dourado. Quase todo o Grau é representado com extrema simplicidade, em branco e ouro, denotando o branco a pureza da inocência, daquilo que não foi maculado, e o ouro a pureza obtida por provas, sofrimentos e refinamentos sucessivos.

O pentagrama entrelaçado aparece em vermelho no avental do Cavaleiro do Sol. A joia do Grau é uma estrela de cinco pontas douradas e representa o microcosmo humano. Na joia, os raios inscritos simbolizam o Sol e, por analogia, a busca interior que conduz à Luz da Razão, através da qual dissipamos as trevas do erro que enevoam nossos olhos - Ex tenebris Lux.

Sobre tudo isso, paira a presença magnânima da Divindade, representada pelo Olho-que-tudo-Vê.

A dissertação de Albert Pike para este Grau ocupa praticamente a metade do seu livro Moral e Dogma, tal a profundidade das ideias que ele encerra, das quais um eminente ritualista americano, Jim Tresner, 33", detentor da Grã Cruz de Honra, destaca:

  • O que se vê é apenas uma manifestação do invisível.
  • O amor e a sabedoria valem mais que tudo.
  • Não existe morte; só mudança.
  • Nossa vida é uma busca eterna. E é buscando que encontramos uma vida.
  • Não é à toa que este é um dos Graus mais difíceis de entender em toda a sua profundidade.

Patente do Grau 30Cavaleiro da Águia Branca e Negra

Este grau é o último da série dos Graus Filosóficos.

Sua fita é negra, orlada de prateado. Sobre ela, ao alto, encontramos as iniciais do outro nome do Grau, C.K., isto é, Cavaleiro Kadosh, expressão que, em hebraico, significa puro ou santificado.

Abaixo, uma águia bicéfala branca e negra segura uma adaga em suas garras. Ela traz muitas lições. Por exemplo, que em nós reside a ambiguidade, que só sublimaremos através do cumprimento consciente do dever. Ou também que, em quase tudo, os contrastes existem e que, ainda que antagônicos, podem conviver em equilíbrio e harmonia. O mesmo contraste se observa no punhal, a joia do Cavaleiro da Águia Branca e Negra, cujo cabo é branco e negro e lembra a sua missão de combater o despotismo, qualquer que seja a forma que ele assuma. Porque, como a Hidra, a tirania tem muitas cabeças, que reaparecem sempre que nos descuidamos de velar pelas liberdades.

Patente do Grau 31Grande Inspetor Comendador

Este é o primeiro Grau do Consistório. Seus para mentos, despidos de ornamentação, lembram o Grau 28. Aqui também tudo é branco e ouro. Este despojamento proposital é um convite a uma reflexão mais profunda, a um reexame da vida, porque nele acontece o Tribunal dos Mortos, tal como na mitologia egípcia, quando tudo será pesado e avaliado. A vida exige muito mais do Maçom do que apenas decorar palavras dos rituais. Exige que os ensinamentos nele contidos tenham passado à vida prática, tenham tocado seu coração.

A fita do Grande Inspetor Comendador é branca orlada de ouro. Sobre ela, um triângulo de ouro, emitindo raios dourados, representando a Sabedoria Infinita, tem o número XXXI inscrito.

A Joia do Grau é uma cruz teutônica em prata, também sem ornamentos. Não é um Grau de fácil entendimento. Exige introspecção e autoavaliação Sincera. Não que se deseje santos, mas apenas homens comuns determinados a serem melhores.

Patente do Grau 32Sublime Príncipe do Real Segredo

Contrastando com o Grau anterior, o Grau 32 é rico em símbolos. E nobre, por excelência, mas da nobreza por mérito. Sua fita é negra, orlada de dourado. Ao alto, seis bandeiras estão ladeando uma cruz teutônica escarlate. Sobre ela, uma águia bicéfala negra, segurando uma espada em suas garras.

Entre as muitas interpretações, para o Irmão Jim Tresner as bandeiras azuis podem referir-se aos Graus Simbólicos, as escarlates ao Rito Escocês e as douradas à evolução do Maçom estudioso. Sobre o conjunto, mais uma vez, está a Divindade, no Olho-que-tudo-Vê.

Outra águia bicéfala, desta vez em ouro, sobrepõe-se à cruz teutónica escarlate.

Mas o grande símbolo dos Sublimes Príncipes do Real Segredo é o Acampamento, onde está representada toda a hierarquia do Rito Escocês Antigo e Aceito. São polígonos concêntricos, com nove, sete, cinco e três lados.

O eneágono tem uma bandeira em cada vértice e uma tenda em cada lado. Representa os Maçons dos Graus Simbólicos, Inefáveis e Capitulares, quer dizer, do Grau l ao 18. Atravessando o heptágono, vemos que, nos vértices do pentágono, tremulam os estandartes dos Graus Filosóficos ou Místicos, quer dizer, do Grau 19 ao Grau 30. Inscrito no pentágono, há um triângulo e, inscrito nele, um círculo. Dentro do triângulo, em cada vértice, há um corvo, uma pomba e uma fênix. No círculo, está uma cruz de Santo André, em escarlate, com quatro tendas nas extremidades, onde acampa o Estado Maior, isto é, os Grandes Inspetores Comendadores e os Príncipes do Real Segredo. No centro da cruz, encontramos a tenda do Soberano Grande Comendador.

Nos Estados Unidos, o Grau 32 é o último dos Graus da Carreira Maçônica, porque o Grau 33 é honorífico.

Patente do Grau 33Grande Inspetor Geral

Este Grau é o ápice no Rito Escocês Antigo e Aceito.

Sua fita é branca, orlada de dourado. O triângulo de ouro, com o numeral 33 inscrito, resume o longo caminho percorrido pelo Maçom estudioso. Os raios dourados que dele irradiam significam sua obrigação de espargir o Bem e agir com Sabedoria, Prudência e Firmeza, o que será inevitável aos que compreenderam as lições ao longo de sua ascensão. Da fita pende uma águia bicéfala branca, armada e bicada de ouro, ostentando uma coroa também de ouro, que segura uma espada de punho dourado e lâmina prateada em suas garras. Uma fita preta pende da espada, trazendo a divisa Deus meunque Jus – Deus e o meu direito – em letras douradas

A joia do Grau é complexa. Uma estrela dourada de nove pontas esta sobreposta a uma cruz teutônica escarlate, orlada de dourado. Sobre os braços da cruz estão quatro colunas douradas e, sobre cada extremidade, cinco pequenas cruzes teutônicas em negro.

Uma espada e um cero estão cruzados sob o conjunto. Na extremidade superior do cetro está a Mão da Justiça.

Nos nove pequenos triângulos negros formados pelo entrelaçamento no interior da estrela, estão gravadas letras que formam a palavra SAPIENTIA, sabedoria em latim. O interior da estrela é branco. Nele encontramos a serpente Ouroboros, dourada, mordendo sua própria cauda, símbolo do infinito e, na alquimia, da transmutação da matéria.

Uma orla negra envolve um escudo circular com uma cruz branca sobre fundo escarlate. Na orla estão duas divisas latinas, Ordo ab Chao – Ordem que se fez do Caos – e Deus meumque Jus. Um escudo negro completa o desenho, tendo uma águia bicéfala coroada em ouro, ladeada pela Balança e pelo Compasso e Esquadro.

Assim encerra-se a descrição e interpretação dos símbolos contidos na série de Diplomas, Breve e Patentes do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Esperamos que estejam à altura das expectativas e do esforço despendidos pelos Irmãos que trilham o árduo caminho do Rito Escocês Antigo e Aceito, servindo-lhes de recordações dos ensinamentos e das emoções de sua caminhada.

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(1) A revista ASTRÉA é o Órgão Oficial do Supremo Conselho de Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.


LOJA MÃE

  LOJA MÃE (PALESTRA)   Venerável Mestre, presidente desta sessão, Veneráveis Mestres das demais Lojas e Potências aqui presentes, Ofici...