Comentário
geral da instrução do Grau 17 Cavaleiro do Oriente e do Ocidente.
LuCaS
S⸫S⸫S⸫
A
instrução do Grau 17 apresenta uma síntese da jornada espiritual do Maçom,
marcada pela purificação e pelo sacrifício. A recepção pela ablução com água e
pela efusão do sangue simboliza a dupla exigência do caminho iniciático:
limpar-se das impurezas do mundo e estar disposto a entregar-se pela Pátria e
pela Maçonaria. O Cavaleiro do Oriente e do Ocidente é aquele que, tendo sido
purificado, não teme o sacrifício em nome da verdade e da fraternidade.
O
cenário simbólico do Grande Conselho é ricamente composto por elementos
cósmicos e espirituais: o sol, a lua e o arco-íris representam a verdade, a
transitoriedade e a esperança universal. O heptágono inscrito no círculo
expressa a plenitude moral e a união fraterna. No centro, a figura do Filho do
Homem, com sete estrelas e rodeado por sete castiçais, evoca a sabedoria divina
e a missão redentora do iniciado. Cada detalhe reforça o papel do Maçom como
agente da luz em meio às sombras do mundo.
As
letras gravadas nos vértices e ângulos do heptágono representam atributos
divinos e virtudes humanas que devem guiar a conduta do Cavaleiro. Beleza,
Divindade, Sabedoria, Poder, Honra, Glória e Força são qualidades que elevam o
espírito; Fraternidade, União, Submissão, Discrição, Fidelidade, Prudência e
Temperança moldam o caráter. Juntas, essas palavras formam um código ético que
transcende o ritual e se aplica à vida cotidiana do Maçom, exigindo dele uma
postura íntegra e vigilante.
O
Livro dos Sete Selos, inspirado no Apocalipse, é uma alegoria que transmite
lições sobre justiça, lealdade, sacrifício e vigilância. Cada selo revela uma
dimensão da missão maçônica: prontidão, defesa, justiça, memória dos desvios[1], sacrifício pela verdade,
poder disciplinar e exaltação das virtudes. A queima do incenso e o toque das
trombetas concluem essa jornada com a promessa de glória e expansão da
Maçonaria sobre as asas da Honra e da Fama.
Os
sete deveres dos Cavaleiros do Oriente e do Ocidente consolidam esse
ensinamento: trabalhar e meditar; esperar e crer; velar pela Maçonaria;
socorrer os necessitados; ensinar a verdade; amar a verdade e desprezar a
morte. Esses deveres não são apenas obrigações formais, mas expressam uma
postura existencial diante da vida. O Cavaleiro é aquele que transcende o medo,
vive com propósito e honra, e se torna guardião da luz em tempos de trevas.
Por
fim, as palavras Zabulum e Abaddon encerram o mistério do Grau. Zabulum,
palavra de passe, significa “presente de Deus” ou “honra”, e representa a
dádiva divina que é a vocação maçônica. Abaddon, palavra sagrada, significa
“destruidor”, evocando o poder de dissolver o erro e purificar pela verdade.
Ambas têm sete letras, como os selos, as virtudes e os castiçais, e remetem ao
estandarte Baucent dos Templários, símbolo da dualidade entre misericórdia e
justiça. O Cavaleiro do Grau 17 é, assim, um herdeiro espiritual dessa
tradição: benevolente com os irmãos e firme contra os inimigos da luz.
Paz Profunda!!!
[1] A
expressão “memória dos desvios” refere-se ao simbolismo do Quarto Selo,
que apresenta a caveira como imagem central. No contexto da instrução do
Grau 17, essa caveira representa o Irmão que foi excluído da Loja por não
respeitar seus juramentos. Ou seja, ela é um lembrete constante, uma “memória,
dos erros, traições ou desvios de conduta que podem ocorrer dentro da Ordem. Essa
memória não é para alimentar ressentimento, mas para manter viva a consciência
da responsabilidade que cada Maçom assume ao ser iniciado. A caveira funciona
como um símbolo de advertência: ela lembra que a quebra dos compromissos
sagrados tem consequências, e que a integridade é um pilar inegociável da vida
maçônica. Assim, “memória dos desvios” significa cultivar a vigilância ética e
espiritual, aprendendo com os erros do passado para não os repetir.
Acho que nossas iniciações precisam "explorar" mais os ensinamentos desse Grau. Excelente. Parabéns!!!
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