sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 

Comentário geral da instrução do Grau 17 Cavaleiro do Oriente e do Ocidente.

LuCaS


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A instrução do Grau 17 apresenta uma síntese da jornada espiritual do Maçom, marcada pela purificação e pelo sacrifício. A recepção pela ablução com água e pela efusão do sangue simboliza a dupla exigência do caminho iniciático: limpar-se das impurezas do mundo e estar disposto a entregar-se pela Pátria e pela Maçonaria. O Cavaleiro do Oriente e do Ocidente é aquele que, tendo sido purificado, não teme o sacrifício em nome da verdade e da fraternidade.

O cenário simbólico do Grande Conselho é ricamente composto por elementos cósmicos e espirituais: o sol, a lua e o arco-íris representam a verdade, a transitoriedade e a esperança universal. O heptágono inscrito no círculo expressa a plenitude moral e a união fraterna. No centro, a figura do Filho do Homem, com sete estrelas e rodeado por sete castiçais, evoca a sabedoria divina e a missão redentora do iniciado. Cada detalhe reforça o papel do Maçom como agente da luz em meio às sombras do mundo.

As letras gravadas nos vértices e ângulos do heptágono representam atributos divinos e virtudes humanas que devem guiar a conduta do Cavaleiro. Beleza, Divindade, Sabedoria, Poder, Honra, Glória e Força são qualidades que elevam o espírito; Fraternidade, União, Submissão, Discrição, Fidelidade, Prudência e Temperança moldam o caráter. Juntas, essas palavras formam um código ético que transcende o ritual e se aplica à vida cotidiana do Maçom, exigindo dele uma postura íntegra e vigilante.

O Livro dos Sete Selos, inspirado no Apocalipse, é uma alegoria que transmite lições sobre justiça, lealdade, sacrifício e vigilância. Cada selo revela uma dimensão da missão maçônica: prontidão, defesa, justiça, memória dos desvios[1], sacrifício pela verdade, poder disciplinar e exaltação das virtudes. A queima do incenso e o toque das trombetas concluem essa jornada com a promessa de glória e expansão da Maçonaria sobre as asas da Honra e da Fama.

Os sete deveres dos Cavaleiros do Oriente e do Ocidente consolidam esse ensinamento: trabalhar e meditar; esperar e crer; velar pela Maçonaria; socorrer os necessitados; ensinar a verdade; amar a verdade e desprezar a morte. Esses deveres não são apenas obrigações formais, mas expressam uma postura existencial diante da vida. O Cavaleiro é aquele que transcende o medo, vive com propósito e honra, e se torna guardião da luz em tempos de trevas.

Por fim, as palavras Zabulum e Abaddon encerram o mistério do Grau. Zabulum, palavra de passe, significa “presente de Deus” ou “honra”, e representa a dádiva divina que é a vocação maçônica. Abaddon, palavra sagrada, significa “destruidor”, evocando o poder de dissolver o erro e purificar pela verdade. Ambas têm sete letras, como os selos, as virtudes e os castiçais, e remetem ao estandarte Baucent dos Templários, símbolo da dualidade entre misericórdia e justiça. O Cavaleiro do Grau 17 é, assim, um herdeiro espiritual dessa tradição: benevolente com os irmãos e firme contra os inimigos da luz.

Paz Profunda!!!



[1] A expressão “memória dos desvios” refere-se ao simbolismo do Quarto Selo, que apresenta a caveira como imagem central. No contexto da instrução do Grau 17, essa caveira representa o Irmão que foi excluído da Loja por não respeitar seus juramentos. Ou seja, ela é um lembrete constante, uma “memória, dos erros, traições ou desvios de conduta que podem ocorrer dentro da Ordem. Essa memória não é para alimentar ressentimento, mas para manter viva a consciência da responsabilidade que cada Maçom assume ao ser iniciado. A caveira funciona como um símbolo de advertência: ela lembra que a quebra dos compromissos sagrados tem consequências, e que a integridade é um pilar inegociável da vida maçônica. Assim, “memória dos desvios” significa cultivar a vigilância ética e espiritual, aprendendo com os erros do passado para não os repetir.

 

Um comentário:

  1. Acho que nossas iniciações precisam "explorar" mais os ensinamentos desse Grau. Excelente. Parabéns!!!

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