O Invejoso Bajulador: Reflexões sobre Ética, Fraternidade e Vigilância Interior
LuCaS
Este artigo analisa o comportamento do invejoso bajulador sob a ótica dos princípios maçônicos, destacando os riscos que esse perfil representa à harmonia do Templo e à vivência da fraternidade. A partir de fundamentos da psicologia (Klein, Goleman), da filosofia moral (Tomás de Aquino) e da simbologia iniciática, investiga-se como a bajulação pode ser usada como máscara para a inveja, gerando relações tóxicas e ameaçando a autenticidade entre os Irmãos.
O estudo propõe estratégias de defesa baseadas na vigilância interior, no cultivo de vínculos sinceros e na prática da ética iniciática. Ao reconhecer e lidar com esse tipo de conduta com firmeza e compaixão, o maçom fortalece sua própria jornada e contribui para a preservação da Luz e da integridade da Obra.
Introdução
A Maçonaria, enquanto escola de aperfeiçoamento moral e espiritual, orienta seus membros à prática da virtude, da sinceridade e da fraternidade. No entanto, como toda instituição humana, está sujeita à presença de comportamentos que destoam desses ideais. Entre eles, destaca-se o perfil do invejoso bajulador, aquele que, sob aparência de reverência e elogio, oculta ressentimento, competição e desejo de manipulação.
Este artigo busca compreender esse comportamento no contexto maçônico, refletindo sobre seus impactos na harmonia da Loja e propondo caminhos para sua superação, com base na vigilância interior e na prática dos princípios iniciáticos.
1. A Inveja e a Bajulação: Uma Perspectiva Filosófica
A inveja, segundo Santo Tomás de Aquino, é “a tristeza pelo bem alheio”, enquanto a bajulação é “a adulação desonesta que visa agradar por interesse”. No contexto maçônico, ambas representam desvios éticos que comprometem a busca pela verdade e pela luz.
O bajulador invejoso não apenas fere o princípio da sinceridade, mas também ameaça a igualdade entre os Irmãos, criando hierarquias artificiais baseadas em vaidade e manipulação. Sua presença pode gerar divisões, alimentar intrigas e enfraquecer o espírito de fraternidade que sustenta o Templo.
2. Dinâmicas Psicológicas e Simbólicas
Segundo Melanie Klein (1957), a inveja é uma emoção primária que pode ser projetada sobre figuras de autoridade ou destaque. Na Maçonaria, isso se manifesta quando um Irmão não suporta o brilho do outro e tenta neutralizá-lo por meio de elogios excessivos, aproximações interesseiras ou sabotagens sutis.
Do ponto de vista simbólico, o invejoso bajulador é aquele que não lapidou sua pedra bruta. Ele busca atalhos, deseja reconhecimento sem mérito e se aproxima da Luz sem estar preparado para recebê-la. Sua bajulação é uma máscara que encobre a ausência de trabalho interior.
3. Estratégias de Defesa e Vigilância
A Maçonaria ensina que o verdadeiro combate é travado dentro de nós. Para lidar com o invejoso bajulador, o Irmão deve:
- Praticar o silêncio e a observação: reconhecer os padrões sem reagir impulsivamente.
- Estabelecer limites fraternos: manter a cordialidade sem permitir manipulação.
- Fortalecer os vínculos autênticos: cultivar relações baseadas na verdade e no respeito mútuo.
- Exercer a vigilância interior: evitar cair na vaidade ou na necessidade de aprovação.
Como ensina o Rito Escocês Antigo e Aceito, “o verdadeiro Mestre é aquele que domina a si mesmo”. Ao reconhecer o bajulador, o Irmão deve evitar o julgamento e buscar compreender o que nele ainda precisa ser lapidado.
Conclusão
O invejoso bajulador é uma figura que desafia os princípios da Maçonaria, mas também oferece uma oportunidade de crescimento. Ao lidar com ele com firmeza, ética e compaixão, o Irmão fortalece sua própria jornada iniciática e contribui para a harmonia do Templo.
A Luz não se impõe, ela se conquista. E o verdadeiro maçom é aquele que, mesmo diante da sombra, escolhe permanecer fiel à sua missão: construir pontes, lapidar a pedra e servir à Verdade.
Referências Bibliográficas
- Klein, M. (1957). Envy and Gratitude. The Hogarth Press.
- Aquino, T. (1265–1274). Suma Teológica.
- Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence. Bantam Books.
- Goffman, E. (1959). The Presentation of Self in Everyday Life. Anchor Books.
O texto, como tanto outros apresenta de forma clara e objetiva os problemas que a Ordem enfrente com Ir.: que não evoluem nos conhecimentos recebidos em uma loja maçonica. Os pontos mais importantes do texto são:
ResponderExcluir1. O Desafio Central na Maçonaria: A presença do invejoso bajulador desafia os ideais de aperfeiçoamento moral da Maçonaria.
2. Natureza do Comportamento: O bajulador usa a reverência e a adulação como máscara para esconder ressentimento, inveja e manipulação.
3. Impacto nos Princípios Maçônicos: Esse comportamento fere os princípios de sinceridade e fraternidade, causando divisões na Loja.
4. Significado Simbólico e Psicológico:
o Psicologicamente: É uma sabotagem sutil motivada pela incapacidade de suportar o sucesso alheio.
o Simbolicamente: Representa a ausência de "trabalho interior" (a pedra bruta não lapidada).
5. Caminho para a Superação (Ação do Maçom): A solução está na vigilância interior, que envolve:
o Observar sem reagir.
o Estabelecer limites.
o Cultivar relações autênticas.
o Evitar a vaidade.
6. Conclusão Transformadora: Lidar com essa figura é visto como uma oportunidade de crescimento pessoal (jornada iniciática) e contribui para a harmonia do Templo.
O bajulador invejoso representa um desafio central aos ideais de aperfeiçoamento moral da Maçonaria. Este indivíduo utiliza a reverência e a adulação como máscara para ocultar sentimentos destrutivos como ressentimento, inveja e desejo de manipulação, ferindo diretamente os princípios de sinceridade e fraternidade e verdade, que poderá causar divisões na Loja.
Ação desse indivíduo gera ações de sabotagem motivada pela incapacidade de aceitar o sucesso alheio. Simbolicamente, ele simboliza a ausência do "lapidar interior" A Maçonaria propõe que o maçom sempre procure se observar, como caminho para a superação, incentivando o Maçom a observar sem reagir, estabelecer limites, cultivar relações verdadeiras e evitar de forma ferrenha a vaidade. Assim, a oportunidade de lidar com o bajulador, pode proporcionar ao maçom uma oportunidade de crescimento pessoal, fortalecendo a jornada iniciática e contribuindo para a harmonia do Templo.
A parte que mais gostei do texto foi a sua conclusão, quando o autor escreveu: "A Luz não se impõe, ela se conquista E o verdadeiro maçom é aquele que, mesmo diante da sombra, escolhe permanecer fiel à sua missão: construir pontes, lapidar a pedra e servir à Verdade."
Meus parabens.